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Pensamentos Nómadas

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Eis os verdadeiros genocidas na Síria, por Stephen Gowans

 

Eis os verdadeiros genocidas na Síria

 

Stephen Gowans POLITICA SOCIEDADE

  

Mehdi Hasan, do Intercept, antiga cara da máquina de propaganda da monarquia Catari (a al-Jazeera) e o homem que, de acordo com a sua recusada candidatura de emprego no jornal britânico The Daily Mail, apoia o "conservadorismo social em questões como casamento, família e aborto e gravidez na adolescência” e admira “a franca defesa da fé (…) face aos ataques de ateus militantes e seculares”, foi o mesmo que denunciou o presidente sírio Bashar al-Assad como sendo um genocida. Para defender o seu caso, Hasan aponta para as baixas civis que resultaram da decisão do presidente sírio de usar a força para defender o seu país contra (aquilo que Hasan reconhece serem) as agressões da voraz política externa dos EUA, dos extremistas apoiados pelos sauditas e do oportunismo israelita (para usar as suas próprias palavras).

 

O número de 400.000 mortes na guerra da Síria desde 2011 é amplamente citado, do qual as forças do governo sírio podem ser directamente responsabilizadas por apenas uma fracção. Suponhamos que, sem nenhuma base empírica, e apenas por uma questão de argumentação, desde 2011, 100.000 pessoas morreram às mãos do Exército Árabe Sírio. Com base nisso, Hasan argumenta que as 100.000 mortes, que se seguiram à decisão de Assad de defender o seu estado, fazem do presidente sírio um genocida.

 
Mas, então, e o que dizer das pelo menos 500.000 mortes provocadas por uma decisão que nada tinha a ver com auto-defesa? A pessoa que tomou essa decisão não seria também um genocida ?
 
A decisão de Bill Clinton de impor sanções ao Iraque levou à morte de 500 mil crianças com menos de cinco anos, por doença e desnutrição, segundo a ONUAo contrário das forças predatórias, extremistas e oportunistas contra a Síria, que ameaçam a existência desse Estado, o Iraque não representava nenhuma ameaça para os Estados Unidos. Madeline Albright, embaixadora de Clinton na ONU, disse a Leslie Stahl no 60 Minutes que o assassínio em massa de meio milhão de crianças “valeu a pena”. O extermínio no Iraque foi um genocídio, e as palavras de Albright são uma enorme e odiosa apologia disso mesmoO bloqueio britânico à Alemanha, durante a Primeira Guerra Mundial, levou à morte de 750 mil civis alemães e, embora o número de mortos seja horrível, pode-se argumentar, em seu favor, que o bloqueio foi realizado num momento de crise. O bloqueio imposto por Clinton ao Iraque não foi. Não houve crise. Nem emergência. Nenhuma ameaça havia contra os Estados Unidos. E, no entanto, Clinton tomou uma decisão cujo resultado foi a morte de meio milhão de crianças iraquianas. E Albright disse que o massacre "valeu a pena".
 

A ministra dos Negócios estrangeiros do Canadá, Chrystia Freeland, que criticou Assad, encontrou-se recentemente e trocou opiniões e gentilezas com Albright, de quem é admiradora. O avô de Freeland, Michael Chomiak, era um colaborador nazi e “o editor-chefe de um jornal nazi na Polónia ocupada que difamava judeus durante a Segunda Guerra Mundial”. Freeland, que “sabia há mais de duas décadas que o seu avô materno ucraniano tinha sido editor-chefe de um jornal nazi”, poupou o seu avô da inimizade que expressa por Assad. Freeland diz que admira o seu avô, um apologista do genocídio realizado por nazis, posição que condiz com a sua admiração por Albright, uma apologista do genocídio realizado por norte-americanos. A colaboração de Chomiak com um poder imperialista perversamente agressivo (o Terceiro Reich) foi a antecâmara da colaboração da sua neta com outro poder imperialista perversamente agressivo (o império dos EUA).

 

E quanto às 400.000 mortes que se acredita terem sido produzidas pelo conflito sírio? Quem, em última análise, é o responsável? Washington tem travado uma longa guerra na Síria, cujo objectivo não é a autodefesa mas sim a eliminação dos nacionalistas árabes em Damasco. Na busca dos seus objectivos estratégicos, Washington impôs sanções à Síria (o equivalente económico da bomba atómica) e reuniu islamistas para realizarem uma jihad contra o governo secular de Assad, que é explicada em detalhe no meu livro Washington’s Long War of Syria. As culpas pelas 400.000 mortes na Síria recaiem sobre os ombros de George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump, os presidentes americanos que conduziram guerras contra a Síria, nem em auto-defesa nem em resposta a uma emergência, mas sim para eliminar um obstáculo à total dominação de Washington sobre o mundo árabe (um projecto cujo progresso foi auxiliado pelo anterior extermínio de 500.000 crianças iraquianas por parte de Clinton). É provável que esses homens (e Freeland também) pensem que 400.000 mortes valem a pena, e que a fábrica de cadáveres que haverá no prosseguimento destas guerras que estão na agenda dos Estados Unidos é um preço que vale a pena pagar (E por que não? Afinal, estes não levam com as consequências negativas de uma agressão imperial a um país que é fraco demais para ripostar).

 

É de grande utilidade, para esses genocidas e seus apologistas, que haja vários Mehdi Hasans por perto, culpando  as vítimas pelas montanhas de cadáveres sírios resultantes da voraz política externa dos EUA, em vez de culpar os executores, onde está de facto a culpa.

 

Stephen Gowans, 23 de Abril de 2018

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: Meet Syria’s real mass murderers

 

 

 

 
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Síria: a indústria de direitos humanos na "guerra humanitária" (VÍDEO), por Tim Anderson

 

capa

 

Tim Anderson  POLITICA SOCIEDADE

 

Extra

Vídeo

A quem leu as anteriores 7 partes do trabalho de investigação de Tim Anderson intitulado Síria: a indústria de direitos humanos na "guerra humanitária", aconselho vivamente a atenta visualização de uma palestra de Tim Anderson sobre o mesmo tema (vídeo abaixo).

 

Se o leitor não domina o inglês, existe uma solução simples e bastante razoável na sua qualidade de tradução:

1 - No vídeo do youtube, clique no botão CC no canto inferior direito, para activar as legendas;

2 - Depois clique no botão de uma roda dentada à direita do botão CC;

3 - Clique em Subtitles/CC;

4 - Clque em Auto-Translate;

5 - Faça scroll-down e clique em Portuguese;

6 - e já está! :)

 

 (https://counter-hegemonic-studies.net/tim-sc-16/)

 

Leia, por partes, o homónimo ensaio de Tim Anderson:

1ª PARTE - Sumário

2ª PARTE - 1. Direitos humanos como pretexto para a guerra humanitária

3ª PARTE - 2. Conflitos de interesse normalizados 

4ª PARTE - 3. Vendendo guerras humanitárias: HRW e AI  /  3.1 Human Rights Watch

5ª PARTE - 3.2 Amnistia Internacional

6ª PARTE - 4. Agências encomendadas à medida: "The Syria Campaign" e "The White Helmets"  / Considerações finais

7ª PARTE - Bibliografia

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: Syria: the human rights industry in 'humanitarian war', Tim Anderson

 

 

 

 
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Síria: a indústria de direitos humanos na "guerra humanitária" (7/7), por Tim Anderson

capa

  

Tim Anderson  POLITICA SOCIEDADE

 

Parte 7/7

 

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Tim Anderson, Janeiro de 2018

 

1ª PARTE - Sumário

2ª PARTE - 1. Direitos humanos como pretexto para a guerra humanitária

3ª PARTE - 2. Conflitos de interesse normalizados 

4ª PARTE - 3. Vendendo guerras humanitárias: HRW e AI  /  3.1 Human Rights Watch

5ª PARTE - 3.2 Amnistia Internacional

6ª PARTE - 4. Agências encomendadas à medida: "The Syria Campaign" e "The White Helmets"  / Considerações finais

7ª PARTE - Bibliografia

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: Syria: the human rights industry in 'humanitarian war', Tim Anderson

 

 

 
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Síria: a indústria de direitos humanos na "guerra humanitária" (6/7), por Tim Anderson

capa

 

Tim Anderson  POLITICA SOCIEDADE

 

Parte 6/7

 

4. Agências encomendadas à medida: "The Syria Campaign" e "The White Helmets"

Várias agências criadas por encomenda, foram quase sempre montadas e financiadas por governos ocidentais, para atender especificamente às necessidades das suas "narrativas de guerra" sobre o conflito sírio. Esta secção não fará uma documentação exaustiva de todas essas agências. Em vez disso, demonstrará o nível de envolvimento de duas dessas agências, a The Syria Campaign e os The White Helmets, fornecendo provas de como estas enganaram o público de forma sistemática.

 

A The Syria Campaign é uma agência de Wall Street (Nova Iorque) criada para executar uma campanha online de "narrativa de guerra" com atraentes vídeos e gráficos. A sua especialidade é o marketing. As principais mensagens são as de que o governo sírio é de longe o pior agressor de direitos humanos e que a grande maioria dos refugiados sírios foge do exército sírio e do presidente Assad. Os seus dados, uma vez mais, provêm de agências tendenciosas, sobretudo o OSDH e o SNHR (TSC 2017). Mensagens construídas em torno deste discurso têm sido amplamente difundidas pelos media ocidentais (por exemplo, Naylor 2015).

 

Figura 6: As belas montagens de dados inúteis da 'The Syria Campaign’ 

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A The Syria Campaign (TSC) foi criada por pessoas ligadas à Avaaz, através de uma empresa-mãe chamada "Purpose". Este organização de Nova Iorque acrescenta alguma credibilidade "síria" à sua retórica usando as suas ligações a alguns "activistas" jiadistas como o fotógrafo Khaled Khatib (Morningstar 2015). Usando fundos de grupos de Soros, a TSC posiciona-se contra a Síria e é, desde o início, pró-mudança de regime. Em Junho de 2014, a TSC tentou impedir o Facebook de hospedar a página da campanha eleitoral presidencial de Bashar al-Assad (Rushe e Jalabi 2014). A Avaaz, a The Syria Campaign e os The White Helmets compartilharam campanhas para uma "zona de exclusão aérea" ao estilo da que houve na Líbia, fazendo muitas vezes estranhas alegações. Sem qualquer prova credível, a Avaaz alegou que "mulheres na Síria estão sendo forçadas a permanecer à frente de tanques e agir como escudos-humanos, para depois serem despidas e violadas por soldados" (Avaaz 2013). Tudo isto enquanto islamistas sectários se gabavam abertamente de sequestrar e violar mulheres e meninas sírias, apoiando os seus crimes em fátuas emitidas pelos seus pseudo-religiosos líderes (Chumley 2013).

 

A TSC tem activamente trabalhado na reciclagem de fotos de guerra. Em Agosto de 2015, a Avaaz e a TSC publicaram fotos de corpos de crianças mortas por entre escombros de edifícios, alegando que teriam sido vítimas de ataques do governo sírio numa zona controlada pela Frente Islâmica em Guta (zona rural de Damasco) em 2015. Essa mesma foto tinha sido usada, um ano antes, para ilustrar uma reportagem sobre o massacre realizado pelo ISIS em Deir-ez-Zor, onde mataram 700 pessoas membros de tribos locais (Chronicle 2014). Andando ainda mais para trás no tempo, a mesma foto, em Março de 2014, havia sido reivindicada pela Getty Images e pelo fotógrafo Khaled Khatib, apresentada como uma foto retratando crianças vítimas de anterior ataques com "barris-bomba" em Aleppo (Getty Images 2014). Khatib é descrito como um "activista" que opera em áreas ocupadas por grupos armados do Exército de Libertação Sírio, e membro da "Syrian Civil Defence" de Aleppo, nome como também são conhecidos os The White Helmets (al-Khatib 2015; Laughland 2015).


Numa tentativa de provar que os milhões de refugiados de guerra sírios estariam, na sua maior parte, fugindo do governo sírio, a TSC (2015a) encomendou uma sondagem na Alemanha. Nessa sondagem, 889 refugiados sírios terão sido entrevistados em Berlim, Hanôver, Bremen, Leipzig e Eisenhüttenstadt. Os entrevistados "foram abordados ao entrar ou ao sair dos centros de registo". No entanto, a pesquisa não especifica como foi feita a escolha das amostras, nem fornece o erro amostral (TSC 2015b). Onde não há uma clara declaração do método de recolha de amostras, e onde nem sequer é calculado o erro amostral, não há base nenhuma para afirmar que a pesquisa represente uma mais ampla população. Na prática, os resultados são inúteis, excepto como exemplo de anedota.

 

A nota na capa desta sondagem, o título e os gráficos destacam a alegação de que "70% dos refugiados estão fugindo de Assad" (TSC 2015a). Esta é uma errada caracterização da pesquisa visto que, no seu questionário, nem sequer é mencionado o nome "Assad" (TSC 2015b). Em segundo lugar, o somatório daqueles que os refugiados temem não totaliza 100%. Ou seja, os entrevistados poderiam concordar com várias opções. Ainda assim, as três questões relevantes parecem ser a número 9 ("Quem foi responsável pelos combates?"), a número 14 ("Por quem receava ser preso ou sequestrado?") e a número 18 ("Qual foi o motivo principal que o levou a sair da Síria?"). Nas questões 9 e 14, havia várias opções e, portanto, os resultados são muito superiores a 100% (TSC 2015b; ver também Anderson 2016c). Em resposta à pergunta 9, 70% identificaram o "exército sírio e os grupos aliados" como "responsáveis ​​pelos combates". No entanto, 82% também identificaram outros grupos armados (ISIS, al-Nusra, FSA, YPG e outros rebeldes). Removendo o YPG curdo, que até então lutava, no geral, contra o terrorismo em coordenação com o exército sírio, o total é de 74% para os grupos armados anti-governo. Em resposta à questão 14, 77% disseram que temiam ser "presos ou sequestrados por" o "exército sírio e grupos seus aliados". No entanto, o total combinado dos grupos anti-governo temidos [pelos civis questionados] é de 82% e, se somarmos o YPG, 90%. As respostas a ambas as perguntas sugerem que os entrevistados temiam os grupos armados anti-governo mais do que temiam o exército sírio. Mas isto é o preciso contrário da impressão transmitida pelos tais 70% ... fugindo de Assad. No entanto, a maior parte dos jornalistas publicou este comunicado de imprensa da TSC. A  Deutsche Welle, por exemplo, afirmou que: "A pesquisa não deixa dúvidas: os sírios estão fugindo de Assad" (Fuchs 2015).

 

Figura 7: A sondagem da 'The Syria Campaign’ prova o contrário do que diz o seu título

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Mais, a pesquisa do TSC foi muitíssimo pouco representativa. Os sírios entrevistados na Alemanha eram na sua maioria homens jovens, quase todos provenientes de zonas controladas por jiadistas. Mulheres e crianças quase não existem nesta pesquisa. A pesquisa afirma que 74% vinham de zonas pertencentes a grupos armados anti-governamentais e 68% eram homens jovens. E quase ninguém de áreas controladas pelo governo, como Tartus, Lataquia ou Sueida. E Damasco foi gravemente sub-representado (TSC 2015b; Anderson 2016c) (Figura 7). Em resumo, a pesquisa da TSC não demonstrou que a maioria dos refugiados estaria "fugindo de Assad". Pelo contrário, e apesar do seu cariz claramente tendencioso, esta sondagem sugere que os indivíduos da amostra teriam mais medo dos grupos armados anti-governamentais [do que das forças governamentais].

 

Os The White Helmets (TWH) são um grupo famoso pelos seus vídeos auto-promocionais e pelas fotos de membros seus saindo a correr de cenários de bombardeamento com crianças nos braços. Em 2016, estes alegaram ter resgatado "70.000 pessoas" de ataques à bomba do governo sírio (RT 2016). No entanto, os seus vídeos omitem o facto de que existe uma verdadeira defesa civil síria (com ligações ao corpo de bombeiros, que usa capacetes vermelhos) que serve quase todo o país (Beeley, 2017a). Este "usurpador" ["cuckoo"] criado pelo ocidente é um assistente de jiadismo [jihadist auxiliary], fundado pelo ex-soldado-mercenário britânico James le Mesurier, e exclusivamente presente em áreas controladas pela al-Qaeda no oeste da Síria (Webb 2017). Inicialmente, o grupo escondeu as suas fontes de financiamento mas, em 2015-2016, foi revelado que a maior parte [desse financiamento] era proveniente da USAID e do governo britânico (Beeley 2015c; Beeley 2016a). Apesar de alegar independência e motivações humanitárias, um relatório de 2017 informava que contavam com cerca de 120 milhões de dólares em fundos de governos ocidentais. De 2014 a 2017, receberam pelo menos 23 milhões de dólares do governo dos EUA, 80 milhões de dólares do governo do Reino Unido e mais de 16 milhões de dólares de governos da UE: Holanda, Dinamarca e Alemanha (2CW 2017), os mesmos governos que armaram grupos jiadistas.

 

Vários associados dos The White Helmets na Síria (Mosab Obeidat, Khaled Diab e Farouq al Habib) têm estreitas ligações a grupos armados e seus financiadores. Obeidat trabalhou para o Crescente Vermelho do Catar durante alguns anos, e depois "no Departamento de Estado dos EUA na Jordânia" (MayDay Rescue 2015). Diab trabalhou também no Crescente Vermelho do Catar, onde foi acusado de fornecer cerca de 2,2 milhões de dólares a grupos terroristas na Síria (Cartalucci 2013). Habib era membro do "Conselho Revolucionário de Homs" (Beeley 2015c). Os TWH compartilham com a HRW a mesma estória de que os "barris-bomba de Assad (...) são a maior ameaça para os sírios" (Roth 2015a).

 

Os TWH estão também profundamente envolvidos nos esquemas de reciclagem de fotos de guerra. Imediatamente após o início do apoio aéreo russo ao exército sírio, a 30 de Setembro de 2015, os The White Helmets publicaram uma foto na sua conta Twitter mostrando uma menina sangrando, alegando que esta teria sido ferida durante um ataque aéreo russo. Media russos provaram de imediato ser falsa esta alegação, visto que a foto havia sido publicada, pela primeira vez, cinco dias antes [do início] dos ataques aéreos [russos] (Sputnik 2015). Ao longo de 2016, vídeos e fotografias apareceram mostrando homens vestidos com uniformes dos The White Helmets, não somente aparecendo por entre jiadistas ou ajudando grupos jiadistas (incluindo na tortura e execução de soldados e civis sírios), mas também trocando os seus uniformes de socorristas por emblemas e armas de grupos armados. Ou seja, os combatentes armados eram eles mesmos membros dos The White Helmets. Existem hoje em dia compilações de muitas dezenas de fotos do género (por exemplo, COS 2017; SWB 2017). Um vídeo de auto-promoção dos The White Helmets, supostamente mostrando tentativas de salvamento de um bebé, foi denunciado pelos Médicos Suecos para os Direitos Humanos como mostrando "negligência médica e manipulação indevida de crianças para fins propagandistas" (Ferrada de Noli 2017).

 

Estas trocas de fotos enganaram agências da ONU. Em 19 de Agosto de 2015, os TWH publicaram uma foto de um prédio danificado em Aleppo, afirmando que "chegados ao local da explosão (...) cerca de uma dúzia de barris-bomba haviam destruído um edifício inteiro". As palavras e a foto foram adoptadas e republicadas pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA 2015; veja a figura 8). No entanto, essa foto foi publicada 28 meses antes, atribuída ao Aleppo Media Center (CSM 2013), com ligações ao jiadismo. Esta AMC, por sua vez, é financiada por um grupo sírio exilado em Washington, o SEO, e pelo governo francês (Beeley 2016b). A fiabilidade da foto-estória de 2013 é também duvidosa. Ainda assim, sabemos que (1), a foto-estória de 2015 foi desonestamente reciclada pelos The White Helmets e que (2), essa fabricação foi (provavelmente de forma involuntária) adoptada e propagada por uma agência da ONU.

 

Figura 8: White Helmets reciclando fotografias republicadas por uma agência da ONU

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Se ainda havia dúvidas sobre as suas partidárias e jiadistas credenciais, o líder da al-Qaeda no oeste da Síria, Abu Jaber al Sheikh, elogiou os TWH como sendo "os soldados ocultos da revolução" (Vino 2017). Depois que a parte oriental da cidade de Aleppo foi libertada e que quase 100.000 civis dali saíram, vários jornalistas sírios, iranianos, russos e outros independentes vieram os questionar acerca das suas experiências. Ex-moradores do leste de Aleppo (sob ocupação) apelidavam-nos de "defesa civil da Frente al-Nusra [al-Qaeda]", afirmando que os TWH trabalhavam em conjunto com os grupos armados e raramente davam assistência a pessoas comuns (Beeley, 2017c). Por volta de Maio/Junho de 2017, os The White Helmets foram filmados participando em execuções em Aleppo e em Daraa e, no último caso, desfilando com cabeças decepadas e corpos desmembrados que depois depositaram num monte de lixo (Live Leak 2015; O'Connor 2017; Beeley 2017b). 

 

Os The White Helmets participaram também na recolha de amostras no local do incidente com armas químicas em Idlib (Khan Shaykhoun) para a OPAQ, uma agência da ONU na Turquia. A Síria e a Rússia argumentam que o objectivo era culpar a Força Aérea Síria pelo ataque. Esta estória foi apoiada pela Casa Branca e as suas agências incorporadas, como a Bellingcat, mas foi rejeitada pelos especialistas independentes norte-americanos Ted Postol e Scott Ritter. Postol, um consultor forense do Pentágono, disse que qualquer que tenha sido o produto químico usado, este não veio do ar; foi detonado a partir do solo (Postol 2017). O ex-inspector de armamento dos EUA, Scott Ritter, disse que a intervenção dos partidários The White Helmets destruiu a integridade da cadeia de comando das amostras de tecidos, de modo que a OPAQ não estava então em posição de julgar de onde teriam vindo [as amostras] (Ritter 2017). O professor Paul McKeigue, examinando o relatório OPAQ/JIM da ONU, rejeitou o sugerido exercício de "impressão digital” de sarin (que visava ligar os estoques de sarin da Síria, destruídos em 2014, com as amostras fornecidas pelos jiadistas em Idlib). McKeigue concluiu também que os Estados Unidos forneceram dados sobre a trajetória de voo das aeronaves sírias como “incompatíveis” com a estória do ataque aéreo (McKeigue 2017). Os The White Helmets enganaram a OPAQ, assim como enganaram o UNOCHA. Insisto, estes grupos são tendenciosos e são pagos para isso.

 

Considerações finais

A "guerra humanitária" tem uma longa história colonial e neocolonial, mas hoje em dia requer fortes campanhas ideológicas e renovadas doutrinas. Para as obter, grupos de "direitos humanos" foram absorvidos e financiados para fins de legitimação. A Human Rights Watch e a Amnistia Internacional são os exemplos mais proeminentes de uma indústria de direitos humanos incorporada à política externa dos EUA. Para a guerra de procuração contra a Síria, outros grupos de relações públicas foram expressamente criados, como a The Syrian Campaign e os The White Helmets, financiados pelas grandes potências e por fundações privadas a elas associadas. Juntos, estes grupos formam uma altamente politizada indústria que busca enterrar ou "normalizar" os seus conflitos de interesse. Este projecto conjunto tem sido uma tentativa de legitimar a intervenção militar ocidental recorrendo a pretextos humanitários, e evitando os princípios de não-intervenção e anti-guerra do direito internacional. Este projecto busca descredibilizar e desmoralizar a resistência à estratégia imperial, visando obter a divisão ou a destruição de estados independentes, no processo de construção do "Novo Médio-Oriente" liderado pelos EUA. É imensa a quantidade de provas sobre as fabricações e campanhas partidárias realizadas por esta rede. De qualquer modo, propaganda de guerra nunca se baseou em raciocínio ou provas.

