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Pensamentos Nómadas

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Foto-vídeo-diário de Guta, por Vanessa Beeley

Foto-vídeo-diário de Guta Oriental

   

Vanessa Beeley POLITICA SOCIEDADE 

 

Conduzindo rumo ao campo de Wafedin (Guta) que tem recebido civis evacuados de Guta (Foto: Vanessa Beeley)

 

A verdade sempre vem ao de cima. Já o vimos em Homs, Aleppo, Deir-ez-zor, Raqqa, Madaya e em todas os locais na Síria onde civis foram libertados dos grupos terroristas que constituem o exército de procuração [proxy army] dos EUA e seus aliados. Agora é a vez de Guta ajudar a denunciar os meios de comunicação corporativos ocidentais pela sensacionalista propaganda que têm vindo a realizar nestes últimos sete anos de um conflito sem sentido e imposto de fora para dentro contra a soberana nação síria e contra o seu povo.

 


Conferência de Imprensa da ONU, Hotel Four Seasons, 28.03.2018. (Foto: Vanessa Beeley)

 

A ONU realizou ontem uma conferência de Imprensa em Damasco. Chegámos atrasados, mas ainda a tempo de ouvir os números da ONU sobre os 75.000 civis que escaparam de Guta para a segurança dos centros que o governo sírio preparou para acolher estes civis traumatizados. Civis que fugiram da ocupação terrorista das suas cidades e vilas através dos corredores humanitários estabelecidos e negociados pela Síria e a Rússia.

 

De acordo com um representante da ONU, 25.000 desses civis voltaram a juntar-se às suas famílias, com a ajuda do governo sírio, enquanto que os restantes 50.000 se encontram em centros para refugiados internos onde são acompanhados por organizações da sociedade civil síria. 

 

Estes números da ONU ficam abaixo dos números do governo sírio e dos números dos negociadores russos, o que não é de espantar pois a ONU anda sempre desactualizada nesta matéria. A Syrian Arab News Agency noticiou recentemente o número de 135,000 civis. Ainda assim, estes números da ONU expõem os media ocidentais por noticiarem números bem mais baixos devido a, na melhor das hipóteses, erros grosseiros ou, na pior das hipóteses, a uma deliberada manipulação. 

 

Assaf Abood, da BBC Arabic, disse-me que a ONU não está a fazer o suficiente para dar assistência a estes centros para refugiados internos, questão esta que levantou durante a conferência de imprensa. Abood informou-me também que se estima haver ainda cerca de 130.000 civis dentro da cidade de Douma controlada pelo Jaish Al Islam [Exército do Islão].

 

Neste momento estão a ser realizadas negociações entre a Rússia, o governo sírio e o Jaish Al Islam (organização terrorista financiada pela Arábia Saudita) de forma a alcançar um acordo sobre o destino final dos terroristas a evacuar (entre outras condições importantes para a sua rendição) e a libertação dos civis mantidos reféns pelo Jaish Al Islam.

 

É de salientar que o  Jaish Al Islam tem a reputação de serem os mais extremistas e selvagens por entre os terroristas que têm ocupado Guta. A famosa "prisão do arrependimento" encontra-se em Douma:

 

Estes terroristas tomam civis como reféns, eles têm uma prisão em Douma (cidade principal de Guta) chamada Prisão de Toubah. Sabem o que significa Toubah em árabe? Significa "arrependimento". Você não sai desta prisão enquanto não se arrepender. Eles têm milhares de pessoas inocentes aí presas, civis presos nessa prisão em Douma. E de tempos a tempos pegam em mulheres e crianças, metem-nas em jaulas e passeiam-nas pelas ruas." (Syria News)

 

Campo de Wafedin

 

Ontem desloquei-me ao Campo de Wafedin, localizado no fim do principal corredor humanitário que permitiu aos civis saírem da ocupada Guta, sob protecção do Exército Árabe Sírio [SAA, na sigla em inglês]. Estes corredor tem sido bombardeados com frequência, e civis têm sido aí atacados com tiros de snipers, num esforço das facções terroristas para evitar o êxodo de civis. 

 

A perca de escudos humanos e meios de propaganda representam um duro golpe para estas organizações terroristas apoiadas por estados membros da NATO. Existe também receio sobre o que vier a ser dito pelos civis uma vez que estes se encontrem em segurança e, por fim, estejam em condições para se exprimirem livremente, sem ameaças de encarceramento ou outras piores. Já vimos está história em Aleppo Oriental.

 


Media sírios estavam presentes quando chegaram os civis. Media ocidentais, que eu saiba, nenhum. (Foto: Vanessa Beeley)

 

Curiosamente, parece que os media corporativos voltam a calar-se quando civis saem das áreas controladas durante sete anos por aquilo que aqueles denominavam de "rebeldes democráticos".