 

Tim Anderson, Janeiro de 2018

 

1ª PARTE - Sumário

2ª PARTE - 1. Direitos humanos como pretexto para a guerra humanitária

3ª PARTE - 2. Conflitos de interesse normalizados 

4ª PARTE - 3. Vendendo guerras humanitárias: HRW e AI  /  3.1 Human Rights Watch

5ª PARTE - 3.2 Amnistia Internacional

6ª PARTE - 4. Agências encomendadas à medida: "The Syria Campaign" e "The White Helmets"  / Considerações finais

7ª PARTE - Bibliografia

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: Syria: the human rights industry in 'humanitarian war', Tim Anderson

 

 
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Um exemplo perfeito de anti-democrática imposição de consenso, por Luís Garcia

Desespero Mediático 26 

DESESPERO MEDIÁTICO 26

  

Luís Garcia  SOCIEDADE 

 

Correio da Manhã, 27.04.2018 - um exemplo perfeito de anti-democrática imposição de consenso, ainda por cima errónea:
 

2018-04-27, Correio da Manhã

 

Segundo este mérdico Correio da Manhã (CM), supostamente, o exercício de liberdade de expressão de Kanye West, previsto e protegido pela Primeira Emenda norte-americana, será, afinal, um acto gerador de polémica. Só que não, não é.
 
1 - É apenas a opinião legítima e legal (certa ou errada, não importa) de um cidadão dos EUA sobre 2 políticos norte-americanos. Polémicas fazem-nas fracos e patéticos meios de comunicação como o CM que, por se ocuparem em demasia com a criação e comunicação de (falsas) polémicas, não têm nunca tempo para comunicar factos interessantes e/ou raciocínios pertinentes.
 
2 - Depois, o que há de polémico no acto de criticar o antigo presidente dos EUA, Barack Obama? Não foi Obama que mandou construir 1.100 km do muro EUA-México que Trump agora pretende terminar? Não foi Obama que autorizou a  ilegal e criminosa invasão de 7 países? Não foi Obama que decidiu transformar o país mais rico e desenvolvido de África (a Líbia) numa pós-apocalíptica terra de ninguém onde literalmente reinam a escravatura e o perpétuo confronto de organizações terroristas, várias delas lá implantadas pelo senhor Obama? Não foi Obama que deu início à devastadora agressão contra a Síria? Não foi Obama que autorizou o golpe de estado e ocupação militar das Honduras em 2009? E a tentativa falhada de fazer o mesmo no Equador? Não foi Obama que autorizou o golpe de estado que colocou no governo da Ucrânia o homem mais rico do país, um pack de funcionários do FMI e 2 grupos declaradamente Nazis? Não foi Obama que, em 2013, deu início à sabotagem económica e guerra económica contra a Venezuela? Não foi Obama quem assinou um decreto no qual é afirmado que "a Venezuela é a maior ameaça à segurança dos EUA"? Não foi Obama que, apesar de ter prometido fechar Guantánamo, não só não a fechou como ainda abriu pelo menos mais 8? Não foi Obama que matou ilegalmente 100 vezes mais pessoas que Bush, por esse mundo inteiro, com o seu terrorista programa de assassinatos extrajudiciais com drones? Não foi Obama que, no verão de 2014, deu ao ISIS, de mão beijada, um arsenal de guerra suficiente para um país médio-pequeno (no noroeste do Iraque)?
 
Foi! Sim, foi! Foi ele que fez tudo isto. Provas não faltam. Formas de verificar não faltam. E são simples e gratuitas, quase instantâneas até! O problema é que estas pós-modernas alforrecas-zombies que se dizem "jornalistas" do CM não fazem a mínima ideia dos factos acima citados, e não têm a mínima paciência para verificar factos, apesar de passarem o tempo a chamar de "propaganda" a quem, pelo contrário, verifica factos. Por exemplo, não hesitam em etiquetar a RT de "propaganda russa", a qual mostra factos reais de provas reais com testemunhas reais que dão a cara e o nome num tribunal real. Tudo aquilo que, aí está, a CM não fez sobre o inexistente ataque químico deste mês em não-Douma:
 
 
3 - E depois, que pode haver de polémico no apoio de Kanye West a Trump, viste que este (ainda) não cometeu um milésimo dos crimes e actos terroristas que Obama cometeu? Como é?
 
4 - Kanye West afirmou que "ele é meu irmão". Ok, e depois? Então não é por demais sabido que quer Kanye West quer Trump são duas alforrecas infinitamente imbecis, ignorantes e aparvalhadas? Pois claro que são irmãos! Irmãos, aí está, na imbecilidade, na ignorância e na parvalheira! E irmãos nos seus milionários níveis de riqueza! E irmãos nos seus estatutos de patéticas mega-estrelas mediáticas! Ou será que o CM, quiçá, terá uma posição racista sobre esta frase, considerando que um preto não pode ser irmão de um branco? Se for o caso, e eu espero que não, polémico e muito será, então, o racismo do Correio da Manhã!

 

Luís Garcia, 27.04.2018, Ribamar, Portugal

 

 

 
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Mais uma bela alma: Contragolpeando o ataque global à dissidência, por Stephen Gowans

capa

 

Stephen Gowans POLITICA SOCIEDADE

 

Recentemente, chamaram-me à atenção para um artigo de Sonali Kolhatkar no Truth Dig entitulado: “Why Are Some on the Left Falling for Fake News on Syria?”, que o Counterpunch ["Contragolpe" em inglês, nome de um media conhecido por ser do contra, daí o trocadilho do título] considerou ser suficientemente importante para o republicar com o título “The Left, Syria and Fake News”. O artigo de Kolhatkar foi me apresentado como sendo mais uma obra de uma "bela alma".

 

Haverá certamente razões para acreditar que a colunista do Truth Dig encaixa nessa descrição. Kolhatkar incentiva-nos a equacionar “alternativas não-militares para acabar com a complexa guerra [na síria]”, mas não consegue pensar em nenhuma, tal como Mehdi Hasan no seu delírio contra os defensores da luta do governo sírio contra as agressões do que ele diz serem a voraz política externa dos Estados Unidos, o extremismo saudita e o oportunismo israelita. Nem um nem outro consegue pensar em benignas alternativas que o governo sírio deva empregar para se defender mas, ainda assim, acreditam que Assad deve apresentar algumas.

 

E, tal como Hasan, Kolhatkar reclama ser neutra em relação à guerra neocolonial dos EUA contra a Síria, insistindo que ela não está nem do lado de Washington nem do lado de Damasco mas sim, tal como Eric Draitser do Counterpunch, do lado do povo sírio. As almas belas escapam-se dos embates entre reais forças sociais, refugiando-se numa amorfa "humanidade".

 

As belas almas deixam-se consumir por “fantasias filantrópicas e sentimentais frases sobre fraternidade”, comentou certa vez Engels. Defendem o “humanismo edificante” e “indistintos e vagos apelos morais”, mas nunca a “acção política concreta” que desafie “um sistema social específico”.* Fica no ar a dúvida sobre o que será que o Counterpunch [Contragolpe] andará contra-golpeando mas, pelo menos nos casos de Draitser e Kolhatkar, imperialismo norte-americano não será certamente.

 

As belas almas parecem não se aperceber que a guerra na Síria é uma luta política concreta ligada a um sistema social específico relacionado com o império; é a luta dos EUA para estender a sua ditadura sobre todo o mundo árabe, e a luta dos nacionalistas árabes em Damasco e seus aliados para combater os imperiais desígnios dos EUA. Tudo o que as belas almas conseguem apreender é que pessoas estão sendo mortas, famílias estão sendo destruídas, crianças estão sendo aterrorizadas e que elas, as belas almas, gostariam que tudo isso acabasse. Não são pela justiça, nem pelo fim da opressão e da ditadura norte-americana, nem pela igualdade. São pela ausência de conflito. E não parecem particularmente interessados acerca dos porquês deste conflito.

 

Para esclarecer a sua posição, consideremos uma analogia com a luta dos proprietários de escravos contra a rebelião de escravos. 

 

Na guerra entre os proprietários de escravos e a rebelião de escravos, Kolhatkar professa neutralidade, protestando que não é por nenhum dos dois lados, mas sim pela humanidade. Se isso não fosse já mau o suficiente, ela enfraquece ainda mais a sua debilitada posição moral demonstrando que sua professada neutralidade é uma farsa e que, na realidade, ela é pelos proprietários de escravos.

 

Ela aceita como verdades incontestáveis todos os insultos que os proprietários de escravos lançam contra a rebelião de escravos, exigindo, àqueles que desafiam a versão dos proprietários de escravos, que sejam mais sofisticados (isto é, que aceitem que é incontestável) e a equacionar alternativas não violentas à “complexa questão da escravidão” (isto é, o abandono da rebelião). O resultado da sua proposta, a ser bem sucedido, seria a derrota da rebelião e a perpetuação do sistema de opressão.

 

Apesar da afirmação de neutralidade por parte de Kolhatkar, é bem claro de que lado está ela na questão da guerra dos EUA que impõe escravidão neocolonial à Síria (e, depois da Síria, ao Irão), mas não está claro o porquê. Ela certamente não chegou à posição que chegou por análise racional, visto que nenhuma é sugerida! A sua dissertação é embaraçosamente desajeitada. Kolhatkar parece não ter consciência dos problemas que estão na raiz do conflito. Ela parece não ter a mínima ideia de que os meios de comunicação em massa são jingoístas [chauvinismo face à Rússia]. E é incapaz de reconhecer lapsos gritantes na sua própria retórica. Que raio viu o Counterpunch de interessante neste artigo de Kolhatkar?

 

Além do mais, nas suas linhas gerais e na sua intenção, o artigo de Kolhatkar é praticamente indistinguível de um recente editorial do Haaretz: “How Assad’s War Crimes Bring Far Left and Right Together – Under Putin’s Benevolent Gaze”, o qual a Media Lens apelidou de "ataque global à dissidência". Que um jornal israelita venha difamar apoiantes da luta da Síria contra a agressão neo-colonial ilegal e predatória liderada pelos EUA e apoiada pelos saudito-israelitas, não é surpresa nenhuma. E Kolhatkar poderia ter abordado a questão com muito mais delicadeza, mas o difícil é perceber como pode ela (ou o Counterpunch) se por a fazer equipa com um jornal como o Haaretz.

 

Independentemente do contexto, seja qual for a esquerda à qual pertence Kolhatka, não será a esquerda tão profundamente ocupada em desafiar e superar um real sistema de dominação, opressão e exploração. Será uma esquerda cujo objectivo é a ausência de conflito e não a presença de justiça. Uma esquerda de piedosas expressões de benevolência, e não uma comprometida com uma real luta contra a ditadura à escala internacional.

 

* Domenico Losurdo. Class Struggle: A Political and Philosophical History. Palgrave MacMillan. 2016. P 79-80.

 

Stephen Gowans, 25 de Abril de 2018

 

Leia também: Mehdi Hasan, a bela alma, e a sua diatribe contra a esquerda consequente

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: Another Beautiful Soul: Counterpunching the Global Assault on Dissent

 

 

 
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Mehdi Hasan, a bela alma, e a sua diatribe contra a esquerda consequente, por Stephen Gowans

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Stephen Gowans POLITICA SOCIEDADE

 

Se ainda não era claro, Mehdi Hasan, do The Intercept, quer de uma vez por todas que saibamos que ele é uma bela alma ["beautiful soul" no original]. Numa diatribe de 19 de Abril contra os "apologistas de Bashar al-Assad", Hasan declara a sua aversão a crimes de guerra, tortura e ditadura, independentemente da sua origem, mas dedica uma especial atenção à violência e às restrições de liberdades civis e políticas atribuídas ao presidente sírio. Segundo Hasan, Assad "é um criminoso de guerra, mesmo que não tenha gazeado civis" e portanto, os esquerdistas deveriam parar de defendê-lo. Este jornalista, que anteriormente havia trabalhado na al-Jazeera, essa máquina de propaganda da monarquia do Catar, continua depois recitando a ladainha de acusações contra Assad, algumas inegáveis, outras não comprovadas, outras ainda não comprováveis. Fica-se com a sensação que Hasan ficou chateado com o facto de que as mais recentes acusações contra o governo sírio de [uso de] armas químicas, ridiculamente ténues desde o início, e agora amplamente destruídas pela análise de Robert Fisk, acabaram por não pegar.

 

Houve tempos em que uma pessoa se posicionava no espectro político em função da sua posição em relação a questões de igualdade política, social e económica, quer a nível nacional quer a nível internacional. A esquerda defendia maior igualdade; os conservadores apreciavam o status quo; e reaccionários, monarcas do Catar incluídos, faziam campanha pelo retorno a um mundo de hierarquias hereditárias baseadas em classe, género e raça. Os métodos utilizados pelos actores políticos para atingirem os seus objectivos poderiam ser considerados aceitáveis ou deploráveis, por razões morais ou instrumentais, mas chegou-se à conclusão que os métodos utilizados não eram inerentes aos objectivos buscados.

 

Era também constatável que as circunstâncias restringiam os métodos. Os métodos disponíveis para fazer avançar a luta por uma crescente igualdade, por exemplo, ou pela defesa da sua continuidade, mudavam em função da força da oposição. A probabilidade de se submeter à violência versus persuasão moral, o nível a que os seus defensores poderiam ser estimulados a lutar, a sua tolerância ao sacrifício, e por aí em diante. Poderia haver quem achasse os métodos desagradáveis, mas, assim sendo, haveria a expectativa de que alguém sugerisse alternativas realistas.

 

Hasan, na sua imaginação, virou do avesso a distinção entre objectivos e métodos. Na visão de Hasan, os esquerdistas são definidos não pelo que tentam alcançar, mas sim pelos métodos que usam. Tortura, ditadura, supressão de liberdades civis, danos colaterais civis resultantes de guerras. Tudo isto, segundo Hasan, são sinais de uma orientação política contrária à esquerda. E assim, de forma ilógica, Hasan argumenta que “Bashar al-Assad não é de todo um anti-imperialista, nem tampouco um secular baluarte contra o jiadismo. É, pura e simplesmente, um genocida”. É óbvia a incoerência desta falsa dicotomia, parte central da sua argumentação. O assassino em massa (se é que Assad pode ser caracterizado enquanto tal) não exclui o baluarte anti-imperialista e secular contra o jiadismo. Mas no mundo de Hasan, o assassino em massa e o anti-imperialista secular são mutuamente exclusivos. Assim os vê Hasan porque este transfigurou o conceito de esquerda e transformou-o no conceito de evitar todas as escolhas que tenham consequências potencialmente terríveis.

 

A bela alma retira-se das lutas políticas do mundo real e refugia-se numa impotente postura moral, onde nenhuma escolha é feita porque, de uma forma ou de outra, as consequências de todas as escolhas são terríveis. E portanto, o sucesso de uma qualquer luta política, deixa de ser o agir sobre o mundo de forma a transformá-lo, para o evitar qualquer passo que possa ter consequências terríveis. Uma receita para a impotência, a paralisia e o fracasso. Para a bela alma, o único movimento político de esquerda que merece apoio é aquele que falha, e não aquele que chega ao poder e implementa o seu programa político e luta para superar a oposição.

 
Para Hasan, a posição do Estado sírio no espectro político nada tem a ver com os seus objectivos: superar as divisões sectárias e outras no mundo árabe, salvaguardar a independência política da Síria e alcançar a soberania económica. Nem tampouco importa que Damasco esteja ocupada numa luta contra a (para usar as palavras do próprio Hasan) “voraz política externa dos EUA”, o “extremismo inspirado na Arábia Saudita” e o “oportunismo israelita” ou, por outras palavras, contra a agressão de forças conservadoras reaccionárias que são, individualmente (já para não falar colectivamente), muitíssimo mais poderosas do que o estado sírio. Para o Mahatma, todas essas considerações são irrelevantes, e tudo o que importa na avaliação da orientação política de Assad é se os métodos que Damasco usou, para defender os ganhos obtidos na consolidação do seu direito à igualdade e à soberania, são métodos adequados a estados em períodos de estabilidade, normalidade e segurança. É como se o que Hasan deplora num gabinete de guerra, por exemplo, não seja a guerra que tornou o gabinete de guerra necessário, mas o próprio facto de que um gabinete de guerra tenha sido criado em resposta a essa guerra. Como se continuar a viver a vida normalmente pudesse, sabe-lá como, fazer desaparecer a guerra. 
 

Senão, que alternativas podia o governo sírio ter adoptado de forma a enfrentar a crise e a emergência que a voraz política externa norte-americana, o extremismo de inspiração saudita e o oportunismo israelita infligiram à Síria? Até mesmo a constituição dos EUA prevê a concentração de autoridade no poder executivo e a redução das liberdades políticas e civis em situações de rebelião interna e de ameaça de invasão. Desde meados dos anos 1960, se não antes, a Síria tem enfrentado crises e emergências permanentes, incluindo um oficial estado de guerra em curso com Israel, a ocupação estrangeira de seu território (agora pelos Estados Unidos e Turquia, que se juntaram a Israel), e o fomento de rebeliões internas por parte de estados ocidentais com ambições imperialistas. Tudo condições comparáveis àquelas que os arquitectos da constituição dos EUA previram exigir poderes extraordinários para os presidentes dos EUA. E então, não serão necessários comparáveis poderes ​​para um presidente sírio? Qualquer avaliação realista dos desafios enfrentados pela Síria leva inevitavelmente à conclusão de que severas e bastante desagradáveis medidas são necessárias para que o projecto de esquerda de defender a igualdade e a soberania da Síria dentro da rede internacional de estados seja alcançado, contra a oposição determinada da “voraz política externa dos EUA ”, do “extremismo inspirado na Arábia Saudita” e do “oportunismo israelita”. 

 

Portanto, perante esses enormes desafios, que deveria fazer Assad? Seja qual for a resposta, Hasan não a pode dizer. O melhor que o escritor do Intercept consegue fazer é perguntar: “É esta a única forma que você conhece para fazer frente" à agressão dos EUA, da Arábia Saudita e de Israel? Bem, de facto, esta parece ser a única forma pela qual o governo sírio sabe resistir às forças muitas vezes mais fortes que ele próprio. De qualquer modo, se não pode ser desta maneira, então de que maneira deveria ser? "Devemos atirar balões à oposição?", perguntou certa vez Assad a uma outra alma bela.

 

Na guerra contra as Potências do Eixo, os Aliados usaram tortura, execuções sumárias, bombardeamentos indiscriminados, confinamento de civis em campos de concentração, supressão de liberdades civis, concentração de poderes nos órgãos executivos e coisas ainda piores. Esses métodos eram claramente desagradáveis. Ainda assim, foram os métodos escolhidos para superar o fascismo.

 

Seria errado denunciar a guerra antifascista como deplorável porque alguns, ou mesmo muitos dos seus métodos, eram desagradáveis: desde as ditaduras de facto que governavam o Reino Unido e os Estados Unidos, aos maus-tratos, tortura e execuções sumárias de prisioneiros de guerra do Eixo, até aos cercos e ao fazer civis passar fome. E a recusa dos países Aliados em garantir os direitos de reunião e de livre expressão aos partidários do nazismo e do fascismo? Pode tal ser condenado enquanto exemplo de violação de direitos humanos? Toda e qualquer acusação que Hasan faz contra Assad pode igualmente ser feita contra a conduta de Roosevelt e Churchill durante a Segunda Guerra Mundial. Curiosamente (ou previsivelmente) ele não o faz, preferindo direccionar o seu veneno contra o aliado desta dupla, Estaline, o único dos três cujos objectivos eram genuinamente de esquerda.

 

A bela alma não é deste mundo. As opções disponíveis, para aqueles que alcançam ganhos reais em lutas políticas do mundo real, raramente são simples e, muitas vezes, são repulsivas ou desagradáveis, de uma forma ou de outra. A bela alma afasta-se do mundo real dos jogos políticos, como o monge que se retira do mundo para dentro de sua cela e, assim, evita fazer escolhas cujas consequências possam ser lamentáveis. A política da bela alma gira em torno da denúncia das escolhas feitas por aqueles que agem no mundo de forma a poder mudá-lo. Poucos disputariam que o nazismo de Hitler, o fascismo de Mussolini e o militarismo de Tojo poderiam ter sido superados sem o recurso à violência, pese embora as suas desagradáveis consequências. Mas dá para imaginar Hasan, o Mahatma, perguntando a Roosevelt, Churchill e Estaline: “É esta a única forma que conhecem para fazer frente à voraz agressão NAZI, ao imperialismo japonês e ao oportunismo de Mussolini?" E também podemos imaginá-lo dizer que “Roosevelt não é de todo um anti-imperialista. É, pura e simplesmente, um genocida”.

 

A esquerda não está dando a outra face, ou virando a cara ao absoluto compromisso para com os direitos de liberdade de expressão e de reunião, ou cumprido religiosamente com todas as leis de guerra. Bem pelo contrário! Por mais que Hasan tente nos fazer crer que atirar balões contra a oposição faria de Assad um genuíno baluarte anti-imperialista secular contra o jiadismo, a verdade é que disparar balões só faria de Assad um anti-imperialista espectacularmente mal-sucedido e uma peneira secular em vez de um baluarte secular contra o extremismo jiadista. O presidente sírio é inquestionavelmente um anti-imperialista, algo que o próprio Hasan admite (embora pareça não se aperceber) quando pergunta se Assad não terá outra maneira de se opor ao imperialismo norte-americano. O que é um anti-imperialista senão alguém que se opõe ao imperialismo? Assim sendo, segundo o ponto de vista de Hasan, o presidente sírio está envolvido numa oposição anti-imperialista. Não gosta é dos métodos de Assad. E tampouco consegue sugerir qualquer alternativa realista. 

 

Aquilo que distingue Assad dos líderes que Hasan não demoniza enquanto genocidas é que Assad foi forçado por uma rebelião interna e uma invasão a invocar poderes de um estado policial e mobilizar forças para enfrentar essa crise, e que outros líderes, desfrutando de condições de estabilidade e normalidade, não o fazem. Será que algum outro líder, perante comparáveis circunstâncias, teria agido de forma diferente? Inevitavelmente, a simplista análise de Hasan rotula de genocidas todos os líderes de todo e qualquer estado ou movimento que tenham desdobrado forças [para combater uma dada agressão], a menos que tenham conseguido estabelecer duas impossíveis condições: (1) garantiram uma sociedade politicamente aberta na qual os direitos de liberdade de expressão e de assembleia são garantidos a todos, incluindo à oposição, que assim se encontra autorizada a livremente organizar a destruição do governo; (2) realizam todas as suas operações armadas em religioso respeito pelas leis da guerra.

 

O New York Times, certa vez, chamou à atenção de que os militares dos EUA respeitam todas as leis de guerra que puderem respeitar mas que, as violam perante certas circunstâncias de necessidade militar como, por exemplo, aquando da captura de cidades sobre o controlo de insurgentes que usem escudos-humanos civis. Hasan condena o Exército Árabe Sírio (ou melhor, especificamente Assad) pelo cerco e bombardeamento indiscriminado, presumivelmente uma alusão à libertação de Aleppo e Guta, medidas essas também empregues pelas forças dos EUA na captura de Raqqa e Mosul. Jim Mattis, secretário da Defesa dos EUA, desculpabilizou as violações dos Estados Unidos alegando que “baixas civis são um facto da vida neste tipo de situações” (Hasan, previsivelmente, não incluiu Mattis na sua demonologia; a bela alma reserva as suas mais exaltadas farpas para as figuras de esquerda). A única alternativa ao cerco e ao bombardeamento era aceitar a captura dessas cidades pelos insurgentes islâmicos como um facto consumado. Ou seja, render-se ao extremismo de inspiração saudita e aceitar a desintegração do estado nacionalista secular árabe e dos seus valores de esquerda (ou seja, anti-imperialistas).

 

O argumento que estou tentando fazer aqui não é o do "e que tal se?", mas sim o de que as únicas opções realistas face ao confronto militar de forças insurgentes que capturam território e se recusam a permitir que a população civil fuja são: (1) cerco e bombardeamento, com inevitáveis vítimas civis, ou (2) capitulação. A diatribe de Hasan contra Assad é, na verdade, um apelo à rendição síria, pois não há outra opção realista para o governo sírio enfrentar a crise e a emergência produzidas pela “voraz política externa dos EUA”, pelo “extremismo inspirado na Arábia Saudita” e pelo “oportunismo israelita” senão a de tomar medidas perante as quais, Hasan e outras belas almas, tremelicarão e proferirão condenações. Implícita na análise de Hasan está a visão de que as únicas lutas (do mundo real) contra a desigualdade dignas de apoio, são aquelas que recorrem a quixotescos métodos condenados ao fracasso e que, portanto, abrem alas ao triunfo dos movimentos de exclusão, de desigualdade, de opressão e de exploração.

 

Apêndice

Hasan e o seu correligionário Eric Draitser garantem não tomar partido. Em vez disso, afirmam pairar neutros acima do campo de batalha, apenas tomando o lado de abstracções como "humanidade", como se a humanidade não incluísse forças rivais, ou, no caso de Draitser, com "o povo sírio", como se o povo sírio não incluísse forças do governo, insurgentes islâmicos e combatentes curdos. Através de um truque verbal, esperam invocar uma criação artificial livre de rivalidades, à qual possam reivindicar fidelidade e, assim, evitar a necessidade de escolher um lado. Enfim, um logro, e a posição dos covardes.

 

Os antecessores intelectuais de Hasan, Draitser e seus semelhantes também adoptaram uma posição de neutralidade face à luta entre os proprietários de escravos e a rebelião de escravos, deplorando os métodos de luta escolhidos pelos dois lados, sobretudo a violência da rebelião dos escravos, condição necessária para a sua emancipação. "Se ao menos pudessem resolver as suas divergências de forma amigável", suspiravam esses.

 

Na década de 30, os apologistas da neutralidade, procurando pairar como um Deus por cima da guerra, recusaram ter de escolher o lado dos comunistas ou dos nazis, condenando o uso da violência defensiva de comunistas e de judeus contra os nazis que os aniquilavam.

 

Stephen Gowans, 21 de Abril de 2018

 

Leia também: Mais uma bela alma: Contragolpeando o ataque global à dissidência

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: Mehdi Hasan, beautiful soul, and his diatribe against the consequential Left

 

 

 
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Síria: a indústria de direitos humanos na "guerra humanitária" (5/7), por Tim Anderson

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Tim Anderson  POLITICA SOCIEDADE

 

Parte 5/7

 

3.2 Amnistia Internacional

A Amnistia Internacional (AI) foi criada em 1961 como uma agência não-governamental que enviava cartas de campanhas em favor de "prisioneiros de consciência". Na altura a AI evitava qualquer envolvimento "político", posição que parece ter mudado, pelo menos a partir da Primeira Guerra do Golfo (1990-1991). Desde então, esta organização tem colaborado [na produção] de pretextos para várias guerras lideradas pelos EUA.

 

A AI afirma não depender de nenhum governo, e muitas filias suas não aceitam dinheiro vindo de governos, embora algumas outras o façam. Este organização recebeu muitos milhões de dólares do governo britânico, da Comissão Europeia e dos governos da Holanda, EUA, Israel (NGO Monitor 2012) e Suécia (Ferrada de Noli 2015). É óbvio que alguns estados têm poder de influência [sobre a AI]. Por exemplo, o governo israelita "financiou a criação e as actividades da filial da Amnistia Internacional em Israel nas décadas de 1960 e 1970", período após o qual o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel passou a fornecer instruções e mais fundos para essa filial da AI (Blau, 2017). A Amnistia Internacional, globalmente, recolhe e gasta cerca de 280 milhões de euros por ano (AI 2017a), obtendo o seu financiamento de uma série de doadores na qual se incluem vários governos ocidentais, a altamente politizada "Open Society" dirigida por George Soros e a pró-israelita "American Jewish World Service" (Source Watch 2014).

 

Jean Bricmont, autor do livro Humanitarian Imperialism (2006), chama a atenção de que, antes da invasão do Iraque pelos EUA em 2003, tanto a Amnistia Internacional como a HRW fingiam manter uma posição "neutra", instando "todas as partes beligerantes" a respeitar as leis da guerra (Bricmont 2006). Estas optaram por não dizer nada sobre uma agressão que foi classificada de "ilegal" pelo então Secretário Geral das Nações Unidas Kofi Annan (MacAskill e Borger 2004). Um funcionário da AI confirmou essa postura de "não tomar posição sobre o uso de força armada ou sobre a intervenção militar em conflitos armados, a não ser para exigir que todas as partes respeitem os direitos humanos e o direito humanitário internacional" (Bery 2012). Da mesma forma, a AI ignorou a interferência externa na Síria, incluindo o fornecimento de armas a grupos terroristas (Sterling 2015). Mais tarde, a AI proferiu um muito tendencioso comentário sobre a conduta de guerra, ignorando aquilo a que o Tribunal de Nuremberga apelou de "o supremo crime" de guerra de agressão.

 

Por volta do início deste século, a liderança da AI estava já bem incorporada na política interna e externa dos EUA,  e mantinha ligações cruzadas com a HRW. Por exemplo, Suzanne Nossel, autora da doutrina do "poder inteligente" dos democratas norte-americanos, passou de directora de operações da Human Rights Watch para vice-secretária adjunta para as organizações internacionais do Departamento de Estado dos EUA, de onde saiu para se tornar directora executiva da Amnistia Internacional EUA (HRI 2012). Em 2017, a Amnistia Internacional EUA (AI EUA) empregava sete antigos e actuais funcionários do governo dos EUA (Open Secrets 2017).

 

Efectivamente, a AI não teve ninguém "no terreno" durante todo o conflito sírio, com uma só excepção. No final de 2016, durante a batalha de Aleppo, o coordenador de informação da AI Austrália, Samuel Hendricks, contou a este escritor que “actualmente não temos pessoal na Síria (...), simplesmente não é viável (…) [No entanto], a nossa assessora perita em respostas a crises, Donatella Rovera, atravessou 10 vezes a fronteira síria (...) [e] nós temos vindo a documentar atrocidades desde o início do conflito” (Hendricks 2016). O problema é que Rovera só visitou (ilegalmente) zonas controladas por jiadistas, no norte da Síria. Esta mesma Rovera havia criado os tendenciosos e enganosos relatórios da AI sobre a Líbia contendo alegações, entretanto desacreditadas, pelas quais a AI França mais tarde acabaria por se retractar (Cockburn 2011; Kuperman 2015). Ainda assim, Rovera foi contratada para preparar um conjunto de estórias semelhantes sobre a Síria. Com base nas suas visitas e depoimentos recolhidos em áreas controladas por jiadistas, a AI relatou supostos "crimes contra a humanidade sendo" cometidos pelo exército sírio (AI 2012a).

Além dos relatórios da senhora Rovera e algumas outras entrevistas fora da Síria, a AI contou com as mesmas fontes infiltradas no projecto de "mudança de regime", incluindo o "Observatório Sírio dos Direitos Humanos" (OBSD) de Rami Abdul Rahman. Embora o OSDH não revele a sua metodologia, Neil Sammonds, um investigador da AI, afirmou que "as informações de Abdul Rahman sobre os assassinatos de civis são muito boas, definitivamente uma das melhores, incluindo detalhes sobre as condições nas quis essas pessoas foram supostamente mortas (MacFarquar 2013). Sammonds não demonstra de forma alguma como consegue chegar à conclusão que as informações, provenientes dessa fonte claramente parcial, são "muito boas".

 

Salil Shetty, secretário geral da Amnistia Internacional, afirmou que a AI investiga "de uma maneira muito sistemática e directa, recolhendo provas através dos nossos próprios funcionários no terreno (...), [com] confirmação e verificação cruzada [de dados] vindos de todas as partes (...). É muito importante obter diferentes pontos de vista e constantemente cruzar e verificar os factos" (Shetty 2014). No entanto, contrariamente a estas alegações, a AI baseou-se em provas de terceiros provenientes de fontes intimamente ligadas a grupos armados na Síria, em particular o OSDH e o Syrian Network for Human Rights (SNHR). O académico escocês Tim Hayward critica a AI por esta alegar fazer pesquisas "sistemáticas" a partir de "fontes primárias" e verificadas por confirmação e cruzamento [de dados] de todas as partes envolvidas. Hayward concluiu que esta caracterização (das investigações da AI sobre a Síria) não corresponde à realidade. (Hayward, 2017).

 

Analisemos várias áreas de actividade da AI que demonstram a sua partidária relação com Washington. Primeiro, o grupo tem um historial de apoio a falsos pretextos para guerras lideradas pelos EUA. A AI simulou ter corroborado um importante pretexto para a intervenção dos EUA na "Primeira Guerra do Golfo" (1990-1991), que levaria à expulsam do exército iraquiano do Kuwait. Refiro-me à televisionada mentira em torno da kuwaitiana "enfermeira Nayirah" contando que soldados iraquianos haviam invadido um hospital no Kuwait e, no intuito de recolher valiosos equipamentos médicos, teriam retirado bebés para fora das suas incubadoras e os deixado para morrer no chão frio. Esta estória foi apoiada pelo secretariado da AI em Londres, o qual afirmou ter confirmação sobre [o caso] "Nayirah". Um ex-membro da direcção da AI EUA, Francis Boyle (2002), afirma que a organização "forçou" [a aceitação desta estória] sem o devido escrutínio. Na realidade, "Nayirah" era filha do embaixador do Kuwait nos EUA. Após a intervenção militar, incluindo um enorme massacre de soldados iraquianos em retirada dentro do próprio Iraque, a estória da "enfermeira Nayirah" foi desmascarada e provou-se ter sido uma fabricação criada através da empresa de relações públicas Hill and Knowlton, a qual orientou "Nayirah" com o seu guião (Stauber e Rampton 2002; Regan 2002).

Em 2012, a nova directora da AI EUA, Suzanne Nossel, lançou uma campanha supostamente em apoio dos direitos das mulheres e meninas do Afeganistão. Os cartazes da AI, no momento da cimeira da NATO em Chicago, em 2012, continham esta frase: “NATO: continue progredindo!” (Figura 4). Esta pouco subtil frase-feita tinha como objectivo elogiar os 10 anos da ocupação militar da NATO resultante de um pretexto forjado pelo então presidente George W. Bush. Observadores indignados classificaram este comportamento da AI de "incitamento às guerras norte-americanas" (Wright e Rowley, 2012). Mais tarde, a AI admitiu ter feito passar uma mensagem "confusa" (Colucci 2012).

 

Figura 4: AI fazendo apologia dos 10 anos de ocupação militar da NATO no Afeganistão

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A AI corroborou também falsas histórias sobre a Líbia, activamente fazendo campanha contra o governo de Muamar Gadafi. A líder da AI França, Genevieve Garrigos, alegou que o presidente líbio estaria ameaçando civis líbios e que teria usado "mercenários negros" para matar civis. Nessa mesma altura, a al-Jazeera (propriedade do monarca do Qatar, o qual financiou também grupos salafistas armados na Líbia) passava mentiras sobre tiroteios numa manifestação de Bengazi. Depois dos bombardeamentos da NATO terem destruído o estado líbio, Garrigos admitiu não existirem "provas" que corroborassem as alegações sobre os tais "mercenários negros" (Teil 2011; Timand2037 2012; Kuperman 2015). De forma semelhante, a AI publicou uma série de estórias tendenciosas e pouco fiáveis, com o intuito de atear fogo à guerra contra a Síria (Sterling 2017). 

 

Figura 5: Qual conflito de interesses? A AI, tal como os "White Helmets" e o OSDH, usa a bandeira de estrelas vermelhas dos jiadistas armados.

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Segundo, alinhando-se às suas fontes claramente parciais a AI partilhou, nos seus sites, a bandeira dos jiadistas armados junto à cara de um "manifestante pacífico" fazendo um gesto de paz (Figura 5). Na altura em que foi produzida esta imagem (2012), grupos do “Exército de Libertação Sírio” já se haviam envolvido em assassinatos sectários, e usavam slogans genocidas (Blanford 2011; Anderson 2016a: 123) como “combater os maus”, que acabou por se tornar um dos slogans da AI na sua populista e nada subtil apologia da "guerra humanitária".

 

Utilizando fontes com ligações a jiadistas, a AI aliou-se a outras organizações norte-americanas como o Avaaz, a Human Rights Watch e a The Syria Campaign, financiados pelo multi-milionário norte-americano George Soros, para juntos apelarem à acção do Conselho de Segurança da ONU contra a Síria. Isto enquanto continuava a afirmar-se "imparcial". Tal como na Líbia, a desculpa dada era defender civis: "as principais vítimas de uma campanha de implacáveis e indiscriminados ataques do exército sírio" (AI 2012b).

Terceiro, a AI aceitou as alegações de actuais e antigos jiadistas sectários de que teriam ocorrido enforcamentos em massa numa pequena prisão em Saydnaya. "Até 13000 [pessoas] secretamente enforcadas na cadeia síria, diz a AI" fazia as primeiras páginas (Chulov 2017). Se, por um lado, a pena de morte existe na Síria e sem dúvida muitos dos condenados por crimes de assassinato durante o conflito foram executados, esta exagerada alegação deverá ter sido planeada com o intuito de atrair escandalosa publicidade, uma vez mais em apoio a uma ainda mais extensa intervenção ocidental. A AI juntou as suas entrevistas na Turquia a algumas dúzias de pessoas anónimas, aos "dados" fornecidos pela Syrian Network for Human Rights (com sede no Reino Unido e alinhada a jiadistas). A AI alega ter existido uma "política de extermínio" que resultou na "mortes de centenas, provavelmente milhares, de detidos" (AI, 2017: 7). Da vaga "centenas, provavelmente milhares", o relatório salta para "entre 5000 e 13000", para acabar produzindo a manchete "até 13000" (AI 2017; Turbeville 2017). Este foi um claro exercício de manipulação de números e de exagerada linguagem.

 

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que o relatório "não corresponde à realidade (...). [Parece ser] o resultado de cálculos matemáticos baseados em testemunhos de pessoas não identificadas" (Press TV 2017). Peter Ford, observador independente e ex-embaixador do Reino Unido na Síria, questionou a razão pela qual o relatório apareceu no preciso momento em que as negociações de paz em Astana pareciam estar progredindo. A AI usou testemunhas anónimas na Turquia e, segundo Ford, essas "fontes sem nome cometem erros sobre as mais elementares informações". Este ex-embaixador visitou Saydnaya em várias ocasiões e afirma que a prisão é bem menor do que aquilo que é sugerido pela AI. O edifício que viu em Saydnaya "não poderia acomodar mais do que dez por cento desses números" [10.000 a 20.000] (Sputnik 2017).

 

Vários analistas perguntaram como foi possível não haver anteriores relatórios detalhados sobre essas "execuções em massa", e em que informações se baseavam esses números. O Syrian Network for Human Rights, com sede no Reino Unido, não apresenta um método claro de recolha de dados e não disponibiliza publicamente informação detalhada. Apenas 95 [supostos enforcados] receberam nomes (MOA 2017). A AI apresentou alguns palpites extremos, baseados em entrevistas anónimas e numa fonte no exilo ostensivamente parcial. Esta conduta não é a de uma organização profissional ou imparcial.

 

Tim Anderson, Janeiro de 2018

 

1ª PARTE - Sumário

2ª PARTE - 1. Direitos humanos como pretexto para a guerra humanitária

3ª PARTE - 2. Conflitos de interesse normalizados 

4ª PARTE - 3. Vendendo guerras humanitárias: HRW e AI  /  3.1 Human Rights Watch

5ª PARTE - 3.2 Amnistia Internacional

6ª PARTE - 4. Agências encomendadas à medida: "The Syria Campaign" e "The White Helmets"  / Considerações finais

7ª PARTE - Bibliografia

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: Syria: the human rights industry in 'humanitarian war', Tim Anderson

 

 
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Síria: a indústria de direitos humanos na "guerra humanitária" (4/7), por Tim Anderson

capa

 

Tim Anderson  POLITICA SOCIEDADE

 

Parte 4/7

 

3. Vendendo guerras humanitárias: HRW e AI

Nesta secção é examinado o papel da guerra humanitária das grandes agências Human Rights Watch (HRW) e Amnistia Internacional (AI). Demonstrarei nesta secção que ambas estão, ou passaram a estar, profundamente envolvidas com poderosos estados, com o objectivo de "civilizar" mas, mais precisamente, com o objectivo de legitimar agendas globalistas e denegrir a resistência [contra essas agendas globalistas]. Ambas atraem centenas de milhões de dólares de estados ocidentais e fundações a eles ligadas. Nenhuma delas tem qualquer responsabilidade democrática ou social. O papel da HRW e da AI durante as intervenções de "poder inteligente" contra a Líbia e contra a Síria pode ter apanhado alguns de surpresa, mas havia já um longo historial de apoio destas à política externa dos EUA. No entanto, como o conflito na Síria foi tão prolongado e tão dependente de um igualmente prolongado pretexto ideológico, este [conflito] serviu para pôr em relevo as posições parciais destas agências. Nesta secção é explicado como ambas as agências se incorporaram nas "guerras humanitárias" de Washington e são também apresentadas suficientes provas sobre o seu carácter partidário.

 

3.1 Human Rights Watch

A Human Rights Watch é uma corporação com sede em Nova York, financiada principalmente por outras corporações e fundações dos EUA. Ao contrário do National Endowment for Democracy, não é financiada directamente pelo governo [dos EUA]. Ainda assim, trabalha em estreita colaboração com Washington. Em 2010, o bilionário George Soros doou 100 milhões de dólares a esta agência (Strom 2010), o que sem dúvida terá conferido a Soros um significativo poder dentro do grupo. De facto, depois de que o membro fundador da HRW, Aryeh Neier, deixou o grupo para se tornar presidente da Open Society Foundation de Soros, Ken Roth subiu ao cargo de director executivo, onde permaneceu nos 25 anos seguintes (1993-2018). O orçamento da HRW para 2016 foi de 76 milhões de dólares e os seus activos somaram 234 milhões de dólares (HRW 2016a: 15). Mantém laços estreitos com o lado democrata da política norte-americana e com um grupo da elite da política externa: o Council on Foreign Relations (CFR). Como parte do quadro e antigo presidente encontramos James Hoge, editor da revista Foreign Policy entre 1992 e 2009. Muitos outros membros do conselho da HRW pertencem à elite corporativa dos EUA. Alguns dos seus doadores insistem que o grupo se concentre áreas específicas. Em 2016, cerca de 90% dos activos da empresa foram "restringidos" pelos doadores (HRW 2016b), ou seja, restringidos no tempo ou dedicados a certos projectos específicos.

 

Pode-se dizer, portanto, que a HRW representa um lobby corporativista focado em questões de direitos, baseado nos EUA, satisfazendo a ricos e estreitamente alinhado à política externa dos EUA (Anderson 2010). Apesar de recusar fundos governamentais, são visíveis os conflitos de interesse. Por exemplo, o director da HRW, Ken Roth, ataca com frequência inimigos da política externa dos EUA, mas tem sido criticado por dizer quase nada sobre o programa de assassinatos com drones do presidente Obama (Bhatt 2014b). Os temas principais da HRW na América Latina, durante muitos anos, foram Cuba e Venezuela, enquanto pouca ou nenhuma atenção foi dada à Colômbia, um aliado chave dos EUA e o maior assassino de jornalistas, sindicalistas e advogados (Anderson 2010). Por vezes, a motivação política é bem explícita. O relatório de 2008 da HRW sobre a Venezuela, quando era presidente Hugo Chávez, focou-se principalmente em questões de discriminação política no trabalho e nos tribunais (HRW 2008). Este relatório foi criticado por mais de cem académicos (incluindo este autor) por não respeitar "os mais elementares padrões de erudição, imparcialidade, precisão e credibilidade" (Acuña 2008). A HRW respondeu através de José Miguel Vivanco, director da HRW para as Américas, que argumentou que o relatório foi produzido "porque queríamos demonstrar ao mundo que a Venezuela não é um modelo para ninguém" (Roth, 2008). Era clara a agenda política.

 

Uns anos depois, uma carta semelhante obteve resposta semelhante. Uma lista de 130 académicos encabeçada por dois vencedores do Prémio Nobel da Paz pediram à HRW para encerrar a "porta giratória" que esta mantinha com o governo dos EUA (Pérez Esquivel et al 2014). Aqueles, uma vez mais, criticaram a HRW por ignorar grosseiros abusos do governo dos EUA, ao mesmo tempo que selecciona, enquanto alvos seus, oponentes da política externa dos EUA como a Venezuela. As vozes críticas demonstraram a realidade de repetidos intercâmbios entre autoridades dos EUA (assessores presidenciais, embaixadores dos EUA, militares e funcionários do Departamento de Estado e da CIA) e a HRW, exigindo que o grupo fechasse a sua “porta giratória”, proibindo ou impondo “períodos de descanso” para aqueles que elaboraram ou participaram na execução de políticas externas dos EUA ”(Pérez Esquivel 2014). Roth (2014) rejeitou qualquer ideia de conflito de interesses, argumentando que a HRW tinha uma grande diversidade de funcionários. Tampouco viu qualquer problema com o facto da  HRW ter Javier Solana (antigo dirigente da NATO) no seu quadro directivo (Bhatt 2014a). Somente com a transição de Obama para Trump (isto é, de um regime liberal para um regime realista) é que a HRW (mais alinhada com o lado Democrático) mudou de posição. De facto, pela primeira vez em 27 anos, os EUA foram catalogados como sendo um dos "principais violadores de direitos humanos", poucos dias depois de Trump ter ocupado o cargo. (Moran, 2017).

 

Aqui estão três áreas de actividade da HRW, durante a guerra na Síria, que demonstram que a integração do grupo com Washington foi colocada em prática. Primeiro, temos o falso relatório que a HRW criou no início do conflito armado na Síria. Num relatório de Março de 2012, que incluiu algumas simbólicas críticas aos jiadistas armados, a HRW afirmou que "os movimentos de protesto na Síria, na sua esmagadora maioria, foram pacíficos até Setembro de 2011" (HRW, 2012). Uma avassaladora quantidades de provas independentes mostram que essa afirmação é bem falsa. O falecido padre jesuíta, o padre Frans Van der Lugt, que viveu mais de 40 anos na Síria antes de ser assassinado em 2014 pela Jabhat al Nusra (al-Qaeda), em Homs, disse o seguinte: 

Eu vi, desde o início, manifestantes armados nessas protestos... eles foram os primeiros a disparar contra a polícia. Muitas vezes a violência das forças de segurança veio em resposta à brutal violência dos insurgentes armados ” (van der Lugt 2012).

 

Da mesma forma, o académico australiano Jeremy Salt, residente em Ancara, escreveu em Outubro de 2011 que:

As alegações de que a oposição armada ao governo surgiu recentemente é uma completa mentira. Os assassinatos de soldados, polícias e civis, muitas vezes nas mais brutais circunstâncias, têm ocorrido praticamente desde o início” (Salt 2011).

 

Um outro padre, o belga Daniel Maes, que residia no Mosteiro de Yakub (do século VI) em Qara, 90 km a norte de Damasco, afirmou que não houve "insurreição civil" na Síria e que a violência foi paga e planeada fora da Síria (Azizi e Maes 2017) . É importante ouvir, num conflito, vozes independentes.

 

O mito dos "protestantes pacífico pegando em armas" já foi desmontado por pesquisadores e jornalistas independentes. Pelo contrário, jiadistas armados infiltraram-se nas manifestações por reformas políticas. A insurreição saudita em Daraa (Anderson 2016b) alcançou Homs no início de Abril de 2011. O general Abdo Khodr al-Tallawi (junto aos seus dois filhos e um sobrinho), o comandante sírio Iyad Kamel Harfoush e o coronel Mohammad Abdo Khadour (fora de serviço) foram mortos por jiadistas (Narwani 2014). A 11 de Abril, o comentarista norte-americano Joshua Landis (2011) relatou a morte do primo da sua esposa, um soldado em Baniyas. Compilando informações sobre mortes de soldados, o jornalista independente Sharmine Narwani relatou que, a Abril de 2011, oitenta e oito soldados sírios foram mortos "por atiradores desconhecidos em diferentes zonas da Síria" (Narwani 2014). Em Junho de 2011, a jornalista Hala Jaber escreveu sobre os "jiadistas armados" que se haviam infiltrado em manifestações em Idlib, atirando contra polícias desarmados (Jaber, 2011). Esses violentos agentes jiadistas levaram ao desaparecimento dos protestos pacíficos. A HRW (2012) não reconhece nada disto.