 


Soldados das SAA carregando malas e outros pertences. Alguns levam crianças ao colo. (Foto: Vanessa Beeley)

 

Fui recebida pelo general das SAA encarregado das operações de evacuação em Wafedin. Cortês, alegre e eficiente, ele dirigiu-nos (a mim e meu tradutor) ao ponto final do corredor, onde os civis entrariam na área do campo para deslocados internos. Os soldados da SAA estavam em condições de reagir se facções terroristas disparassem contra civis. Como sempre nessas situações, não houve tensão, apenas eficiência calma e cuidado com os civis. Os soldados estavam alerta, preparados, mas conscientes das necessidades dos civis traumatizados e exaustos que caminhavam aturdidos em direcção à segurança.

 

O seguinte vídeo foi filmado precisamente quando os civis chegavam à "meta". Assista ao vídeo:

 

 

 

A primeira senhora com quem falamos estava claramente exausta. "O meu coração está a bater tão rápido", disse-nos ela. Os seus olhos eram surpreendentemente azuis e ela parecia ansiosa por seguir em frente, mas disse-nos que estava "confortável" agora que finalmente havia chegado. Um menino disse-nos que estar aqui era muito melhor do que estar dentro de Guta. Duas jovens descreveram as condições em Douma como trágicas, mas expressaram sua esperança de que a situação fosse resolvida rapidamente para que pudessem lá retornar.

 

 

Muitos dos homens, entre os civis, tinham sido feridos e tinham muletas ou caminhavam com dificuldade. Muitas vezes vimos o Crescente Vermelho Árabe Sírio e a VERDADEIRA Defesa Civil da Síria intervirem transportando aqueles que não puderam dar os últimos passos até à liberdade.

 

Falamos com um dos membros da VERDADEIRA Defesa Civil da Síria. Com familiar humildade, contou-nos que é o Crescente Vermelho Árabe Sírio que está dentro de Guta ajudando na evacuação. O papel do Crescente Vermelho Árabe Sírio é o de fornecer cuidados médicos a civis quando estes chegam, ou transportá-los para um hospital para cuidados mais intensivos. Assista ao vídeo:

 

 

Os civis foram escoltados até ao centro para refugiados internos em Wafedin. Uma vez dentro do complexo, a maioria sentou-se no chão, visivelmente esgotada e aliviada o suficiente para poder descansar. As crianças pareciam retraídas e muitas mostravam sintomas claros de desnutrição e stress.

 


Uma criança acabada de chegar ao centro de Wafedin. (Foto: Vanessa Beeley)

 


Crianças que caíram exaustas contra as paredes do complexo. (Foto: Vanessa Beeley)

 


Muitas crianças mostram sinais de queda de cabelo e desnutrição. (Foto: Vanessa Beeley)

 

Sacos e outros pertences foram revistados pelas SAA antes que os civis pudessem se registar no centro. Muitos vão voltar a reunir-se com as suas famílias em Damasco. Entrevistamos algumas pessoas. Todos descreveram as condições em Douma como insuportáveis. Ouvimos relatos de facções terroristas que acumulam ajuda humanitária e suprimentos de alimentos, vendendo-a a preços exorbitantes aos civis. 1kg de arroz por mais de US $10, 1 kg de açúcar por US $36. A supressão de opiniões dissidentes [em relação aos "rebeldes" terroristas], a privação de elementos essenciais do quotidiano... água, electricidade. A entrevista seguinte foi realizada a um homem que acabava de chegar de Douma com a sua família. Assista ao vídeo:

 

 
Quando interrogado sobre como se sentia por ter chegado a Wafedin, este homem sorriu com alegria "Eu sinto-me renascido novamente". Que apropriada declaração quando nos aproximamos do fim de semana da Páscoa em Damasco.
 

 

As fotos seguintes foram tiradas aquando dessa evacuação, e transmitem uma sensação de alívio e silenciosa libertação que não podem ser falsificados. Houve escassez de media ocidentais durante essa evacuação, talvez cientes do facto de que, uma vez mais, as miseráveis mentiras que infligiram sobre o povo sírio, são fardos demasiado pesados para serem carregados. Ainda assim, estes media ocidentais devem ser responsabilizados [pelas mentiras pró-terrorismo que produziram].

 

  

  

 

 

 

  

 

 

  

  

  

 

 

 

 

Vanessa Beeley, 29.03.2018, Guta, Síria 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: Photo and Video Diary from Eastern Ghouta, Syria

 

 
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