Em segundo lugar, houve a tal questão das fotos da morgue, no Catar, divulgadas em Janeiro de 2014. Essas fotos, apresentadas por um desertor anónimo conhecido como "Caesar", propunham mostrar milhares de prisioneiros "opositores" na Síria, torturados até a morte pelo "regime". Muitas das fotos pareciam vir de uma morgue ligada a um grande hospital de Damasco. "César" recebeu asilo no Catar, essa minúscula monarquia rica em petróleo, e um dos principais patrocinadores dos grupos jiadistas (Shapiro 2013; Dickinson 2014). A história foi portanto patrocinada por uma das partes beligerantes e não chegou a ser confirmada. O Catar contratou alguns advogados britânicos para fornecer um selo de aprovação "bootstraps". E assim, foi relatado que "experientes procuradores especialistas em crimes de guerra afirmaram que as fotos e os documentos [apresentados] forneciam "provas claras" do sistemático assassinato de 11.000 detidos" (Black 2014). Foi também afirmado que peritos em ciências forenses examinaram e autenticaram exemplares de 55.000 imagens digitais, abrangendo cerca de 11.000 vítimas. “No geral, havia provas de que um número significativo dos falecidos se encontravam emagrecidos e que uma significativa minoria havia sido amarrada e/ou espancada com objectos semelhantes a bastões”, indicou o relatório financiado pelo Catar (Black 2014). Dezenas de fotos foram amplamente divulgadas, mas o arquivo completo não foi tornado público.

 

Quase dois anos depois, a HRW obteve o arquivo completo e publicou quase a mesma estória, mas com uma importante detalhe extra. Quase metade das fotos, admitiu a HRW, eram de "cadáveres de soldados do exército [sírio] ou de membros das forças de segurança", ou as vítimas de "explosões, assassinatos, (...) incêndios e carros-bomba" (HRW 2015: 2-3). Tal nunca havia sido mencionado antes e, quanto ao resto do relatório da HRW, também aí não foi mencionado novamente. Sem divulgar o arquivo completo, a HRW afirmou que "a maior categoria de fotografias, contendo 28.707 imagens, são fotografias de pessoas que a Human Rights Watch acredita terem morrido sob custódia do governo".Essas fotos apresentavam um consistente padrão de numeração e havia "várias fotografias de cada cadáver", até 20 por cadáver, por vezes. Estimou-se que estas fotos "correspondam a pelo menos 6.786 indivíduos mortos" (HRW 2015). No entanto, a HRW, apesar de admitir que pelo menos 27.000 fotos de cadáveres não representavam prisioneiros do "regime", optou por ignorar essas fotos. A HRW simplesmente disse que "este relatório foca-se na análise em maior detalhe à primeira categoria de fotografias" (HRW 2015: 3). O leitor casual deste relatório poderá nem sequer notar que a HRW admite ser verdade que quase metade dessas fotos secretas nada não tinham a ver com o assassínio à "escala industrial" de pessoas da "oposição" (Black 2014). Foi um fraude particularmente descarada da HRW manter a estória original, tendo em conta que sabiam muito mais do que aquilo que relataram. Rick Sterling (2016), nas vésperas de negociações de paz, chamou a atenção para a tendenciosa publicidade em torno dessas fotos.

 

Uma terceira categoria de evidências que demonstram o carácter partidário das informações da HRW na Síria são as fotos recicladas com novos rótulos pelo director da HRW, o senhor Ken Roth. A colunista Yalla La Barra escreveu que, ao longo de 2014 e de 2015, Roth ficou obcecado com o presidente da Síria, Assad, e com o tema dos "barris-bomba". Segundo a contagem de La Barra, Roth publicou 65 posts no Twitter sobre Assad e "barris-bomba" durante 2014, e 135 durante 2015. Esta contagem não incluiu outros comentários anti-Síria, como o alegado "uso de armas químicas contra seu próprio povo" por parte de Assad (La Barra 2015). Não é claro o motivo sugerido para os supostos crimes com "barris-bomba". A constante referência relaciona-se com as supostamente improvisadas bombas largadas sobre edifícios a partir de helicópteros. De qualquer modo, estes bombardeamentos pouco difeririam de qualquer outro tipo de bombardeamentos em período de guerra. No entanto, o significado sugerido por Roth e outros é que este seria um tipo de bombardeamento "indiscriminado" com bombas que, por uma inexplicável razão, só cairiam sobre civis.

 

Figura 2: A campanha de "barris-bomba" de Ken Roth  - reciclagem de fotos

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De qualquer forma, os tweets de Roth eram insistentes, tendenciosos e imprudentes. O director da HRW pouco ou nada escreveu sobre a Arábia Saudita, o Catar, os EUA, o Reino Unido e a França armando todo o tipo de grupos jiadistas extremistas na Síria. O seu foco, tal como o de Washington, sempre foi o governo sírio. Roth produziu uma série de imprudentes erros, como os que se podem ver nas Figuras 2 e 3. No início de 2015, este postou uma foto de Kobane (ou Ayn ​​al-Arab, a cidade curda-árabe que resistiu aos ataques do ISIS e que depois foi bombardeada pelos EUA), sugerindo que os danos teriam sido causados pelos "barris-bomba" sírios (MOA 2015a). Pouco depois, Roth postou uma foto dos danos causados pelos bombardeamentos israelitas na Faixa de Gaza, sugerindo que a foto mostrava os danos causados pelos "barris-bomba de Assad" em Aleppo (Johnson 2015; MOA 2015b). Esta troca de fotos é mostrada na Figura 2. Logo depois Roth postou, como representando os danos dos "barris-bomba de Assad" em Aleppo, uma foto da agência norte-americana Getty cujo título era: "destruição no bairro de Hamidiyeh em Aleppo, à medida que combatentes de comités populares locais (...) tentam defender o seu bairro tradicionalmente Cristão (...) [do] grupo de jiadistas do ISIS." (MOA 2015c). Essa "reinterpretação" pode ser constatada no Figura 3. Três "erros", todos na mesma direcção, são suficientes para ilustrar a actividade tendenciosa do director da HRW. 

 

Fugira 3: A campanha de "barris-bomba" de Ken Roth  -  "reinterpretação" de fotos

 

 

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Como se não bastasse, Roth tentou relacionar o presidente Assad com o ataque nuclear contra Hiroshima em 1945. A 9 de Agosto de 2015, Roth postou uma foto de Hiroshima, após ter sido bombardeada, junto ao comentário: "Para os planeadores do bombardeamento de Hiroshima (tal como Assad hoje), o objetivo era matar civis" (Roth 2015). A tentativa de relacionar a Síria com um famoso crime norte-americano foi de um extremo cinismo. O comportamento de Roth ilustra bem a tendenciosa e nada fiável cobertura que a sua organização faz sobre o conflito sírio. A HRW continua intimamente interligada com Washington, especialmente com o Departamento de Estado e o lado liberal da política norte-americana. As provas aqui citadas demonstram bem o carácter partidário desta agência. A HRW não pode ser considerada uma fonte independente.

 

Tim Anderson, Janeiro de 2018

 

1ª PARTE - Sumário

2ª PARTE - 1. Direitos humanos como pretexto para a guerra humanitária

3ª PARTE - 2. Conflitos de interesse normalizados 

4ª PARTE - 3. Vendendo guerras humanitárias: HRW e AI  /  3.1 Human Rights Watch

5ª PARTE - 3.2 Amnistia Internacional

6ª PARTE - 4. Agências encomendadas à medida: "The Syria Campaign" e "The White Helmets"  / Considerações finais

7ª PARTE - Bibliografia

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: Syria: the human rights industry in 'humanitarian war', Tim Anderson

 

 
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Síria: a indústria de direitos humanos na "guerra humanitária" (3/7), por Tim Anderson

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Tim Anderson  POLITICA SOCIEDADE

 

Parte 3/7

 

2. Conflitos de interesse normalizados 

As intervenções de "smart power" [poder inteligente] dos EUA e aliados na Líbia e na Síria ilustram muito bem como, numa era neoliberal, conflitos de interesse tradicionalmente compreendidos são agora ignorados. Washington, bem cedo, envolveu-se no conflito sírio, a princípio fornecendo apoio "não-letal" a grupos anti-governamentais, depois fornecendo directamente armas a alguns desses grupos. Tudo isso enquanto vendia milhares de milhões de dólares em armas aos sauditas, os quais haviam armado a insurreição islâmica na Síria desde o seu início (ver Anderson 2016b). Apesar de ser parte beligerante neste conflito, o governo dos EUA fingiu agir como mediador nesta guerra. Os EUA e seus aliados (sobretudo o Reino Unido e a França) financiaram também uma série de "media activistas" como o Aleppo Media Center (Beeley 2016b), assim como fontes de informação e defensores dos "direitos humanos" como o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, a Syrian Network for Human Rights, a Bellingcat e o Human Rights Data Analysis Group (ver Gráfico 1). A independência de todas essas agências fica comprometida perante o carácter beligerante dos seus patrocinadores. 

 

Esse conflito de interesses também foi visto na comissão das Nações Unidas criada em meados de 2012 para avaliar a situação dos direitos humanos na Síria. No início de 2012, a ONU nomeou a diplomata norte-americana Karen Koning AbuZayd para dirigir, em conjunto com Paulo Pinheiro, a Comissão da ONU para a Síria com sede em Genebra, substituindo a antiga Missão Especial (UNSMIS) para aquele país, liderada pelo general norueguês Robert Mood. 2012). A nomeação de AbuZayd foi uma decisão parcial da administração da ONU uma vez que, na altura, os EUA estavam apoiando a oposição armada na Síria. A substituição da UNSMIS por uma Comissão liderada por AbuZayd foi importante porque o massacre de habitantes de Houla, nos arredores da cidade de Homs, seria o primeiro grande teste para a doutrina da "responsabilidade de proteger" contra a Síria. A comissão AbuZayd-Pinheiro tentou culpar criminosos pró-governo não identificados, sem nenhuma prova relevante, motivo ou nomes (HRC 2012: 20). O relatório foi fortemente criticado no Conselho de Segurança da ONU, com a Rússia, a China e a Índia recusando aceitá-lo como base para uma acção contra a Síria. Quinze testemunhas oculares independentes identificaram publicamente líderes da Brigada Farouq (FSA) [sigla inglesa para Exército de Libertação Sírio] e colaboradores locais como tendo sido os autores do crime (Anderson 2016a: cap. 8). Esse mesmo grupo armado declarou um boicote e ameaçou com represálias todos aqueles que participaram nas eleições de 2012 para a assembleia nacional síria.

 

Cinco anos mais tarde, a comissão liderada por AbuZayd tentou retratar como "crime" a libertação da cidade de Aleppo de grupos aliados à al-Qaeda. A comissão alegou, falsamente, que houve "ataques aéreos diários" na parte leste da cidade de Aleppo no momento da sua libertação (HRC 2017: 19). No entanto, foi amplamente divulgado na imprensa estrangeira que os ataques aéreos na parte leste da cidade haviam sido suspensos desde o dia 18 de Outubro (BBC 2016; Xinhua 2016). Merrit Kennedy (2016), da NPR, relatou "várias semanas de relativa calma" durante a "pausa humanitária" destinada a evacuar civis. O "reinício" de ataques aéreos, quase um mês depois, foi dirigido contra grupos armados nas zonas rurais de Aleppo, e não nas áreas cada vez menores da cidade ainda sob controlo de jiadistas sectários aliados à al-Qaeda (Pestano 2016; Graham-Harrison 2016). Ainda assim, "media activistas" alinhados à al-Qaeda afirmaram que a cidade continuava a ser bombardeada (CNN 2016). A comissão da ONU, como salientou Gareth Porter, "não identificou fontes nenhumas para essa narrativa ... [mas] aceitou a versão dos eventos fornecida pelos "White Helmets", uma organização jiadista financiada pelos governos dos EUA e do Reino Unido (Porter). 2017). Este foi o padrão que vimos no panorama geral de reportagens de guerra.

 

A ambição declarada de Washington, desde meados de 2011, de derrubar o governo sírio liderado por Bashar al-Assad ("Assad must go"), mancha todas os media e [seus] apoiantes que recebem dinheiro da grande potência [EUA]. É lógica da mais simples, mas o óbvio deve ser dito. Os media que apoiam a política e as actividades do governo dos EUA têm maior probabilidade de obter financiamento; aqueles que são contra têm menor probabilidade. Nenhuma agência envolvida em polémicas relacionadas com o conflito sírio pode se afirmar independente se estiver na folha de pagamentos de governos envolvidos no derrube do governo sírio. Nem tampouco podem, aqueles que estão comprometidos com a "revolução" jiadista, afirmar serem fontes de informação independentes.

 

Por exemplo, uma grande parte da cobertura mediática ocidental sobre o conflito dependeu de uma única pessoa, Rami Abdul Rahman, um exilado sírio a viver em Inglaterra, que se apelida a si próprio de Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Muitas das estórias sobre contagens de corpos sírios, atrocidades do "regime" e enormes danos colaterais vêm desse homem (Skelton 2012; Christensen 2016). No entanto, nos primeiros anos do conflito, Abdul Rahman mostrava no seu site a bandeira do "Exército de Libertação" dirigido pela "Irmandade Muçulmana" (OSDH 2015; ver Gráfico 5). Rahman alegava recolher informações de uma rede de associados espalhados pela Síria. É lógico supor que esses associados são também, em grande parte, opositores ao governo. Os seus apoiantes ocidentais, frequentemente, afirmam que as fontes sírias, russas e iranianas devem ser rejeitadas devido à sua parcialidade; mas esses raramente dizem o mesmo sobre as fontes ligadas e integradas aos grupos armados anti-governo sírio. Esta posição é insustentável. Abdul Rahman, desde o início, admitiu receber "pequenos subsídios da União Europeia e de um país europeu que ele se recusa a identificar" (MacFarquar 2013). Sabendo que vive em Inglaterra, essa última fonte, muito provavelmente, será uma agência do governo do Reino Unido.

Tal como o OSDH, a Syrian network for Human Rights (SNHR) é mais um grupo basicamente gerido por um homem residente em Inglaterra. Este grupo alega ser "independente, apartidário, e não-governamental" e é dirigido por Fadel Abdul Ghani (SNHR 2016). Este minúsculo grupo proclama "prestação de contas", mas não declara as suas fontes de financiamento. A única coisa que pelos visto foi tornada pública foi a seguinte: "A SNHR financia o seu trabalho e as suas actividades através de incondicionais doações de indivíduos e instituições" (MOA 2017). Recentemente, até mesmo esta frase foi removida do site do grupo. Abdul Ghani está intimamente ligado a grupos jiadistas e, portanto, é é parte claramente parcial. Abdul Ghani disse em 2013, a um jornalista, que eram necessários ataques aéreos dos EUA na Síria, mesmo se esses matassem civis. Falando na primeira pessoa para se referir à oposição armada, acrescentou que: "Se não tentarmos retirar os mísseis e os tanques a Assad, [Assad] continuará a usá-los contra civis" (Scaturro 2013). Uma nota sobre a sua metodologia, no site da SNHR, admite que o grupo não está em condições de recolher dados fiáveis sobre a Síria. Afirmam que "a probabilidade de documentar opositores vítimas [de ataques] militares é ínfima", devido ao facto da SNHR não ter acesso às frentes de batalha e devido ao "secretismo da oposição armada". De forma similar, [números de] vítimas pertencentes ao exército sírio e a milícias aliadas não podem ser calculados devido à "ausência de uma metodologia clara" (SNHR 2017). Tal como Abdul Rahman, Abdul Ghani não tem experiência em investigação. Ambos compilam "dados" de maneira bastante ad hoc, usando para o efeito as suas próprias e parciais redes.

 

Fugira 1: As principais fontes de "informação" sobre a Síria são quase todas financiadas pelos mesmos governos ocidentais que fornecem armas aos grupos armados anti-governamentais.

 

Gráfico 1

 

Ainda assim, grupos sob tutela da ONU e a Amnistia Internacional fazem uso de “dados” do OSDH, do SNHR e de outro grupo norte-americano igualmente parcial chamado Human Rights Data Analysis Group (Price, Gohdes e Ball 2014). Este HRDAG obtém financiamento de fundações dos EUA, incluindo a Open Society Foundation de George Soros, assim como financiamento directamente proveniente do governo dos EUA através do National Endowment for Democracy (NED) financiado pelo Congresso (HRDAG 2017). Esse grupo, por sua vez, afirmou que "quatro fontes foram usadas nas suas análises: o Syrian Center for Statistics and Research (CSR-SY), o Damascus Center for Human Rights Studies (DCHRS), o Syrian Network for Human Rights (SNHR) e o Violations Documentation Center (VDC) (Price, Gohdes e Ball 2016: 1). Essas são todas as fontes anti-governamentais, ligadas em rede. Da mesma forma, Elliot Higgins, um investigador sem qualificação e bloguista, com o seu pequeno grupo chamado Belling Cat, reforça a "narrativa de guerra" dos EUA contra a Síria. Higgins admite que o seu grupo recebe dinheiro (entre outros) da Open Society Foundation (gerida pelo multi-milionário George Soros) e do NED (Higgins 2017), financiado pelo governo dos EUA. O gráfico 1 mostra essa rede de fontes parciais financiadas por governos ocidentais. Colaboração nesta unilateral narrativa de guerra foi solicitada e comprada a estas e outras agências. Viremo-nos agora para o papel de maiores e mais conhecidas agências de direitos humanos .

 

Tim Anderson, Janeiro de 2018

 

1ª PARTE - Sumário

2ª PARTE - 1. Direitos humanos como pretexto para a guerra humanitária

3ª PARTE - 2. Conflitos de interesse normalizados 

4ª PARTE - 3. Vendendo guerras humanitárias: HRW e AI  /  3.1 Human Rights Watch

5ª PARTE - 3.2 Amnistia Internacional

6ª PARTE - 4. Agências encomendadas à medida: "The Syria Campaign" e "The White Helmets"  / Considerações finais

7ª PARTE - Bibliografia

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: Syria: the human rights industry in 'humanitarian war', Tim Anderson

 

 
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Apanhados a mentir, EUA e aliados atacam a Síria na véspera da chegada de inspectores internacionais, por Eva Bartlett

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Eva Bartlett POLITICA SOCIEDADE 

 

Os EUA, o Reino Unido e a França espezinharam a lei internacional e lançaram mísseis contra a Síria, alegando terem "provas" do uso de armas químicas pelo governo sírio. Essa prova é baseada em mentiras terroristas.  

 
Após uma semana de escandalosos tweets e declarações de Trump que incluíram acusações contínuas de que o presidente da Síria teria ordenado um ataque com armas químicas contra civis de Douma, no leste de Damasco, e com Trump usando terminologia grotesca e juvenil do género “animal Assad”, na noite anterior à chegada de inspectores de armas químicas da OPAQ a Douma, os EUA e seus aliados bombardearam ilegalmente a Síria. Os bombardeamentos ilegais incluíram 103 mísseis, dos quais 71 foram interceptados, de acordo com a Rússia.
 

Na semana passada, disseram-nos que os EUA e o Reino Unido tinham "provas" de que a Síria usara químicos. A "prova" dependia em grande parte de videoclipes e fotos compartilhadas nas media sociais, fornecidas pelos White Helmets financiados pelo Ocidente (aquele grupo de "primeiros-socorros" que, vá se lá perceber como, só opera em áreas ocupadas pela al-Qaeda e seus aliados, e que participa em torturas e execuções), bem como por Yaser al-Doumani, um homem cuja lealdade ao Jaish al-Islam é clara através dos seus próprios posts no Facebook. Por exemplo este, sobre Zahran Alloush, ex-líder do Jaish al-Islam.

 

Foi-nos dito que era essa a "prova". Essa e as palavras da altamente parcial Syrian American Medical Society, financiada pela USAID e aliada do Departamento de Estado que, tal como os socorristas da al-Qaeda, apenas dão apoio a  médicos dentro de áreas ocupadas por terroristas.

 

Até mesmo James Mattis, Secretário de Defesa dos EUA, no dia 12 de Abril, disse, perante o House Armed Services Committee, que o governo dos EUA não tinha nenhuma prova de que sarin ou cloro tivesse sido usado e que ele ainda estava procurando por provas.

 

A Síria, percebendo serem mentiras as alegações, e que as fontes eram dúbias, solicitou que a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) viesse imediatamente à Síria para investigar essas alegações. Consequentemente, a OPAQ concordou em enviar uma equipa (para a qual vistos foram de imediato condedidos pela Síria), que chegou a Damasco no dia 14 de Abril.

 

O presidente Trump, em vez de esperar por uma investigação para confirmar a sua "prova", decidiu bombardear a Síria na noite anterior à qual chegaria à Síria a equipa de investigação para averiguar a veracidade das acusações. O timing dos ataques é mesmo oportuno. E os bombardeamentos foram ilegais.

 

O general Mattis tentou andar às voltas em torno da legalidade, afirmando que "o presidente tem a autoridade, nos termos do Artigo II da Constituição, para usar força militar no exterior para defender importantes interesses nacionais dos Estados Unidos".

 

Mas engana-se, esse artigo não permite que os EUA bombardeiem ilegalmente uma nação soberana, e ele sabe disso. E a Rússia também o sabe. Numa declaração do dia 14 de Abril, o presidente russo Vladimir Putin considerou serem ilegais esses ataques, salientando que:

Sem a autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em violação da Carta da ONU, de normas e de princípios do direito internacional, foi cometido um acto de agressão contra um estado soberano que está na vanguarda da luta contra o terrorismo foi cometido ”.

 

E se houvessem químicos nos locais atingidos?

No mesmo briefing do Pentágono, o general Joseph Dunford especificou os alvos dos EUA e aliados na Síria, alegando que eses estavam “especificamente associados ao programa de armas químicas do regime sírio”. Um alvo, contra o qual 76 mísseis foram disparados, foi o centro de pesquisa científica Barzeh, localizado na densamente povoada Damasco, que Dunford alegou estar envolvido no "desenvolvimento, produção e teste de tecnologia de guerra química e biológica".

 

Este "alvo" encontra-se no meio de uma área densamente habitada de Damasco. De acordo com o Dr. (em gestão e em economia) Mudar Barakat, que reside em Damasco, e que conhece a área em questão, “o estabelecimento consiste em vários edifícios. Um deles é um instituto de ensino. Estes encontram-se muito perto das casas das pessoas ao redor. ”

 

Referindo-se aos bombardeamentos, Dunford afirmou que "infligiram danos máximos, sem desnecessários riscos para inocentes civis".

 

Se alguém acreditasse serem correctas as alegações, salvariam realmente estes bombardeamentos vidas sírias ou, pelo contrário, causariam mortes em massa? Onde está a lógica de bombardear instalações que se acredita conterem produtos químicos perigosos e tóxicos em áreas densamente povoadas ou perto delas?

 

Em relação à verdadeira natureza dos edifícios bombardeados, a agência de notícias síria, a SANA, descreve o Instituto de Pesquisa de Indústrias Farmacêuticas e Químicas como estando "focado na preparação de composições químicas para medicamentos contra o cancro". A destruição deste instituto é particularmente amarga visto que, sob sanções, está proibida a venda de medicamentos contra o cancro à Síria.

 

Entrevistas com um dos seus funcionários, Said Said, corroboram a descrição da SANA sobre a instalação que produz componentes para o tratamento de cancro e outros. Um artigo inclui este raciocínio lógico de Said: “Se houvesse armas químicas, não poderíamos estar aqui. Estou aqui desde as 5:30 da manhã, em plena saúde, não estou tossindo."

 

Sobre a instalação, o mesmo artigo da SANA destaca que os seus laboratórios haviam sido visitados pela OPAC, a qual emitiu dois relatórios negando as alegações de quaisquer actividades com armas químicas. Este é uma questão que foi levantada pelo embaixador da Síria, al-Ja'afari, na reunião do Conselho de Segurança da ONU no 14 de Abril, sublinhando que a OPAQ “entregou à Síria um documento oficial confirmando que o centro de Barzeh não era usado para nenhum tipo de actividade química” que desrespeitasse as obrigações da Síria para com a OPAQ.

 

Bombardeamentos baseados em alegações da al-Qaeda e do Jaish al-Islam

Os pretextos para os ilegais bombardeamentos dos EUA e aliados contra a Síria são fracos e imorais. Não há prova alguma que apoie as alegações de que a Síria tenha usado produtos químicos em Douma. Numerosos analistas apontaram o óbvio: que a Síria não teria nada a ganhar com o uso de armas químicas. Mas os EUA, Israel e aliados, estes sim, beneficiariam com os encenados ataques .
 
O site Moon of Alabama destacou as discrepâncias nos vídeos transmitidos nas redes sociais e apresentados como “prova” da culpabilidade da Síria. Por exemplo:

O "tratamento" realizado pelos "rebeldes", com água e bombas anti-asma, não é de todo profissional, e muitos dos "pacientes" parecem não ter problema nenhum. É teatro. O pessoal médico real é visto em segundo plano trabalhando com um verdadeiro paciente”.

 

O Ministério da Defesa da Rússia divulgou entrevistas com dois homens que aparecem na gravação onde se alega ter ocorrido um ataque químico. Um dos homens, Halil Ajij, disse que trabalhava no hospital em questão e que ali trataram pessoas por envenenamento com fumo, afirmando que: "Nós tratámo-los com base na sua sufocação" e que "Não vimos nenhum paciente com sintomas de envenenamento por armas químicas ”.

 

Numa entrevista à Sky News, do dia 14 de Abril, o ex-embaixador britânico na Síria, Peter Ford, argumentou que o nível mais baixo no jogo de acusações é o de se permitir que inspecções ocorram de verdade.

estágio mais elementar do jogo de acusações é permitir que a inspecção real ocorra.

A prova de que armas químicas foram usadas é inexistente. Deixem os inspectores entrar e, possivelmente, dentro de dias teremos um veredicto. Só que o júri ainda lá não está. Estou totalmente confiante de que os inspectores não produzirão a mais minúscula prova que corrobore as afirmações dos americanos. Se os americanos tivessem provas, já as teriam mostrado. O que eles e a Sra. May estão dizendo é apenas 'acredite em nós, confie em nós'. Desta vez, nem há sequer um dossiê duvidoso."

 

Israel e os EUA são quem ganha com estes ataques... e são culpados de uso do uso de armas químicas

Enquanto o mundo fica de olhos vidrados por obra de jornalistas de media corporativos leitores de guiões de armas químicas, pouca atenção é dada ao israelita massacre e mutilação de protestantes palestinianos desarmados, assassinatos premeditados que voltaram no dia 30 de Março, quando pelo menos 17 palestinianos desarmados foram mortos enquanto realizavam protestos no leste de Gaza. Os assassinatos israelitas desses jovens, homens e mulheres desarmados resultou apenas numa simbólica reprimenda da ONU, e rotulados de "confrontos" pelos servis media corporativos. Israel escapa impunemente dos assassinatos cometidos, enquanto o olhar mundial é desviado para outro lado.

 

De acordo com o secretário Mattis, o ilegal ataque liderado pelos EUA contra a Síria "demonstra a determinação internacional para evitar que armas químicas sejam usadas contra qualquer pessoa em qualquer circunstância em desrespeito do direito internacional".

 

A ironia? Simples, tanto os EUA como o seu grande aliado Israel usaram armas químicas contra civis. Os EUA atacaram civis no Vietname e no Iraque com armas químicas, para citar apenas dois países.

 

Em 2009, eu vivia em Gaza e andava documentando os crimes de guerra de Israel quando Israel bombardeou civis em toda a Faixa de Gaza com fósforo branco. Estes eram civis que não tinham para onde correr ou se esconder, incluindo civis que haviam fugido de suas casas e se abrigado numa escola reconhecida pela ONU. Eu mesmo documentei numerosos exemplos do uso de fósforo branco em Israel.

 

Se isto não deixa indignados os cidadãos norte-americanos, os milhares de milhões de dólares dos contribuintes norte-americanos enviados para Israel e gastos no bombardeamento de nações soberanas, e não nos empobrecidos e inacessíveis serviços de saúde dos EUA, deveria os indignar.

 

No entanto, como salientou o autor Jonathan Cook, a questão não é apenas as ameaças de Trump à Síria:

Há apoio bipartidário a esta loucura. Hillary Clinton e a liderança democrata nos EUA, e grande parte da bancada do Partido Trabalhista no parlamento do Reino Unido, apoiam completamente estas acções. Aliás, estão incitando Trump a lançar ataques ”.

 

Ao não atacar as forças russas na Síria desta vez, os EUA evitaram um confronto militar directo com a Rússia, que teria ramificações globais, para dizer o mínimo.

 

A questão agora é: será que a aliança de mudanças de regime será estúpida e cruel o suficiente para apoiar mais um ataque químico de bandeira falsa nos seus intermináveis esforços de depor o presidente sírio, ou desistirão do jogo e permitirão o retorno total da paz à Síria? Os EUA e seus aliados reivindicam sua preocupação pelos civis sírios, mas fazem tudo ao seu alcance para garantir que os civis sofram com terrorismo e com sanções.

 

Eva Bartlett, 15.04.2018

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: Caught in a lie, US & allies bomb Syria the night before international inspectors arrive

 

 

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O trio do terrorismo internacional (2/2), por Luís Garcia

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Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE  

 

AVISO

 

Parte 2/2

 

Esta 2ª parte contém imenso material para ruminar, para quem tiver o cérebro no lugar, descontaminado, e não andar metido em blue pills

 

Por que raio haveria Assad de fazer tal ataque químico:

 

 

Coisa que escapou à putaria jornalística tuga: Em consequência dos falsos ataques químicos:

 

Armas químicas, reais, de fabrico alemão, encontradas em Guta, usadas pelos coitadinhos dos "rebeldes" terroristas? Epá isso não, que morreu Salazar mas a PIDE continua:

 

 

E se forem armas químicas inglesas, em Guta? Será que passa no filtro? Pois claro que não:

 

 

E a evacuação de terroristas e suas famílias para fora de Guta? Uí, nem pensar! Estragava-se logo o guião!

 

E imagens em vídeo da libertação dos primeiros civis vítimas dos "rebeldes" terroristas de Douma (Guta):

 

 

E um norte-americano que deu tanta barraca juntando-se à choradeira pós-eleitoral anti-Trump mas que, ainda assim, consegue perceber por que razão está estória de armas químicas não tem pés nem cabeça:

 

 

E se essas putas jornalísticas tugas fizessem de facto jornalismo, como faz a RT:

 

Foda-se, até o nosso querido Tucker Carlson, hehehe, da FoxNews, já não engole esta estória patética de armas químicas de Assad:

 

 

 

 

 

E um ex-militar dos EUA dizendo verdades fodidas que ninguém quer ouvir? Não?

 

 

 Aprendam com Anissa Naouai suas alforrecas terroristas da RTP e companhia:

 

 

E com George Galloway:

 

 

E aprendam o que é discurso lógico e pensamento racional. Peçam ajuda a estes jornalistas russos:

 

E expliquem-me alforrecas jornalísticas tugas, que parte é que ainda não perceberam da estupidamente óbvia verdade: não só as FSA são um conjunto de organizações terroristas, como já foram apanhados, vezes sem contas, encenando falsos ataques químicos! O problema é que esta cambada de alforrecas e zombies e merda falante que se diz "jornalista" em Portugal não faz a puta ideia do que se passa na Síria porque não quer. Porque não investigam, não lêem, não analisam, não fazem um caralho. Se fizessem, encontrariam isto:

 

 

E encontrariam o trabalho de Vanessa Beeley que se encontra neste momento em Guta e que desmonta com provas toda esta palhaçada de armas químicas, assim como denúncia todo o propositado silêncio das putas jornalísticas ocidentais acerca das reais armas química dos "rebeldes" terroristas apoiados por putices humanitárias como a Amnistia Internacional!

 

E se deixassem as drogas e as blue pills, teriam de beijar os pés a Lee Camp por fazer o que 1 milhão de putas jornalísticas ocidentais juntas não conseguem nem querem fazer:

 

 

 

 

Ou a Peter Lavelle que, mesmo sendo conservador de direita, é honesto e coerente o suficiente para pedir e querer procurar e expor a verdade sobre o que quer que seja:

 

 

Ou como o destemido Andre Vltchek que se queixa com toda a razão da "arrogância da ignorância" dos meios de comunicação corporativos ocidentais:

 

Se as putas jornalísticas dos media mainstream não vendessem o cu de manhã à noite, poderiam fazer o mesmo que estes honestos jornalistas norte-americanos:

 

 

E poderiam analisar o que disse o senhor James Norman Mattis, Secretário da Defesa dos EUA: "Não há provas sobre um ataque químico sírio, mas eu acredito que houve um...". Isto dito pelo mesmo senhor que assegurou que até hoje o governo dos EUA não obteve provas nenhumas sobre a outra farsa de ataque químico de Khan Shaykhun (4 de Abril de 2017). Pois, como sempre. Não houve, não têm provas, mas não deixaram de bombardear a Síria 2 dias depois (6 de Abril de 2017) de forma absolutamente ilegal e criminosa!

 

 

E poderiam utilizar o cérebro (se tivessem um) para comparar as mentiras de armas de destruição massiva que Saddam NÃO tinha, com o ataque químico que NÃO aconteceu em Guta. Mas nada. E na falta de jornalistas fazendo jornalismo, sobra-nos pessoas sérias como o senhor Sacha Llorenti, embaixador da Bolívia na ONU:

 

 

 

Pelo menos na altura vimos protestos de milhões em Londres, Paris, Washington e por esse mundo fora, contra a invasão do Iraque baseada em mentiras. Hoje, quase ninguém faz caso e, os poucos que fazem, têm a lata de fazer protestos anti-Assad ou pró-FSA ou pró-invasão ocidental da Síria. E fazem-no nessas mesmas cidades de Londres e Paris e o raio que os parta!

 

E, voltando às alforrecas jornalísticas, poderiam transmitir os festejos de civis de Damasco celebrando o fim do terror nos subúrbios (Guta) da sua capital. Só que não apetece, e não encaixa na mentirosa e orwelliana narrativa oficial:

 

E poderiam relembrar os consumidores de "jornalismo" de que a credibilidade das suas "fontes de informação" (terroristas) é, há muito tempo, igual a ZERO:

 

 

E poderiam noticiar a captura de mercenários ingleses aquando da reconquista de Douma, ao mesmo tempo que se inventava essa treta de ataque químico de Douma:

 

 

Enfim, o melhor seria, caras alforrecas jornalísticas tugas, removerem os blocos de cimento que têm no interior dos vossos crânios, e substitui-los por cérebros. Poderia ser que por fim pudessem fazer um pouquinho de jornalismo de verdade... Assim, uns 0,5% do que faz Gazdiev, já não era nada mau para a patética realidade jornalística tuga:

 

 

Poderia ser que então, quem sabe, noticiassem o facto de que esses ilegais e criminosos ataques aéreos do RU, dos EUA e da França tenham atingido o aeroporto internacional de Damasco e centros de investigação que nada têm a ver com o assunto:

 

 

Bom, os terroristas governantes desses 3 estados dizem o contrário, que não se tratavam de centros de investigação mas sim depósitos de armas químicas (que a Síria não tem desde 2014)! Ah, bom, depósitos de armas químicas em zonas urbanas em torno de Damasco onde vivem 8 milhões de pessoas! Excelente ideia! Felizmente, esses cães do Trump e do Macron e a cadela da Theresa May mentem com todos os dentes que têm, caso contrário agora haveríamos de ter muitos milhares de civis de Damasco asfixiando com os supostos químicos libertados com esses trogloditas bombardeamentos! Porque não, não se bombardeia depósitos de armas químicas, nem num deserto, muito menos numa zona urbana habitada por milhões! E a malta que engole está palhaçada toda, acha mesmo que merece o ar que respira? Puta que pariu de ovelhada lobotimizada...

 

Essas alforrecas jornalísticas, se tivessem cérebro e escrúpulos, teriam de noticiar os testemunhos de médicos sírios de Douma que garantem não ter recebido nenhuma vítima de ataques químicos:

 

 

E deveriam ter passado em horário nobre o discurso do General Wesley Clark das forças armadas norte-americonas, quer na altura (2007), quer agora, e comparar a sua "premonição" baseada em documentos oficiais do Pentágono sobre a invasão de 7 países do Médio Oriente (incluindo Líbia e Síria) com a realidade real que encaixa quase na perfeição com essa "premonição"!

 

 

E, em vez de noticiarem mentiras sobre ataques químicos que NÃO aconteceram contra "rebeldes" que não o são, poderiam ter noticiado milhares de grotescos crimes desses "rebeldes" terroristas que aconteceram de facto, como o massacre de mais de 100 crianças que saiam de Foua e Kafraia rumo a Aleppo libertada:

 

 

E poderiam republicar e dar a conhecer o trabalho de verdadeiro e honesto jornalismo que Eva Bartlett produz, inclusive sobre esta treta de ataque químico que não aconteceu em Douma:

 

E se noticiassem a por demais escandalosa recém descoberta realizada nessa mesma Douma? Querem ver o que é? Eis:

 

 

 

Viu bem caro leitor, a imponência desta obra de engenharia por debaixo de Douma, supostamente criada por uns barbudos fundamentalistas carregados de drogas nas veias!?! Túneis deste tamanho, com esta qualidade? Anda há dias as SAA haviam encontrado também uma daquelas máquinas gigantes usadas para escavar túneis. Há poucas do género neste planeta. Poucas empresas têm. São bicharocos gigantes que não se transporta nem no bolso nem de helicóptero. E não é um troglodita qualquer que conseguir pôr uma máquina destas a funcionar! E mesmo a infra-estrutura em cimento criada no túnel escavado por uma dessas máquinas. Quem projectou esta obra de engenharia? Que engenheiros trabalharam nela? De onde vieram? Por onde passaram? Quem pagou tudo isto, uns trogloditas "rebeldes" terroristas? Mas alguém engolia um disparate desses? Claro que não, por isso a PIDE dos dias de hoje não deixa passar estar imagens e estes vídeos na TV, ora essa! Nem falar da companhia Lafarge, a mega corporação francesa de cimento que construiu boa parte das infra-estruturas do Estado Islâmico na Síria, e que não me admirava nada que daqui a uns tempos venhamos a descobrir que esteja também por detrás da construção destes túneis! Sim, a realidade supera a ficção, pena que só passe ficção e não realidade nas nossas prostituídas e vendidas TV's!

 

Pois sim, só ficção, mas não estou a falar de filmes e séries gringas. Não, estou a falar dos jornais da uma, dos jornais da noite e dos restantes programas de "informação" que, quando o assunto é Síria, ora citam a organização terrorista White Helmets, ora citam o trafulha que, sozinho, em Conventry (RU), é apresentado com o pomposo nome de "Observatório Sírio dos Direitos Humanos" (OSDH).

 

E mesmo esse (OSDH) agora diz que não houve ataque químico em Douma. Que chatice. A RTP passa a vida a citar esta trafulhice do (OSDH) e, desta vez, quando excepcionalmente diz a verdade, a RTP não o cita! Hehehehehe, "e o burro são eu?"  Que cambada de conscientes mafiosos aldrabões esses não-jornalistas da RTP!

 

Enfim, morte ao não-jornalismo tuga e companhia!

 

Enquanto não morrem e continuam mentindo sobre a Síria, a verdade continua acontecendo, pois a verdade é realidade, a realidade real. E na realidade real, as forças sírias, com a ajuda dos seus aliados, continuam limpando os últimos resquícios de "rebeldes" terroristas das FSA e terroristas do ISIS em território sírio. Um dia depois dos criminosos ataques do trio terrorista, a Síria recomeçou as manobras e avanços militares no sul de Damasco (Campos de Yarmuk) e na região de Homs. 

 

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Viva a Síria!

Luís Garcia, 17.04.2018, La Quinta, Tenerife, Espanha

 

 

 

 

 

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O trio do terrorismo internacional (1/2), por Luís Garcia

 

 

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Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE  

 

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Parte 1/2

 

Aeroporto Internacional de Damasco destruído, várias bases militares destruídas, centros de investigação científica destruídos, por obra e graça dos 3 maiores estados terroristas deste planeta: EUA, Reino Unido e França. E porquê? Supostamente em resposta ilegal, absurda e tresloucada à acusação de uso de armas químicas pelas forças sírias (que não têm armas químicas desde 2014) contra um dos maior bárbaros grupos terroristas presentes na Síria (Jaish al-Islam, patrocinado pela Arábia Saudita) comprovadamente possuidor de armas químicas.
 
Têm e utilizaram vezes sem conta, e as provas existem. Vanessa Beeley ainda há dias, na recente libertada Guta, fotografou e filmou as fábricas de armas químicas desses rebeldes terroristas, e os químicos, e os roquetes adaptados para o efeito. Nada na TV, Nada nos media merdosos ocidentais, zombies de merda vendidos e prostituídos!
 
 
Agora, destruir bases militares das forças sírias que têm, de forma improvável, limpado o país do terrorismo apoiado pela bárbara Europa, pelos bárbaros EUA e pelos bárbaros estados do Golfo? Uiii, isso tá quieto. Pelo contrário, essas putas do DN no passado dia 11 até meteram em primeira página e a cores que "Síria: Só um grande ataque americano pode travar vitória de Assad". Há sim, por que ordem de razões suas lesmas mentais? E por que razão o presidente eleito não deveria ganhar? Deveria ganhar quem, esses norte-americonas que ocupam ilegalmente 1/5 do território? Ou esses cães ingleses e franceses, que também lá têm ilegais bases militares no nordeste da Síria? E para quê? Para vermos mais mercenários ingleses da NATO depois serem capturados pelas forças locais, como vimos há dias em Guta? Puta que pariu de lesmas mentais!
 
 

vergonhosa capa do DN

 
Então, e a Rússia e a China? A Rússia não prometia abater os mísseis dos estados ocidentais terroristas? E atacar os navios de guerra ou submarinos de onde partissem? E a China, que dia antes havia redireccionado a sua frota do Mediterrâneo para a costa síria, não disse que apoiaria a Rússia no caso de haver uma agressão norte-americona e seus patéticos aliadinhos terroristas? Então?
 
 
Não, os sírios abateram o que puderam, e o que não puderam caiu em solo sírio e provocou grande destruição! Era só bluff para ver se convenciam os americães e seus tristes vassalinhos a mudar de ideias. A ideia era boa, mas esses merdosos zombies suícidas atacaram na mesma. E destroiem bases militares vitais no combate ao terrorismo. e matam sírios, aí está, foda-se, matam sírios de forma ilegal e criminosa! De forma gratuita! Terror gratuito, terrorismo ocidental, sim, irra, cambada de ovelhas amestradas, sim, terrorismo ocidental, terrorismo francês, terrorismo ingleses, terrorismo norte-americona.
 
E se se matar russos e iranianos, não há problema. Pelo contrário, é motivo de festa! A puta da Nikki Haley a dias dizia na ONU que a Rússia está a precisar de levar umas palmadas... muito diplomática esta puta-embaixadora dos EUA no circo da ONU.
 
E os russos, que disseram o que disseram na esperança de evitar este inqualificável crime de 3 estados ocidentais terroristas, por que raio não passaram das palavras à acção? Enough is enough, não? Sim e não. Claro que já chega, foda-se, 7 anos de guerra procuração dos estados terroristas ocidentais contra Síria, salpicada de vez em quando de ataques directos (6 de Setembro de 2016, 6 de Abril de 2017, 17 Junho 2017, etc). Chega e deveria acabar. Mas é aqui que as infinitamente diminutas cabecinhas das ovelhas norte-americonas europeias entram em curto-circuito. Ao contrário do que querem parvamente acreditar estas alforrecas, a Rússia não é imperialista, a Rússia não é agressiva e a Rússia não busca apocalípticos conflitos mundiais. Não, foda-se! Evita-os, e têm os evitado vezes sem conta nos últimos 3 anos durante os quais a maior parte das ovelhas ocidentais andaram a comer merda e assistir a vómitos televisivos equivalentes ao vómito televisivo chamado CMTV.
 
A Rússia podia e tinha condições mais do que suficientes para infligir danos irreparáveis às terroristas forças marítimas terroristas ocidentais, mas não sem despoletar um armagedão nuclear. E por isso ficou quieta. É o que digo, se por um lado ameaçaram, tentando convencer os suicidas, criminosos e imperialistas agressor ocidentais a não agredir desta vez, por outro, não poderiam por em prática as suas ameaças. E foi a essa conclusão que chegaram, uma vez mais, os cães de guerra dos EUA e seus tristes vassalinhos.
 
Os suicidas aqui são os  EUA, o Reino Unido e a França, os três estarolas terroristas. Os suicidas avançaram com o plano suicida, enquanto que os sensatos não russos não reagiram, porque são sensatos! Irra! Qual é a dúvida! Porque sabiam que reagir seria igual, sem dúvida nenhuma, a um armagedão nuclear. Já tinha dito e insisto que esta situação totalmente absurda e artificialmente criada era bem pior que a crise dos mísseis de Cuba. E foi. Desta vez, o norte-americona Império da Barbárie e do Caos agiu militarmente, ao contrário do caso dos mísseis de Cuba. A Rússia é que não! Que me venham agora falar mal da Rússia, levam um murro nos cornos, figurado ou não!
 
Esses infinitamente terrorista, bárbaro e ilegal estado sionista (aka Israel, para as ovelhas) ainda há 2 semanas massacrou impunemente palestinianos. Há 2 dias voltaram a fazê-lo. Matam e ferem, em Gaza, centenas de palestinianos armados de bandeiras e cânticos pela liberdade, usando para o efeito armas de torres de vigia controladas à distância, e snipers instalados bem longe da vedação. Essas putas jornalísticas chamam isto de "confrontos" por que as provas são por demais abundantes. Se não fossem abundantes, tinham ficado calados. O problema é que não houve sequer a porra de um "confronto"! Civis desarmados abatidos de longe por armas controladas à distância ou por snipers chama-se, puta que pariu, MASSACRE, e não "confrontos". Esses cães israelitas não hesitaram em publicar no Twitter do Ministério do Terrorismo Israelita (da Defesa, para as ovelhas) que tudo havia corrido como previsto e o alvo de cada bala bem conhecido. Nem mentem, nem escondem, que vergonha, vejam a puta de sensação de impunidade que sentem esses terroristas israelitas! Pior, soldados das Forças Terroristas Israelitas publicaram, na interneT, vídeos nos quais os podemos ver festejando e divertindo-se com o triste espectáculo por eles próprios criados: chacina de civis desarmados, alguns deles nem sequer protestando, apenas trabalhando nos seus campos agrícolas. 
 
Então, e esses filhos da puta de ingleses, franceses e norte-americães? Então? Onde está o ataque militar em resposta ao COMPROVADÍSSIMO crime sionista? Ahhhh, não, criminosos e ilegais ataques só mesmo contra o vazio! Contra reais massacres de civis indefesos, nem pensar! Ah, filhos da puta, ok, tá percebido. Demasiado guito de agiotas de nariz comprido entrando na algibeira, pois claro. Cabrões!
 
Então esses "imperialistas", "agressivos", "perigosos" russos, por que raio não castigaram militarmente Israel? Provas não faltam! E mandato da ONU não é preciso, pois para EUA, RU e França nunca o é, certo? Mas não, caras ovelhinhas ocidentais, não, precisamente porque a Rússia não é imperial, nem agressiva nem perigoso... Trogloditas ovelhinhas polacas, lituanas, letãs e estónias, em vez de balelas anti-Rússia saindo pelas vossas bocas, aconselho antes um suicídio colectivo. Merda humana não merece viver!
 
Pois é, não só não pode a Rússia castigar e atacar (como deveria) o ilegal e terrorista estado sionista que comete diariamente crimes contra a humanidade, como também não pode defender a Síria de um criminoso, ilegal e terrorista ataque ocidental baseado em menos que vazio. Não, porque senão, a está hora, estaríamos quase todos mortos por esse planeta a fora, e o resto morreria a prazo debaixo de um inverno nuclear. Conclusão fodida, não é?
 
Então e, santa paciência, para que raio um país que passa a vida a ser ameaçado de invasão se utilizar armas químicas, haveria de usar armas químicas em Guta quando já só faltava libertar uma cidade Douma? E os dias de negociações que acabaram por ser bem sucedidas? E o facto de naquele mesmo dia estarem a ser evacuados os familiares dos terroristas "rebeldes" de Guta? E o facto de se encontrarem militares sírios e polícias militares russos dentro de Douma quando teria acontecido o suposto patético ataque químico? E como negar as imagens em directo, nesse dia, da evacuação dessa macacada? E como negar as imagens desse dia da evacuação dos últimos civis (pró-governo) de Ghouta? E como se explica a realização destes terorristas ataques ocidentais no mesmíssimo dia que uma equipa da Organização para a Proibição de Armas Químicas (da ONU) havia chegado a Damasco para, precisamente, dar início às investigações sobre essa fraude mediática de ataque químico? O governo norte-americona disse que era preciso fazê-lo, para dar uma lição à Síria. Mas qual lição qual caralho? Então ataca-se ilegalmente um país para lhe dar uma lição por aquilo que, até prova em contrário, não fez? E essas putas jornalísticas do DN, do Público, da RTP, da SIC, da TVI, da CMTV, comem merda às colheradas? Ou estão todos pensando em alistar-se no ISIS? Força, cambada de merda-humana, ide combater pelos vossos terroristas ideias grandessíssimos filhos de muitas putas!
 
 

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E o Trump, o tal que era, de acordo com as mesmas putas jornalísticas, um boneco nas mãos de Putin, que dizer desse bandido que manda assassinar militares sírios, iranianos e RUSSOS numa chuva de mísseis? E que há semanas atrás permitiu um ataque das ocupantes e coloniais Forças Armadas Terroristas dos EUA contra militares russos e sírios, em Der-ez-Zor, mantando centenas? É ele um pau mandado de Putin? Por que ordem de raciocínio suas lesmas, suas alforrecas? Pela lógica de raciocínio de uma alforreca? Só se for, por isto nem de pós-modernismo patético por ser chamado!
 
Pois é, esse ignorante troglodita abestalhado chamado Trump, que nem sabe sequer se mandou mísseis para a Síria ou para o Iraque, ainda tem a puta da lata de dizer que "por agora é tudo, ja não mandamos mais mísseis"? Por agora? Como assim? Qualquer dia há-de vir mais. Ahhh, pois é! Mais porquê? Por causa de mais encenações patéticas, ou nem suquer por isso. E terei de ver esses conas do DN engasgarem-se de baba regurgitada enquanto se vêm todos histéricos escrevendo, em primeiras páginas, apologias de barbarismo puro? Puta que pariu esta ovelhada toda! 
 
Resolução da ONU? Direito internacional? Inocente até prova em contrário? Necessidade de investigar e recolher provas? Investigação séria e independente? Ou, por outro lado, limpar Israel e Arábia Saudita pelo terror e barbarismo que comprovadamente relaizam de manhã à noite? Ahhh, isso não, só palavras mansas de um tanso coninhas como a do tuginha de serviço na ONU! Secretário geral da macacada, tá bem. Veio dizer que pedia uma investigação independente sobre o massacre de Gaza dias antes, ahahahahah, que riso de desespero! Levou logo de tabela, e um pau judeu pelo cu acima, pois o governo israelita respondeu de imediato, publicamente, oficialmente, avisando que nunca ninguém será autorizado a investigar o que quer que seja em terra da raça superior escolhida por deus! Embrulha, que quem pode manda! E quem costuma baixar as jornalísticas calças sobre Israel, baixou-as de novo, para não variar, pois nenhum media tuginha noticiou que o governo israelita mandou o pançudo mordomo tuga da ONU pró caralho. Nada, censura total.
 
Resoluções e direitos o tanas. E o aviso de que "por agora tudo" significa o que significa. Então se quem bombardeia foi quem inventou esta palhaçada, por que não haveria de inventar mais palhaçadas? O que significa é que a Síria se fodeu, e a Rússia e a China, porque são pró-paz, estão de mãos atadas. Qualquer resposta directa daria em guerra nuclear. Portanto, sim, significa que a Síria esta na merda. Os suicidas ocidentais já perceberam que a Rússia e a China não querem começar nem começarão jamais uma guerra mundial/nuclear. 
 
Esses suicidas arriscaram o suicídio colectivo de um planeta inteiro, para  averiguar se Putin estaria a fazer bluff, e testar a tal red line russa. Ora, não há nada linhas vermelhas russas. Qual quê! Só bluff! Bluff para bem da humanidade, que seja, OK, mas para mal da Síria! E do próximo! E do Próximo! E etc e tal, até que não sobre nada, nem sequer a Rússia ou a China. E é este um grande dilema moral sino-russo: ter ou não ter uma linha vermelha para o imperialismo terrorista de norte-americonas e seus ocidentais vassalinhos.
 
Quando se reduzir a cinzas TODOS os aliados da Rússia, haverão os norte-americonas de querer recomeçar o terrorismo que comprovadamente implementaram nos anos 90 na Rússia, nessas absurdas Tchétchénias e tal. Dividir (a Rússia) para reinar (no planeta). Pois é, é o tal dilema que enfrenta Putin e companhia. Putin é o mestre do xadrez, mas é a jogar xadrez contra fracos jogadores de xadrez. Mestria em xadrez jogando xadrez com rambos psicopato-suicidas, não, não serve para nada...
 
Portanto claro que sim, sem linhas vermelhas, claro que se hão de foder também os russos. E antes deles a Venezuela, completamente na merda. Veja-se o que se passa na ilhota de Curaçau (território do vassalinho do país dos moinhos). Um porta-aviões, pazadas de veículos anfíbios, submarinos, etc e tal, material suficiente para invadir um continente inteiro, ali estacionado desde há 13 anos à espera de ordens para invadirem a Venezuela. Ui, não! Não sou eu quem o diz, é o Pentágono, ora essa! E ja escolheram há anos o ponto de entrada! Onde? Olhe para o mapa da Venezuela, lado esquerdo, um lago enorme, onde se encontram enterrados 300 mil milhões de barris de petróleo...
 
Os EUA passam a vida ameaçando invadir a Venezuela, sobretudo desde que essa puta do Obama embirrou de vez com Maduro. A Rússia, por várias vezes, tem dito que defenderia a Venezuela em caso de invasão gringa. Só que não. Idem-aspas para a Síria e foi o que foi, certo?
 
Os EUA, numa tresloucada e suicida aventura, experimentaram o red line russo. Correu "bem". Agora venha a Venezuela, e o Irão, e a Coreia do Norte (ou não, afinal a diferença entre a espezinhada Líbia e a destemida Coreia do Norte é a posse de armas nucleares, pois é).
 
Talvez se "safem" os norte-coreanos com mísseis nucleares apontados à Coreia do Sul, Japão e bases gringas. Não morrerão sozinhos sob o fogo nuclear. E os iranianos que ganhem juízo metam-se a fazer ogivas nucleares antes que seja tarde demais.
 
Até porque com ou sem programa nuclear pacífico (nada a ver com armas nucleares), o cabrão do Trump não respeita os acordos que o seu próprio país assinou com o Irão para por fim ao seu próprio ilegal e criminoso bullying económico na forma de embargos e sanções! Palavra de norte-americona vale merda. 
 
E até porque a Arábia Saudita já começou o seu próprio programa nuclear, com a ajuda de gringos e putas amestradas de sua majestade. Enfim, tá tudo doido. Força, ogivas nucleares nas mão de trogloditas sauditas, a cereja nuclear no topo do bárbaro bolo. Boa, perfeito!
 
A sério, rebentar uma quantidade de bases militares, aeroporto internacional de Damasco e centros de investigação cientifica (não basta já os 7 anos de guerra de procuração e o genocida embargo da UE)... ahhhh, venham me falar de "ocidente civilizado", que eu vos falo de pilas chinesas que cantam e tocam violino de olhos fechados. Destruir infra-estrutura civil com civis dentro, em reposta (ilegal) a um ataque químico que NÃO aconteceu? E as focas jornalísticas ocidentais todas a bater as palmas? A sério?
 
Então mas a razão a continuação da ilegalíssima ocupação gringo-gauleso-britânica do nordeste da Síria não é "justificada" com a necessidade de destruir o ISIS? Hehehe, e destroem bases militares de quem combate o ISIS? E a destruição é feita pelos mesmo que são a força aérea do ISIS e que estão por detrás do guito e das razões que levaram á criação do ISIS? "E o burro sou eu?" Foda-se, bem pelo contrário, o que ainda sobra de ISIS na Síria é por terrorista teimosia gringa! O que sobra do ISIS ataca constantemente as forças sírias, russas e iranianas, entre Der-ez-Zor e Abu Kamal, junto ao rio Eufrates. E aqueles não podem reagir pois, o colonizador Império do Caos e da Guerra, que ocupa ilegalmente o lado leste do rio Eufrates, não só não acaba com o que resta do ISIS, como ataca de forma sistemática todo e qualquer russo, sírio ou iraniano que tente fazê-lo? O leitor não sabe? Não saber não é sinónimo de não ocorrência daquilo que acabei de dizer. É sinónimo de ignorância, nada mais. Provas não faltam.
 
Pior, depois do ataque, assistindo a media norte-americonas e a discursos de cavaleiros do apocalipse fo governo gringo, apercebi-me que macacada como Trump, Mattis ou Halley não têm um pingo de vergonha, e afirmam que estes ataques tinham e têm de acontecer para que se acabe com a linha de armas iranianas para o Ézbola na Líbano (passando pela Síria). Ah é? Então, ora essa, não era antes para dar uma lição a Assad pelo ataque químico que não realizou? Ahhhh, deixem me rir, de desespero...
 
Mais, dizem também que têm de acabar as bases iranianas (legalíssimas e centenas de vezes menos numerosos que as gringas no mundo inteiro) na Síria, por representarem um perigo para Israel! Ora caralho! Então não tinham dito que as atacavam devido ao ataque químico que não aconteceu? Que caralho tem a ver o estado terrorista sionista com o assunto? Desculpas de mau pagador às pazadas, mazé! Foda-se, perigo é o estado sionista para a Síria e para o resto do planeta! Essa merda chamada Israel atacou mais de 100 vezes a Síria, nos últimos 3 anos, apoiando directa e coordenadamente o ISIS contra as forças sírias! E dá-lhes assistência hospitalar comprovada. Dos 2 pedaços de ISIS que sobram na Síria, um faz fronteira com a ocupação gringa lá do outro lado do Eufrates, O outro pedaço faz fronteira com Israel? Então? E Israel que vezes sem conta atacou directamente as forças armadas da Síria NA SÍRIA, por que raio nunca atacou o ISIS NA SÍRIA que lhe faz fronteira? "E o burro sou eu?"
 
E faz fronteira o tanas, faz fronteira com os montes Golã que Israel roubou à Síria há quase 40 anos, e que ainda ocupa ilegalmente! Foda-se, e vêm me dizer  que iranianos na Síria são um perigo para Israel? Não será óbvia e precisamente ao contrário? E quê? Os EUA têm mais de 800 bases militares por esse mundo fora, e o Irão não pode ter LEGALMENTE, foda-se, LEGALMENTE bases iranianas na Síria? Mas esta "legalidade internacional" foi toda inventada pelo Ocidente! E é precisamente este ocidente que caga, mija e vomita por cima dessa legalidade que inventou! E ou burro sou eu?
 
Enfim. Essa Theresa May, era queimá-la viva e depois pendurá-la aos ponteiros do Big Ben. Esse pita-histérica do Macron era atá-lo a um dos próximos mísseis das Forças Terroristas Francesas que cairão ilegal e criminosamente na Síria. O Trump deixai-o estar, já é castigo suficiente ser si próprio. Vómitos da humanidade...
 
E quanto aos nossos prostituídos media e organizações "humanitárias", epá, parabéns pessoal! Epá, viva o humanismo! Parabéns! Humanismo de pôr um país a arder e festejar o feito! E matar gente aos montes, ilegalmente, sem apoio da ONU. Sim, e depois os russos é que são imperialistas expansionistas perigosos, pois claro! Continuai a vomitar tretas russofóbicas, força! Esses trongamongas polacos e esses totós dos países bálticos até se vêm todos! Tadinhos!
 
Que mais precisa, este podre orwelliano ocidente, foda-se, qual é a dúvida ainda? Sim terroristas são os nossos estados e mais ninguém! Mandar lei internacional pró carlaho, baseados numa trafulhice que não aconteceu num sítio no qual já nem podia sequer acontecer pois no lugar dos terroristas do Jaish al-Islam já tinha policia militar russa! Irra, tanta paralisia mental neste podre ocidente alimentado às pazadas de blue pills! Sim sim, no lugar do Jaish al-Islam? E quê, agora somos todos espalhafatosamente pró-terrorismo extremista? Tão bons são esses rapazes que as negociações para a sua evacuação de Douma atrasaram-se pois nem os os grupos terroristas de Idlib os queriam lá receber! Mas nas conices mediáticas ocidentais, aquilo é só bons rapazecos "moderados", "rebeldinhos", "lutando pela liberdade"! Ahhhh, já nem tenho palavras para tanto absurdo!
 
E a putinha da Nikki Haley, viram o que andou a dizer? Jazuz credo nossesenhor! Ora cum caralho, agora diz que houve uma investigação dos EUA que concluiu ter havido ataque químico em Douma. E que houve uma investigação do Reino Unido que concluiu ter havido ataque químico em Douma. E que houve uma investigação da França que concluiu ter havido ataque químico em Douma. E que, 3 investigações, independentes, chegando ao mesmo resultado, é porque houve mesmo ataque químico! Jazuz credo! Ma qué qué isso! Nem Lacan, nem Focault, nem Baudrillard levariam não-argumentação ilógica a tão profundos pós-modernos abismos! Mas quais investigações, quais minha grandessíssima puta, quais? Onde? Quando? Por quem? Como lá chegaram? O que fizeram? Com quem? Com quê? Nada, foda-se, nada, nadinha. Esta gente mete uma alforreca no lugar de Embaixadora dos EUA na ONU inventando barbaridades sem nexo, por demais patéticas... e os "jornalistas" desta bola de pedra azul reagem todos com um "mééééééé´"!?!
 
Então mas zero cidadãos desses 3 estado terroristas entraram na Síria? E muito menos se aproximaram de Douma! Os russos, que lá estão, convidaram-nos para virem investigar com garantia de segurança oferecida pelos russos... e a proposta foi recusada!!! E mais, essa alforreca da Nikki Haley, diz que os investigadores recolheram amostras de sangue e urina? Mas onde, foda-se, onde? Só se essa puta tá com o período e sofre de incontinência urinária, porque de Douma não vieram essas amostras, com certeza! Mas está alforreca do demónio anda a misturar blue pills com LSD ou quê?
 
Olhem, quero fugir prá ilha! Não dá mais!
 

Leiam isto, onde tudo é dito e bem dito sobre o assunto, sem caralhada, pois eu já não tenho paciência:

 

Luís Garcia, 17.04.2018, La Quinta, Tenerife, Espanha

 

 

 

 
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"Questionáveis" partilhas da AI Porto (EXTRA), por Luís Garcia

 Questionáveis partilhas da AI Porto  2

 

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE  

 

O início da incoerência da AI Porto

Há dias comentei uma questionável partilha da AI Porto com hiperligações de artigos meus onde se questiona e muito a pró-terrorista AI (ler "Questionáveis" partilhas da AI Porto). A AI Porto, em vez de acordar os olhos para a realidade, lendo os meus artigos sobre a pró-terrorista AI e lendo o meu artigo anterior sobre as patéticas incoerências da AI Porto... não, prefere enterrar a cabeça na areia, não me respondendo a uma série de questões e convites que lhes fiz. 

 

Aqui ficam os printscreens relativos ao meu comentário original:

 

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Amnistia Internacional: calar-se ou bloquear, eis a questão

UMA SÓ resposta da AI Porto recebi eu por mensagem privada, na qual se pode constatar os incríveis níveis de ignorância, de arrogância da ignorância (porque quem não sabe do que fala deveria ficar calado) e de pós-moderna incoerência. Diz-me Virgínia Silva (a pessoa que me respondeu em nome da AI Porto) que, por exemplo:

Hoje em dia, infelizmente, qualquer pessoas pode espalhar mentiras ou verdades devido à imensa força das redes sociais, por isso, mais do que nunca, é necessário averiguar e investigar a veracidade da informação e das fontes.

 

Ora nem mais! E por isso, fique quieta em fez de partilhar a disparatada colecção de mentira contida no artigo do expresso (ler aqui)! Pare, dona Virgínia Silva,  de espalhar mentiras! Pare, AI Porto, de espalhar mentiras! Ponham-se, dona Virgínia Silva e sua vergonhosa AI Porto,  a "averiguar e investigar a veracidade da informação e das fontes". Se o fizessem (partindo do princípio que são honestos humanistas), sentiriam uma infinita vergonha pela partilha que fizeram do artigo do Expresso! Por essa partilha e por muitas outras vergonhosas presentes no mural da página facebook da AI Porto!

 

Por isso e muito mais, pois claro, não pude de deixar de reagir, voltando a contactar a AI Porto por mensagem privada. Como passaram uns dias, e como sei que as mensagens foram vistas à dias (lidas do outro lado em simultâneo, enquanto eu escrevia), já deu para perceber que, perante a minha argumentação, a AI Porto não sabe o que dizer nem que fazer, e perdeu o pio.

 

 

Incrível, pois não só de indesmontáveis argumentos e factos tratavam as minhas mensagens. Mais, e bem melhor, nessas mensagens inclui um convite à AI Porto. Segundo o convite que lhes fiz, eu próprio escreveria um artigo aqui neste site pedindo desculpas à AI e à AI Porto se e só se: 

  1. Lessem os meus artigos sobre a AI;
  2. Fizessem uma lista dos erros/mentiras/falsas_acusações/etc que eu possa ter realizado;
  3. Fornecessem as provas que desacreditariam o que eu possa eventualmente ter dito de errado.

 

Nem assim! Irra, nem assim! Não respondem! E quem cala consente! Humanistas este pessoal da AI? Brincamos? Irredimíveis zombies amestrados! Não vêm, não sabem, não querem ver, não querem saber, e têm nojo e raiva de quem vê e saiba ou veja o que quer que seja que contradiga o seu imbecil mantra pró-imperialismo norte-americano. ! E posso me dar por feliz por não me terem ainda bloqueado! Agora responder? Isso não! Não porque, por um lado, não dá como ter razão (falta-lhes as provas e a razão em si), e, por outro, não sonhe o caro leitor com um mea culpa da AI Porto por ter falhado. Por ter mentido! Por ter enganado boa gente! Por ter enganado verdadeiros e honestos humanistas! Por fazer passar terroristas por vítimas e vítimas por terroristas! Nunca, jamais, como bem se pode ver pela reacção que estes vendidos sem escrúpulos tiveram às minhas últimas mensagens: NENHUMA! Enfim, leia a integralidade das mensagens contidas nos printscreens abaixo:

 

Slideshow 1

 

Slideshow 2

 

Como pode ver caro leitor, nem sequer podemos falar, neste caso, de erro inocente, ou erro por descuido. Errar é humano e naturalíssimo mas, ficar calado depois de receber conteúdo que prova ser vergonhosamente mentiroso e humanista o seu próprio "trabalho"... enfim!

 

Se ainda não está convencido da má fé da AI Porto, continuemos com 2 tópicos mais, um sobre uma parvalheira pós-moderna fora de contexto e, por fim, as duas novas partilhas da AI que provam que,não só não leram nem fizeram caso dos meus artigos que lhes envie sobre as mentiras em torno da Síria, como têm o descaramento de continuar com mais mentiras do género depois de terem sido encostados à parede sobre esse exacto assunto!

 

Da informação e sensatez nula, à incoerência e censura total

Isto sim é desconversa pós-moderna à descarada, de uma AI Porto que se diverte com números passados, ao calhas, de moeda ao ar, quando tanto se passa e tem passado nestes últimos dias. Massacres na Palestina, agravamento do massacre saudita no Iémene (apoiado pela AI Portugal), ameaças de um conflito global, criminosa agressão dos EUA, RU e França contra a Síria... Mas não, a AI enfia a mão na sacola, e tira de lá 4 rifas, desembrulha-as, e publica o que lhe saiu nas rifa, desta forma:

 

 

É claro que comentei isto, e não podia deixar de o fazer. O contraste entre a inutilidade fora de contexto desta publicação com estes números velhinhos, e os gravíssimos eventos dos últimos dias ignorados pela AI Porto é infinitamente gritante:

Slideshow 4

 

E claro que lhes mostrei isto:


Síria: Os media ocidentais e a admirável fraudedas "Armas Químicas" em Guta, por Vanessa Beeley

Síria: Os media ocidentais e a admirável fraude das "Armas Químicas" em Guta, por Vanessa Beeley

  

E não podia deixar de acrescentar esta peça de sarcasmo em tom de ofendido:

numeros pos-modernistas copy.jpg

 

Eu a preparar este artigo, e a AI Porto a publicar mais propaganda pró-terrorismo

 

 

 

Até vos explicava, caros manipuladores da verdade membros AI Porto, o que não faz sentido nestas 2 publicações, e inclusive provava com factos e raciocínio lógico a razão pela qual estas 2 publicações vos implicam directamente no apoio ao mais horrendo e inqualificável terrorismo (patrocinado pelo ocidente) que assola a Síria há 7 anos. Mas já deu para perceber que não vos interessa. Aliás, eu agora, depois de publicar este artigo, vou enviá-lo por mensagem privada à AI Porto, certo e segura de que nem sequer lerão o lerão, muito menos virem me exigir as tais provas e o tal raciocínio lógico. Mas vou fazê-lo no próximo artigo, que já estar a ser preparado, relativo ao terrorismo de estado dos EUA, França e Reino Unido que ocorreu há 3 dias atrás na Síria.

 

Ainda assim, para o leitor (e não para os anti-humanistas da AI Porto), deixo aqui um slideshow com as impressões de ecrã dos meus comentários a estas duas publicações. Para que o leitor possa ler o que respondi e o conteúdo que partilhei, assim como constatar o absoluto silêncio da AI Porto quando confrontada com as suas gritantes contradições:

 

Slideshow 4

 

 E também os links para as publicações que partilhei nesses comentários, não vá a AI apagar as suas 2 publicações:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

  

 

 

  

 

Luís Garcia, 15.04.2018, La Quinta, Tenerife, Espanha

 

 

 

 
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Síria: a indústria de direitos humanos na "guerra humanitária" (2/7), por Tim Anderson

capa

 

Tim Anderson  POLITICA SOCIEDADE

 

Parte 2/7

 

1. Direitos humanos como pretexto para a guerra humanitária

A guerra humanitária não é nova. As suas origens remontam ao imperialismo liberal europeu do século XIX. A ênfase teórica do liberalismo no individualismo, num estado não intervencionista e no intercâmbio pacífico, tende a mascarar a sua história colonial. Por exemplo, o liberal inglês John Stuart Mill, famoso pelos seus escritos sobre a liberdade individual, descreveu o colonialismo britânico como "o melhor dos negócios com o qual o capital de um país antigo e rico pode querer se envolver", acrescentando que "as mesmas regras de moralidade internacional não se aplicam entre nações civilizadas e bárbaros" (Sullivan 1983: 601). Para esta versão do liberalismo, "os bárbaros não têm direitos como nação, excepto o direito ao tratamento que os conduzirá a se tornar uma" (Mill 1874: 252-253). Mill acreditava na virtuosidade da intervenção britânica para, por exemplo, "mediar conflitos e interceder por um moderado tratamento dos vencidos" (Mill 1859: 2).

 

Esse legado da "missão civilizadora" foi adoptado pelas tradições norte-americanas de "excepcionalismo", distinto das tradições imperiais europeias e em favor de evangelizadas missões pela "liberdade". Apesar das suas compras do período colonial (por exemplo, Louisiana) e das suas conquistas (por exemplo, México, Cuba), os Estados Unidos da América sempre rejeitaram, de forma consistente, p estatuto de potência imperial. A auto-imagem de um estado excepcional, uma "luz na colina", contínua a ser essencial (Gamble 2012). Isso nos diz que o poder norte-americano coloca maior ênfase no idealismo modernista do que os europeus, os quais muitas vezes ainda defendem os seus legados imperiais. O imperialismo dos EUA, por outro lado, finge não ter legado imperial. Nesse sentido, parece, pelo menos formalmente, ser mais consistente com a estrutura pós-colonial de direito internacional que foi desenvolvida após 1954, por intermédio das Nações Unidas.

 

A propaganda de guerra contemporânea baseia-se, portanto, neste idealismo, ainda que para os mesmos tradicionais fins: enaltecer a missão do agressor e descredibilizar a resistência, sobretudo daqueles que defendem os seus próprios povos e nações. Para tal, [a propaganda de guerra contemporânea] assimila normas contemporâneas e populares de "direitos humanos", subordinando-as à linguagem imperial modernista, de modo que todos os problemas de direitos humanos por resolver sejam "nossos". A delicada questão da autodeterminação de povos e de nações é assim destruída por persistentes narrativas em torno de estados "fracassados" ou estados "frágeis", dos quais os seus povos deve ser resgatados dos seus próprios "ditadores", eleitos ou não.

 

De qualquer, imperialismo é imperialismo. Naquele que veio a ser conhecido como o "Século Americano", e com uma esperança pelo "New American Century" (Pitt 2003) [Novo Século Americano], houve alternância entre uma versão "realista", no qual objectivos e métodos são mais directos, e um versão liberal, onde ocorre a consolidação da ideologia hegemónica. Os tradicionais objectivos de missão civilizadora e de eliminação de concorrência persistem (Fischer-Tiné e Mann 2004; MacKenzie 1986), mas com fases de reivindicação e de legitimação. No contexto contemporâneo, perante uma iminente crise energética e com Washington "perdendo" o Irão para a Revolução Islâmica desse país, apareceu a declaração de uma Washington "liberal" segundo a qual a região do Golfo Pérsico seria central para "os vitais interesses dos Estados Unidos da América" (Carter 1980). E assim se formalizou a reivindicação dos privilégios extra-territoriais dos EUA (praticado nas Américas por mais de um século) na região do Oriente Médio. Após o colapso da União Soviética e a aparente ascensão de um sistema global unilateral, a ideia de um Novo Século Americano começou a focar-se no completo controlo da região do Médio-Oriente rica em recursos. Não se tratava agora do simples controlo sobre campos petrolíferos ou gasodutos em particular, mas da dominação sobre uma região inteira. As alegações de terrorismo e desarmamento unilateral forneceram os pretextos para as "realistas" invasões do Afeganistão e do Iraque. Um "Novo Médio-Oriente" seria então criado por meio de uma "destruição criativa"; uma violência implicitamente sectária (Karon 2006; Nazemroaya 2006). Um general dos EUA declarou que o Pentágono pretenderia assumir o controlo sobre "sete países em cinco anos", começando com o Iraque e a Síria, e terminando com o Irão (Clark 2007).

 

No entanto, a doutrina imperial liberal foi remodelada na década de 90 nos Balcãs, onde alegações de crimes extremos forneceram os pretextos para a NATO se mobilizar e desmantelar a República Federal Socialista da Jugoslávia, apostando no jogo de divisões étnicas (Oberg 2014). As agências de direitos humanos incorporadas aos órgãos de política externa dos EUA começaram então a desempenhar um papel mais importante. A suposta inércia ocidental face às mortes em massa de 1994 no Ruanda ajudou a impulsionar as exigências ocidentais de intervenção. Na verdade, os EUA apoiaram a "mudança de regime" que se seguiu aos massacres do Ruanda (Philpot 2013). Os argumentos de intervenção humanitária reformularam as linhas de debate tradicionais sobre a política externa dos EUA. Em 2000, Holly Burkhalter, ex-directora da Human Rights Watch, argumentou, num "livro branco" em nome do Departamento de Estado dos EUA, que Washington deveria se envolver mais em intervenções militares em áreas "humanitárias", supostamente para evitar crimes de grande envergadura. A sua posição era mais assertiva do que a das Forças Armadas dos EUA, que defendiam uma linha mais cautelosa, ligada aos interesses dos EUA (CFR 2000). A ressurgente ideia de "intervenção humanitária" começou então a corroer a antiga distinção entre "falcões" militaristas e "pombas" diplomáticas.

 

A revolta popular ocidental no momento da invasão do Iraque pelo governo de Bush, em 2003, baseado num óbvio falso pretexto de desarmamento (Hoeffel 2014), levou a que os liberais dos EUA tomassem a iniciativa. Uma maior legitimidade teria de ser incorporada ao projecto do Novo Médio-Oriente. A noção de "smart power" [poder inteligente], para combater a abordagem "realista" mais feia, foi proclamada por Suzanne Nossel, uma funcionária da Human Rights Watch que, mais tarde, trabalhou com Hillary Clinton no Departamento de Estado dos EUA e que, em 2012, tomou a liderança da secção norte-americana da Amnistia Internacional. Num artigo de 2004, esta posicionou-se em favor da reafirmação do "internacionalismo liberal" dos EUA. Washington deveria oferecer uma "liderança assertiva", na tradição do "excepcionalismo", de forma a impulsionar uma série de objectivos mas, "ao contrário dos conservadores, que confiam no poder militar como principal ferramenta de governação, os internacionalistas liberais vêem o comércio, a diplomacia, a ajuda externa e a disseminação dos valores americanos como sendo igualmente importantes ”(Nossel 2004). Esta abordagem multifacetada era consistente com a doutrina de "full-spectrum dominance" [dominação de espectro total] do Pentágono (Garamone 2000), interligando a hegemonia militar às hegemonias económica, política e comunicacional.

 

O Departamento de Estado dos EUA introduziu então a nova doutrina de "responsabilidade de proteger" [responsibility to protect, ou R2P], por intermédio de uma comissão da ONU. A "Comissão Internacional sobre Intervenção e Soberania Estatal", em 2001, apresentou a ideia de "soberania enquanto responsabilidade", focando-se na violência dentro de novos estados ou de estados fracos. O "World Summit" de 2005 declarou que os estados tinham a responsabilidade de prevenir crimes maiores, mas, se fracassassem, a comunidade internacional deveria estar "preparada para tomar acções colectivas (...) através do Conselho de Segurança" (ONU 2005: 138-139). Uma grande parte deste texto foi adoptado pela resolução 1674 do Conselho de Segurança da ONU, no ano seguinte (UNSC 2006). 

 

No entanto, na sua essência, a R2P é uma doutrina imperial que busca normalizar a guerra e reforçar as prerrogativas dos grandes poderes para que possam intervir. Edward Luck argumenta que não há necessariamente uma contradição entre esta doutrina e a soberania de estado. No entanto, este admite que é levantada a questão de que estas ideias de R2P "possam ser usadas por estados poderosos (...) para justificar intervenções coercivas levadas a cabo por outras razões" (Luck 2009: 17). De fato, a R2P não muda o direito internacional, mas atrai uma maior atenção para o Capítulo VII, sobre os poderes de intervenção do Conselho de Segurança. Esta doutrina promove "uma nova norma de direito internacional consuetudinário", (Loiselle 2013: 317-341), sugerindo até uma obrigação de intervir.

 

A primeira experiência com esta norma foi vista na destruição da Líbia pela NATO em 2011, um pequeno país com os mais altos padrões de vida do continente africano. O pretexto neste caso foi o alegado massacres de civis, na sequência de uma insurreição jiadista no leste da Líbia. O britânico The Guardian, um dos principais defensores do conceito de "intervenção humanitária", afirmou que "centenas de civis" haviam sido mortos em "protestos" (Cronogue 2012). A Amnistia Internacional, por sua vez, apoiou as alegações de "assassinatos, desaparecimentos e tortura" (Amnistia 2011: 8). A Amnistia Internacional apoiou a intervenção na Líbia, ao mesmo tempo que fingiu ter uma posição crítica "imparcial" quanto àquele pequeno país e às poderosas forças da NATO. Kovalik observa que a Amnistia Internacional apelou à "acção imediata" da ONU contra Gadafi, e que depois fez algumas advertências contra a NATO, durante o período de bombardeamentos (Kovalik 2012). A tempestade de acusações e de pedidos de intervenção levou rapidamente à resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, que apelava à protecção de civis através da criação de uma "zona de exclusão aérea". Aproveitando-se deste mandato de "protecção de civis", os bombardeiros da NATO intervieram, o governo líbio foi derrubado e Gadafi foi publicamente assassinado. A secretária de Estado [dos EUA], Hillary Clinton, regozijou-se publicamente da morte do presidente [Gadafi] (Daly, 2011). De todas as formas, a NATO ultrapassou, de longe, o mandato criado pelo Conselho de Segurança da ONU.

 

Os falsos pretextos para esta guerra foram imediatamente expostos. Genevieve Garrigos, da Amnistia Internacional (França), admitiu que não havia "provas" que sustentassem as alegações iniciais (da sua organização) de que Gadafi teria usado "mercenários negros" para cometer massacres (Cockburn 2011; Forte 2012; Edwards 2013). O académico norte-americano Alan Kuperman demonstrou que a repressão de Gadafi contra a insurreição islâmica no leste da Líbia foi "muito menos letal" do que havia sido sugerido. De fato, ao contrário da popularizada narrativa ocidental, Gadafi não ameaçou massacrar civis e "absteve-se de violência indiscriminada". Segundo estimativas posteriores, das quase mil vítimas nas primeiras sete semanas, apenas cerca de três por cento eram mulheres e crianças (Kuperman 2015). Foi quando as forças do governo líbio estavam prestes a recuperar o leste do país que a NATO interveio. Mais de dez mil pessoas foram mortas em resultado da intervenção da NATO, e o estado líbio foi desmantelado. "Nenhuma prova ou razão" foi encontrada que apoie a alegação de que Gadafi tenha planeado realizar massacres (Kuperman 2015). O Conselho de Segurança da ONU foi enganado e a confiança depositada na NATO foi traída.

 

Este abuso imediato da R2P na prática, causou desânimo. Dunne e Gelber dizem que a experiência líbia minou a ideia de uma "norma" R2P, com a mudança que a NATO realizou de uma "zona de exclusão aérea" para uma mudança de regime "que traiu" a confiança da ONU e que demonstrou a natureza partidária da intervenção (Dunne e Gelber 2014 : 327-328). Brown concorda, dizendo que a intervenção na Líbia demonstra que a "natureza apolítica" da sugerida responsabilidade de proteger "é uma fraqueza e não uma força". "A suposição de que a política pode ser removida do enquadramento promove a ilusão e, deste modo, convida à desilusão” (Brown 2013: 424-425). A doutrina perdeu o seu brilho intelectual. No entanto, com um governo democrata em Washington e uma incipiente guerra por procuração na Síria, os argumentos da "guerra humanitária" não haviam morrido. Sentindo-se traídos pela experiência na Líbia, a Rússia e a China bloquearam as propostas de "zona de exclusão aérea" para a Síria no Conselho de Segurança. No entanto, mesmo que uma resolução do Conselho de Segurança da ONU não fosse possível, os argumentos "morais" para a intervenção humanitária na Síria já estavam bem encaminhados.

 

Tim Anderson, Janeiro de 2018

1ª PARTE - Sumário

2ª PARTE - 1. Direitos humanos como pretexto para a guerra humanitária

3ª PARTE - 2. Conflitos de interesse normalizados 

4ª PARTE - 3. Vendendo guerras humanitárias: HRW e AI  /  3.1 Human Rights Watch

5ª PARTE - 3.2 Amnistia Internacional

6ª PARTE - 4. Agências encomendadas à medida: "The Syria Campaign" e "The White Helmets"  / Considerações finais

7ª PARTE - Bibliografia

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: Syria: the human rights industry in 'humanitarian war', Tim Anderson

 

 
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A violência israelita contra palestinianos nunca acabará, graças à hipocrisia da ONU e dos EUA, por Eva Bartlett

capa

* foto da internet de uma enorme quantidade de gás sufocante sobre o protesto em Gaza. Mais ignóbil ainda, fotos de desarmados manifestantes palestinianos mutilados e massacrados.

 

Eva Bartlett POLITICA SOCIEDADE 

 

Os EUA aceitam na boa "rebeldes" como os da Al-Qaeda "protestando" na Síria mas, quando genuínos palestinianos desarmados,  protestam contra os ocupantes que violentamente os expulsaram de suas casas e de suas terras, os EUA acusam-nos de "incitação à violência".

 
Durante os protestos pacíficos de 30 de Março no leste de Gaza, um palestiniano desarmado caminhou por terrenos agrícolas na direcção à cerca construída pelos ocupantes. Em poucos minutos, foi baleado por um dos 100 franco-atiradores das forças especiais israelitas posicionados ao longo da cerca, para precisamente aniquilar a dissidência, por qualquer meio necessário, sob o gasto pretexto de "autodefesa".
  

No mesmo dia, uma mulher palestiniana, armada apenas com uma bandeira, caminhava em direcção à cerca que a aprisionou por tantos anos. Foi também alvo de um dos franco-atiradores.

 

Por entre os 17 mortos daquele dia, encontrava-se uma rapariga de 16 anos e um agricultor de 27 anos, este último morto por um tanque israelita. 

 

Até a BBC, que não é propriamente conhecida por noticiar com justiça o que se passa na Palestina, notou que: "O primeiro a morrer foi Omar Samour, de 27 anos, um agricultor palestiniano morto pelos bombardeamentos israelitas enquanto trabalhava na sua terra, na sexta-feira de manhã, perto de Khan Younis, antes dos protestos começarem."

 

No entanto, de acordo com Israel, esse agricultor era um "terrorista infiltrado", terminologia  que Israel usa para branquear os seus assassinatos extrajudiciais.


A Sputnik relata que o porta-voz do exército israelita tuitou, orgulhosamente, que eles sabem "onde foi parar cada bala", mas depois apagou o tuíte, provavelmente por ser bem claro que essas balas atingiram corpos de manifestantes desarmados. 

 

Nos três anos que vivi em Gaza, acompanhei com frequência manifestações do género, e também o fiz em inúmeras manifestações, quando permaneci, enquanto activista, oito meses na Cisjordânia. Tendo vivenciado na pele estes tipo de situações, estou bem ciente da imoralidade da conduta israelita.

 

Nas dezenas de manifestações na Cisjordânia e na Faixa de Gaza que acompanhei, a “violência” teve sempre início com munições reais disparadas por israelitas, balas de chumbo cobertas com uma fina camada de borracha e gás lacrimogéneo sufocante contra palestinianos desarmados. O fato dos jovens palestinianos terem optado por responder com lança-pedras é um direito que lhes assiste. Pela minha experiência, foi sempre Israel que começou, atirando para mutilar e para matar, sequestrando e aprisionando manifestantes desarmados.

 

No Dia do Território, em Março de 2010, participei numa das seis manifestações que ocorreram na Faixa de Gaza, na aldeia de Khoza, a leste de Khan Younis. Os quatro jovens palestinianos alvejados por atiradores israelitas naquele dia relataram terem sido baleados com munições reais sem nenhum aviso prévio, incluindo um tiro na cabeça de um deles

 

E, tal como nas manifestações do Dia do Território de Março de 2018, Israel considerou aceitável o ataque de 2010: “uma investigação demonstrou que "os soldados agiram de acordo com os procedimentos de dispersão aceites" no que diz respeito à violência das forças armadas israelitas contra os manifestantes desarmados.

 

Os “procedimentos de dispersão aceites”, de Israel, ocorrem diariamente na Palestina ocupada, seja contra manifestantes desarmados na aldeia de Bilin, perto de Ramallah, seja contra agricultores desarmados (desde crianças até idosos) em Gaza.

 

Estes procedimentos incluem disparar contra civis palestinianos a partir de torres armadas controladas à distância, instaladas ao longo da vedação que delimita Gaza. Israel também utiliza como alvos outros civis que trabalham nas zonas fronteiriças, incluindo crianças e jovens que fazem recolha de entulho e sucata usados na construção civil. 

 

One of many remotely-controled machine-gun towers along fence enclosing Gaza.

 

Protesters, 2010.

 

Protester shot at close range by Israeli army, 2010.

 

Running from Israeli fire, 2010. 

*Fotos de um artigo de 24 de Abril de 24, 2010 , após um protesto não violento no qual 3 pessoas foram feridas com balas reais disparadas por israelitas.

 

Os media ocidentais estão relatando que estes ataques de 2018 contra manifestantes palestinianos representam o mais sangrento dia em Gaza desde os “confrontos” de 2014. A terminologia “confrontos”, usada em referência ao brutal bombardeamento israelita contra Gaza em 2014, e também aos recentes assassinatos de protestantes civis às mãos de israelitas, é uma típica distorção da realidade por parte dos meios corporativos, assim como uma distorção da correlação de poder. Quando manifestantes desarmados lutando por direitos humanos são literalmente abatidos, não podemos falar de "confrontos" mas sim de assassinatos.

 

Além disso, esta linguagem nega os quase diários ataques de israelitas contra fazendeiros, pescadores e pessoas que trabalham nas regiões fronteiriças. Isto inclui bombardear e atirar contra mulheres, idosos e crianças. 

  

*Do meu artigo de Fevereiro de 2009, “Israeli Soldiers Shoot Deaf Palestinian Farmer, 4th Farmer Shot in 3 weeks”

 

Durante o trabalho de acompanhamento de agricultores que fiz em Gaza, muitos soldados israelitas dispararam balas reais em torno de agricultores e de outros voluntários como eu, a uma muito curta distância, num esforço para agredir e afugentar os agricultores para fora das suas terras. A política de Israel de atacar agricultores e pescadores palestinianos faz parte da sua política mais ampla de tornar os palestinianos totalmente dependentes de ajuda alimentar inadequada e, de forma desnecessária, completamente empobrecidos.
 

Em 2011, escrevi sobre a destruição israelita da agricultura palestiniana em Gaza:

Cerca de uma década atrás, os agricultores palestinianos ainda podiam aceder a terras até cerca de 50 metros da fronteira. A "zona proibida" israelita foi sendo expandida ao longo dos anos, para 150 metros, depois para 300 metros, privando os agricultores palestinianos dos seus pomares, plantações e pastagens.

Uma década depois, com esses pomares destruídos por bulldozers israelitas, os agricultores lutam agora pelo acesso a terras até dois quilómetros para além da zona tampão de 300 metros, tornada uma zona proibida pelos militares israelitas.

Mais de 30% das terras agrícolas de Gaza não são usadas devido às zonas tampão. Esta é a terra mais fértil de Gaza, onde árvores de oliveiras, de frutos, de citrinos e de nozes floresciam outrora, juntamente com trigo, cevada, centeio e outras culturas, fornecendo grande parte das necessidades de Gaza. ”

 

Mais tarde, dois brutais bombardeamentos israelitas sobre Gaza, diminuiram ainda mais a percentagem de terras agrícolas viáveis.

 

Turquia e Israel competem pela supremacia moral

Em reacção aos ataques de Israel contra protestantes palestinianos, o Presidente Recep Tayyip Erdogan criticou Israel dizendo:

Não preciso dizer ao mundo o quão cruel são as forças armadas israelitas. Podem bem constatar o que este estado terrorista tem feito olhando para o que se passa em Gaza e em Jerusalém. Israel cometeu um massacre e Netanyahu é um terrorista."

 

Apesar de concordar com esta afirmação, é particularmente irónico que ela venha do líder de um estado que está em guerra com a Síria e que tem dado passagem segura e armas a terroristas que têm lá entrado e morto, nos últimos meses, centenas de civis no noroeste da Síria. 

 

Desde Janeiro último, a Turquia tem bombardeado Afrin, no noroeste da Síria. A última contagem de casualidades que encontrei falava de 222 civis mortos e 700 feridos (à data de 10 de Março de 2018). Um relatório mais recente fala de "mais de 1000 civis mortos  assassinados" e milhares de desalojados por culpa dos bombardeamentos turcos.

 

E depois, claro, há o apoio directo de Israel aos terroristas na Síria, que inclui tratamento médico a terroristas das FSA e da al-Qaeda em hospitais israelitas.

 

Deste modo, tanto Israel como a Turquia têm as mãos manchadas de sangue de civis, embora nenhum dos dois tenha sido responsabilizado por isso.
 

Jamais foi feita justiça em nomes dos civis mutilados, assassinados e aprisionados por Israel. Nem tampouco houve sequer um órgão internacional que tenha feito pressão em prol da justiça. Palavras fracas, rapidamente esquecidas... não será por aí que se alcançará a justiça e a responsabilização dos perpetradores desses crimes.

 

Reacção da ONU previsivelmente fraca

Em reacção aos assassinatos de manifestantes palestinianos por parte de Israel, as Nações Unidas emitiram fracas declarações de preocupação, mas não foi feita nenhuma condenação a sério contra abrutalidade de Israel.

 

Ausente o repúdio, que os órgãos e representantes da ONU normalmente reservam para propaganda de guerra e para branqueamento de terrorismo na Síria, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, ofereceu os seus “pensamentos” às famílias  das vítimas assassiandas por Israel. Pediu também "uma investigação independente e transparente sobre esses incidentes". E quem faria tal investigação? Israel? A ONU?

 

Avigdor Lieberman, ministro da defesa israelita, conhecido pelas suas declarações anti-palestinianas, interditou que se faça algo do género, afirmando: “Não haverá comissão de inquérito. Nós não cooperaremos com nenhuma comissão de inquérito ”.

 

O secretário-geral adjunto da ONU, Tayé-Brook Zerihoun, descreveu o dia do massacre como tendo “descambado em violência em vários locais da Faixa de Gaza”. Dezassete palestinianos (desarmados) assassinados por franco-atiradores de elite israelitas não é "descambamento em violência", é massacre. Um premeditado massacre.

 

Já podemos ir contando com zero acções ou justiça vindas da ONU, quando a vemos menorizar um tal massacre, e sabendo que Israel, em anteriores massacres de palestinianos, não foi nunca considerada culpada nem pela ONU nem pelo Estado que a ONU rotineiramente pede que investigue os seus próprios crimes.

 

Nessa mesma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o delegado dos EUA na ONU, Walter Miller, teve a ousadia de culpar os palestinianos. Miller descreveu os civis palestinianos como: “Fracos actores que usam protestos como desculpa para o incitamento à violência, pondo em risco vidas inocentes”.

Os EUA não vê problema nenhum em "rebeldes" como os da al-Qaeda "protestando" na Síria, mas quando manifestantes genuinamente desarmados na Palestina exercem o seu direito, de acordo com a lei internacional, de protestar contra os ocupantes que violentamente os expulsaram de suas casas e de suas  terras, já acha se trata de "incitamento à violência". A hipocrisia dos EUA e da ONU é infinita e, em consequência, a violência de Israel nunca terá um fim.
 

Enquanto a Turquia chora lágrimas de crocodilo pelos palestinianos, Israel finge ser o exército mais moral do mundo, e a ONU fecha os olhos aos crimes de Israel e à limpeza étnica de palestinianos. E os palestinianos, de forma corajosa, continuam protestando contra os crimes de Israel.

 

Como Gareth Porter tuitou: “muitos milhares de habitantes de Gaza preferem morrer como mártires do que se submeter à política israelita de morte lenta; Os franco-atiradores israelitas continuarão matando manifestantes palestinianos a sangue frio; O governo dos EUA e os media deram luz verde a Israel ”.

 

A ONU, os media corporativos e os líderes do planeta podem ignorá-los ou difamá-los, mas os palestinianos continuam enfrentando as forças armadas e o governo mais imorais da região.

 

Artigos Relacionados (em inglês) 

-UN Feigns Outrage Over Ghouta While Terrorist Rockets Rain Down on Damascus, Feb 26, 2018, Mint Press News

-I was fairly certain we would be shot today, Feb 3, 2009, In Gaza

-Israeli Navy Terrorism: Destroying Boats and Lives, Sep 2009, In Gaza

-the hardest jobs: children working in areas targeted by Israel, March 3, 2010, In Gaza

-My entries from occupied Palestine, April-December 2017, OPT2007

-Protesters take Rubber Bullets to Head and Stomach at Bil’in, June 16, 2007, OPT2007

-Reflections on accountability, Bil’in, Aug 13, 2007, OPT2007

-Israel never stopped pirating in Palestinian waters, Apr 24, 2013, RT.com (further related links on In Gaza post)

-Observations from Occupied Palestine: Gaza, Jan 1, 2014, In Gaza

 

Eva Bartlett, 04.04.2018

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: ISRAELI VIOLENCE AGAINST PALESTINIANS WILL NEVER END AS A RESULT OF UN & US HYPOCRISY

 

 

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Síria: Os media ocidentais e a admirável fraude das "Armas Químicas" em Guta, por Vanessa Beeley

 

capa

 

Vanessa Beeley POLITICA SOCIEDADE   

 


Uma das muitas acusações infundadas de "ataques com Napalm" por parte dos White Helmets, uma criação propagandista dos EUA e do RU. (Guta)

 

O Napalm é uma invenção norte-americana. O Napalm "foi inventado durante uma investigação ultra-secreta de 1942, numa colaboração entre a Universidade de Harvard  e o governo dos EUA". Em 1952, a agência de patentes dos EUA imitiu o certificado 2.606.107 para "géis incendiários" e tornou a exacta fórmula do Napalm acessível para o mundo inteiro.

" Militares dos EUA utilizaram uma substância conhecida como napalm durante o período de 1965 a 1972, na Guerra do Vietname; o napalm é uma mistura de poliestireno plástico, benzeno e gasolina. Esta mistura cria uma substância gelatinosa que, quando incendiada, adere a praticamente qualquer coisa e queima até dez minutos. Os efeitos do napalm no corpo humano são insuportavelmente dolorosos e quase sempre causam a morte às suas vítimas ”. (The Vietnam War)

 

A acusação de "ataque com napalm" evoca imagens terríveis destinadas a chocar. Em 1945, bombardeiros B29 dos EUA despejaram 32300 kg de Napalm sobre Tóquio (Japão) numa só hora. Estima-se que 100.000 homens, mulheres e crianças japonesas morreram na tempestade de fogo resultante. Washington considerou ter sido um enorme sucesso os 10 dias de bombardeamentos com Napalm sobre as principais cidades do Japão. Os EUA também usaram Napalm na Coreia do Norte, com consequências devastadoras para o seu povo na década de 1950. Washington despejou 32.557 toneladas de Napalm sobre o Vietname.
 

O uso mais recente de Napalm por parte dos EUA ocorreu durante a guerra do Iraque em 2003, quando “dezenas de bombas de napalm foram lançadas perto de pontes sobre o Canal de Saddam e o rio Tigre, no sul de Bagdade”, segundo um artigo do Independent. No mesmo artigo, um comandante norte-americano da Marin Air Group 11, afirma: 

Nós bombardeámos com napalm as imediações de ambas [as pontes]”, disse o coronel James Alles, comandante da Marine Air Group 11. “Infelizmente, havia pessoas por lá… dava para vê-las no vídeo [do cockpit]. Eles eram soldados iraquianos. Não é uma maneira muito agradável de morrer. Os generais adoram napalm. Tem um grande efeito psicológico”.

 

De acordo com Robert M Neer, autor de Napalm: An American Biography, os países que já usaram Napalm são:

 

“Os países que já usaram napalm, além dos Estados Unidos: Grécia (a primeira utilização desde a Segunda Guerra Mundial), França, Grã-Bretanha, Portugal, forças das Nações Unidas na Coreia, Filipinas, Vietname do Sul e Vietname do Norte (com lança-chamas ), Cuba, Peru, Bolívia, Israel, Egipto, Turquia, Índia, Iraque, Nigéria e Brasil. ”

 

A Síria não é mencionada.

 

Neer continua, explicando que a ONU proibiu o uso do Napalm contra “concentrações de civis” sob o Protocolo III da Convenção da ONU sobre Armas Convencionais de 1980. Os EUA assinaram o protocolo quase trinta anos depois de ele ter sido adoptado pela Assembleia Geral, no 21 de Janeiro de 2009. Foi o primeiro dia completo de Obama como presidente dos EUA. A ressalva é que "os EUA poderá não cumprir o tratado, a seu critério, se tal puder salvar vidas civis". Considerando apenas quantas vidas civis foram destruídas pelo desenvolvimento do Napalm por parte dos EUA, é difícil imaginar um cenário no qual Napalm possa ser benéfico para civis… mas a conclusão é que “devemos confiar nos EUA para tomar essa decisão em nosso nome e em nome dos civis, seja qual for a situação ”.

 

A narrativa do napalm sírio

A narrativa de "Armas Químicas" tem feito perdurar o conflito na Síria, com os alegados ataques sendo atribuídos quase inteiramente ao governo sírio, ao Exército Árabe Sírio e à Rússia. A guerra de informação de sete anos tem sido muito feroz, com meios de comunicação  pró-NATO, think tanks e auto-proclamados peritos como Eliot Higgins e Bellingcat fazendo tudo o que é possível para reforçar a narrativa de que "a culpa é da Síria".

 

Se nos déssemos ao trabalho de mapear as alegações de uso armas químicas em cada área ocupada por terroristas em vias de ser libertada pelo Exército Árabe Sírio [SAA], veríamos claramente a correlação entre as alegações e a pressão sentida pelas facções terroristas quando as SAA se aproximam das suas posições. Por outras palavras, à medida que as SAA se aproximam da vitória e da libertação de civis sírios, é suposto acreditarmos que as SAA usariam armas químicas contra civis em zonas urbanas, cada vez mais densamente povoadas, à medida que os terroristas retiram-se para uma cada vez mais diminuta área de combate, levando consigo civis como escudos humanos e como reféns.

 

Esta parece ser uma táctica de propaganda empregue pelas facções terroristas para ganhar tempo, garantir um cessar-fogo e pedir uma Zona de Exclusão Aérea e uma intervenção “humanitária” adicional da aliança de guerra de mudanças de regime. Um cessar-fogo permite que os militantes se organizem e se rearmem. Sabemos que ataques terroristas com armas químicas contra a população civil do oeste de Aleppo nunca receberam a mesma atenção por parte dessas mesmas nações “humanitárias”. Pior, esses ataques foram amplamente ignorados. Portanto, é razoável concluir que fazer a choradeira das “Armas Químicas” é uma táctica projectada para proteger os interesses dos estados membros da NATO que ocupam território sírio.

 

Apenas precisamos andar para atrás na nossa memória, até Agosto de 2013, e ao extraordinário relatório da BBC Panorama sobre o “bombardeamento parecido com o Napalm sobre escolas” em Urem-al-Kubra, na província de Aleppo (Saving Syria’s Children).

 

O jornalista independente Robert Stuart, forense e magistralmente desmontou esta reportagem, que mais não é que um teatro de guerra orquestrado pela BBC para aumentar a intervenção militar britânica na Síria, coincidindo com o momento da votação de David Cameron no Parlamento para se juntar aos EUA nacampanha de bombardeamentos na Síria "para impedir o uso de armas químicas" pelo governo sírio (claro). Este relatório da BBC apareceu imediatamente após o alegado ataque com armas químicas em Guta, em Agosto de 2013, que foi imediatamente atribuído ao governo sírio. Desde então, essa alegação foi desacreditada por vários analistas e especialistas independentes.

 

Este suposto ataque, relatado pela BBC Panorama, foi naturalmente acompanhado pelo já familiar testemumnho que efetivamente apela ao Mundo que intervenha e bombardeie em prol da “Paz”: “Querida ONU, você está apelando à paz, você está pedindo paz. Que tipo de paz você está pedindo? Está a ver ou não isto? Que mais você precisa ver?” (de um artigo do Telegraph dessa altura). 

 

Voltando a Guta, que está agora 90% livre dos muitos grupos terroristas que desde 2012 ocuparam este subúrbio do leste de Damasco, temos vindo a assistir a um aumento de alegações sobre ataques com armas químicas, à medida que as SAA têm vindo fechando o cerco aos enclaves terroristas. A maior parte dessas alegações foram divulgadas pelos  White Helmets, uma filial da al-Qaeda.

 

 

Arsenal de armas químicas dos terroristas de Guta

Sharmine Narwani, um jornalista e analista de geopolítica, este em Guta libertada há algumas semanas atrás, no momento em que foi descoberto um laboratório de Armas Químicas nos terrenos agrícolas entre Shifouniyeh e Douma. Vejam o que diz Narwani sobre o "desinteresse" dos media ocidentais acerca cesta descoberta:

É estranho o desinteresse dos media, visto que as autoridades dos EUA parecem prontas a realizar ataques militares contra a Síria, país que afirmam ter usado armas químicas (AQ) contra populações civis. Estas acusações continuam por ser provadas e são muitíssimo controversas, com outras partes argumentando que militantes anti-governo têm usado AQ como forma de provocar uma intervenção militar dos EUA contra a Síria.

Assim sendo, talvez não seja tão estranho que um laboratório químico descoberto no epicentro de uma grande batalha estratégica sobre a Síria esteja sendo ignorado por um dos lados. No final, é bem provável que apenas um lado venha a estar certo sobre quem está usando AQ na Síria. É por isso que um dos  lados ficou calado quando este laboratório foi descoberto.

 


Crianças à porta de um centro de fabrico de armas químicas em Erbin, Guta. (Foto: Vanessa Beeley)

 

Eu tive uma experiência semelhante há dois dias atrás, no dia 6 de Abril de 2018. Ia numa viagem de meios de comunicação estrangeiros rumo aos sectores liberados do Guta, na companhia do Exército Árabe Sírio. Muitos dos jornalistas dos media ocidentais queixaram-se de terem sido acompanhados por aquilo que eles consideram de "segurança" mas, pela minha experiência pessoal, ninguém é proibido de cobrir nenhuma história que considere importante nas áreas que visitam.

 

Destacada apoiante da narrativa de guerra "humanitária" de mudanças de regime, a CNN também viajou comigo, através do seu correspondente Frederick Pleitgen, a sua camerawoman e o seu tradutor. Não vi a sua actividade ser restringida de forma alguma. Pelo contrário, tinham liberdade total de acção em áreas limpas de bombas, IEDs e armadilhas deixadas pelos grupos terroristas que partiram. A presença do exército é necessária em qualquer distrito recentemente libertado, pois há sempre riscos inerentes, e agradeço que eles se importem o suficiente com a nossa segurança para estarem connosco nestas viagens e para fornecer respostas a quaisquer perguntas que tenhamos.

 


O local de fabrico de armas químicas (à direita) em Erbin, Guta, 6 de Abril de 2018. (Foto: Vanessa Beeley)

 

Entrámos na zona de Erbin e foi-nos mostrada uma fábrica de bombas e uma instalação de armas químicas, ambas ao nível do solo, e não parte dos elaborados sistemas de túneis que abrigavam hospitais terroristas e depósitos de equipamentos, entre outros elementos do aparato militar terrorista.

 

Foi-nos dito que boa parte do edifício ainda não tinha sido limpo de minas e de armadilhas, de modo que fomos aconselhados a mantermo-nos perto e a não vaguear. Alguns dos sacos contendo ingredientes químicos ainda estavam armadilhados e, portanto, não foi possível mexer neles de forma a se poder ver melhor os rótulos. Estava muito escuro, também, mas fiz o meu melhor para fotografar tudo o que lá vi .

 

 

Por entre os documentos encontrados neste laboratório improvisado estavam instruções para o fabrico de granadas de mão de napalm, e indicações são dadas sobre a melhor forma de misturar os componentes. Eu não quero publicar estas instruções passo por passo, mas mostrarei parte do caderno nas minhas fotos. Há também notas manuscritas demonstrando como tornar a granada mais mortal, adicionando pregos e fósforo branco à granada para garantir que o efeito incendiário dure mais tempo e seja mais intenso. No caderno está escrito que esta mistura é conhecida, em termos militares, pela sigla OB2.

 

 

 


As formulações foram-nos totalmente explicadas pelo guia que nos foi atribuído, e que estava presente quando esta instalação de armas químicas foi descoberta durante a operação de limpeza pós-libertação. (Foto: Vanessa Beeley)

 

Foi-nos dito que outro documento encontrado no local contém explicações sobre como calibrar morteiros para os direcionar rumo a específicas coordenadas de geolocalização de Damasco e da zona rural circundante:

 

 

 

Um último documento foi-nos mostrado, aparentemente contendo os nomes dos membros (do grupo terrorista) que estariam ao encarregue desta instalação:
 

 

Havia uma série de sacas e barris com ingredientes, nem todos fáceis de identificar pelas inscrições com os nomes das marcas, e foi-nos dito que os terroristas teriam reempacotado alguns dos ingredientes. Um dos sacos continha o composto químico RDX.

RDX é um composto orgânico com a fórmula (O2NNCH2)3. É um sólido branco sem cheiro ou sabor, amplamente usado como explosivo. Quimicamente, é classificado como nitramida, quimicamente similar ao HMX. Um explosivo mais enérgico que o TNT, foi amplamente utilizado na Segunda Guerra Mundial." (Wikipédia em inglês)

 


Uma saca com o composto químico RDX, Erbin, Guta. (Foto: Vanessa Beeley)

 

Juntamente com esses ingredientes químicos que serão mostrados na galeria de fotos no final deste artigo, havia caixas com roquetes destinados a serem enchidos com químicos e com componentes explosivos. Pelo menos uma caixa contendo esses mísseis especiais ainda estava armadilhada, de acordo com o nosso guia, e por isso não pudemos examiná-la de perto:

 


Foto: Vanessa Beeley

 

Vimos prateleiras ainda carregadas de equipamento, pequenas granadas de mão e mísseis . Ficou claro que esta instalação esteve operacional durante algum tempo. 

 


Foto: Vanessa Beeley

 

Vimos um barril contendo o que parecia ser alcatrão ao lado de ingredientes químicos e roquetes. Um especialista que estava connosco disse que era uma mistura de óleo, sabão e outros ingredientes que são usados para revestir o míssil de forma a garantir que o químico nele contido atinja o seu alvo com mais eficiência. Esta era uma fábrica de morte... onde facções terroristas produziram alguns dos mais sádicos armamentos possíveis de serem usados contra alvos civis:

 


Foto: Vanessa Beeley

 

A pergunta deve ser feita, quem usou armas químicas na Síria e em Guta? É uma pergunta que não foi feita pela maioria dos principais jornalistas de media ocidentais, incluindo Frederick Pleitgen da CNN, que viu aquela fábrica de armas químicas e que não a mencionou durante a sua transmissão ao vivo ontem à noite, em simultâneo com a difusão de acusações contra o Exército Árabe Sírio de ter usado armas químicas em Douma durante as últimas horas da ocupação do Jaish al-Islam.

 

 

No dia 23 de Março, por exemplo, o órgão de propaganda do Catar, a al-Jazeera, publicou um artigo com este título: “Dezenas queimadas até a morte em ataques da Síria contra Guta”. No artigo, o testemunho dos White Helmets foi aceite sem ser questionado, apesar do seu historial de branqueamento de crimes e atrocidades cometidos por facções terroristas (lideradas pela al-Qaeda) contra civis sírios:

“Fontes no local e equipas de resgate da Syrian Civil Defence, um grupo de resgate voluntário também conhecido como White Helmets, disseram na sexta-feira que pelo menos 37 vítimas morreram queimadas depois que ataques aéreos com gás napalm atingiram um abrigo na cidade de Irbin. "

 

 

Foi-me dito por pessoas com quem falei, em Erbin, que facções terroristas teriam realizado os ataques contra civis naquele distrito para depois culpar o governo sírio, o exército e a Rússia.

 

Embora não haja forma de verificar com toda a certeza estes relatos recolhidos no terreno, há que levantar esta questão: por que razão os media ocidentais repetem a narrativa que lhes é fornecida por grupos como os White Helmets (financiados e apoiados pelo ocidente) que, comprovadamente, são íntimos aliados de grupos terroristas como a al-Qaeda, e que de forma sistemática têm produzido questionáveis vídeos e relatos que servem principalmente para proteger facções terroristas e reforçar a narrativa de mudança de regime dos estados seus patrocinadores?

 

Por que razão nunca há qualquer contexto nas reportagens sobre armas químicas, que vêm se intensificando em consonância com os avanços militares das SAA? Portanto, à beira da vitória, somos levados a acreditar que as SAA usarão ineficazes armas químicas contra civis que eles têm a tarefa de libertar e cujas vidas eles sempre tentam preservar, mesmo que isso signifique adiar os ataques finais contra os centros terroristas.


O uso de armas químicas e a subsequente histeria e sensacionalismo dos media corporativos servem apenas o Ocidente imperialista e os seus activos na Síria: as facções terroristas. 

 

Esta manhã, uma fonte oficial disse à SANA que:

As fabricações químicas, que não serviram de nada para os terroristas e seus patrocinadores em Aleppo e em Guta, também não lhes servirá de nada hoje, visto que o estado sírio está determinado em acabar com o terrorismo em cada centímetro quadrado do território sírio ”

Cada vez que as SAA avançam e é vitoriosa contra os terroristas, os países que apoiam as facções terroristas levantam a bandeira das armas químicas, que é uma completa bandeira falsa, já que a Síria renunciou às suas armas químicas em 2013 quando assinou o tratado de não-proliferação, o qual respeitou por completo, em 2014, nos termos desse acordo.” (Dr Ayssar Midani, Damasco)

 

Devemos também relembrar que, no dia 28 de Fevereiro de 2018, o representante permanente da Síria na ONU, Nova Iorque, o Dr. Bashar Al Jaafari, informou que no dia 20 de Fevereiro a Turquia “transportou barris de cloro para armas químicas para dentro de  cidades de Idlib controladas por terroristas turcos. Uma escola foi transformada num depósito para essas armas químicas. Os terroristas estão se preparando para usar essas armas em larga escala e acusar a Força Aérea Síria. A conspiração deverá coincidir com a octogésima sétima reunião do Conselho Executivo da OPAQ, a ter lugar a partir de 13 de Março. ”
 

Assista à intervenção integral do Dr Bashar Al Jaafari na ONU aqui:

 

 

Antes de acreditar nos apologistas da guerra da CNN presentes em Damasco. O seu correspondente, Frederick Pleitgen, estava comigo quando visitámos um laboratório de armas químicas terroristas em Erbin, no leste de Guta, há dois dias. Ele não menciona este facto na sua sensacionalista reportagem em directo de Damasco."

 

Tampouco menciona os estimados 3.500 presos mantidos pelos terroristas do Jaish al-Islam nas suas prisões de "arrependimento", entre eles muitas mulheres e crianças que provavelmente estarão sendo assassinadas de forma a induzir uma última tentativa de ataque com armas químicas. (facebook de Vanessa Beeley)

 

Por outras palavras, as mentiras dos meios de comunicação corporativos estão se tornando cada vez mais flagrantes, à medida que as SAA e seus aliados marcham implacavelmente em direcção à libertação total e final de Guta, que há muito tempo é reconhecida como um reduto estratégico para Israel, prejudicando efectivamente a capacidade de defesa aérea de Damasco e mantendo pressão sobre o governo sírio e o seu povo, graças a uma diária punição colectiva de civis com bombardeamentos terroristas indiscriminados, morteiros, etc. Não por muito mais tempo.

 

Abaixo pode ver os ingredientes para armas químicas encontrados na fábrica terrorista de Erbin:

 

 

  

  

  

 

 

  

 

Vanessa Beeley, 08.04.2018, Damasco, Síria

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: SYRIA: The Egregious Western Media ‘Chemical Weapon’ Fraud in Eastern Ghouta

 

 
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Síria: a indústria de direitos humanos na "guerra humanitária" (1/7), por Tim Anderson

capa

 

Tim Anderson  POLITICA SOCIEDADE

 

Parte 1/7

 

Sumário

A proliferação de auto-proclamados observadores e agências de "direitos humanos" tem, neste últimos anos, ajudado a vender o conceito de "intervenção humanitária". Tal é claramente constatável na prolongada guerra de procuração [proxy war] contra a Síria. Estes grupos promotores [do conceito] têm puxado a sua argumentação ao limite, com pretextos que crêem ser necessários, para ignorar a lei internacional convencional que proíbe intervenções e o apoio estrangeiro a grupos armados. Ainda assim, a maior parte desses grupos é paga ou apoiada pelos mesmos governos que apoiam intervenções militares. Este documento examina o papel desta indústria de direitos humanos durante a guerra na Síria. Começa por uma análise à comercializada popularidade da "guerra humanitária" e, em seguida, analisa a normalização de conflitos de interesse que vêm associados. Na terceira parte, são analisadas duas agências de relevo, a Human Rights Watch [Observatório dos Direitos Humanos] e a Amnistia Internacional, e são apresentadas provas que demonstram a sua sistemática parcialidade, incluindo a sua participação na invenção de acontecimentos durante a guerra. Na quarta parte, são analisadas 2 agências bem mais específicas e criadas expressamente para esta guerra, a The Syrian Campaign e a The White Helmets. Uma vez mais, suficientes provas são apresentadas para demonstrar os seus partidários papéis.  Juntamente com poderosos estados, media [mídia em PT-BR] corporativos e outros apologéticos órgãos contratados, essas agências encontraram um espaço de relevo na comercialização da guerra humanitária.

 

 

A guerra humanitária, baseada em antigas noções de prerrogativa imperial e na mais recente doutrina de uma "responsabilidade de proteger" [R2P, do inglês "responsibility to protect"], gerou uma nova indústria de direitos humanos. Enquanto milhares de milhões [bilhões em PT-BR] foram gastos pelos EUA e seus aliados em apoio a grupos armados anti-governamentais na Síria, centenas de milhões foram canalizados para uma guerra de propaganda, amplificando as vozes de uma rede de auto-proclamados observadores, meios de comunicação e agências de "direitos humanos". A partir de meados de 2011, Washington começou a apoiar forças anti-governamentais, gradualmente pondo em marcha esta ofensiva diplomática e a provisão de "ajuda não-letal" destinada ao treino e ao armamento de uma insurgência sectária islâmica. Tudo isto foi feito directamente, através de aliados regionais como a Arábia Saudita e o Catar. Essa insurgência nada tem a ver com os protestos de 2011 pedindo reformas políticas, apenas se aproveitou destas. Em meados de 2014, os EUA recorreram à intervenção militar directa, supostamente para combater um grande grupo terrorista (ISIS) no leste da Síria e no Iraque, ao mesmo tempo que ignorava outros grupos terroristas (liderados pela Jabhat al-Nusra / HTS) no oeste da Síria. Ambos os grupos e seus associados eram e são organizações proibidas de acordo com resoluções do Conselho de Segurança da ONU. No entanto, o vice-presidente norte-americano Joe Biden e o general Martin Dempsey, então chefe das Forças Armadas dos EUA, admitiram que os seus principais aliados estavam financiando e armando todos esses grupos armados, quer os "moderados", quer os "terroristas" (Biden, RT, 2014 e Usher, 2014; Dempsey, Rothman, 2014).

 

Paralelamente a essas confissões e à intervenção militar directa, uma indústria ocidental de direitos humanos buscou uma unilateral guerra de propaganda contra o governo sírio. Houve várias alegações de que o exército sírio estaria (por alguma inexplicável razão) massacrando civis e crianças sírios, reivindicações estas acesamente contestadas mas que, ainda assim, fizeram parte importante dos pretextos para a guerra humanitária. Contudo, este trabalho demonstrará que muitas dessas agências de "direitos humanos" foram pagas ou cooptadas por aqueles que criaram a guerra. A ofensiva diplomática, o recrutamento directo e indirecto e o abastecimento de grupos armados e o financiamento de uma variedade de agências de propaganda seguem estritamente o modelo delineado nas sucessivas edições do manual de "guerra não-convencional" do Exército dos EUA. Esse modelo inclui campanhas de propaganda para ajudar a "moldar a percepção popular", criar uma "intenso esgotamento moral", criar um apelo aos simpatizantes estrangeiros e deslegitimar o estado-alvo. Esta campanha de propaganda, em particular, incluiu a Human Rights Watch (HRW) e a Amnistia Internacional, mas também grupos criados expressamente para este conflito, como o "The Syria Campaign" e o "The White Helmets". Muitos outros auto-proclamados "observadores", agências de informação e grupos de "direitos humanos" também receberam fundos dos EUA, Reino Unido e França, assim como corporações suas associadas (veja a secção 2). A coordenação dos EUA ajudou à construção de um bem-integrado esforço, embora mal-sucedido, para derrubar o governo da Síria.

 

Bricmont ressalta que o propósito principal das Nações Unidas de evitar guerras de agressão foi subvertido por doutrinas de "intervenção humanitária" (Bricmont, 2006). Heningsen refere-se a um "complexo industrial de direitos humanos", baseado nas boas-intenções de "indivíduos trabalhadores e extremamente bem educados" (Heningsen, 2016). Este estilo de defesa dos "direitos humanos" é certamente um grande negócio. A Amnistia Internacional, agora profundamente enraizada no Departamento de Estado dos EUA, gasta cerca de 280 milhões de euros por ano (AI 2017); A Human Rights Watch, estreitamente alinhada com o lado democrata da política norte-americana, possui mais de 220 milhões de dólares em ativos (HRW, Maio 2017); Quanto ao "The White Helmets', um grupo paramilitar de primeiros socorros e relações públicas alinhado a grupos jiadistas e criado por um ex-soldado britânico, recebeu mais de 100 milhões de dólares, provenientes dos governos britânico e norte-americano, para as suas actividades na guerra da Síria. (Beeley, 2017).

 

Um problema na discussão séria de tais questões, durante um conflito, é o que poderíamos chamar de "vexatória propaganda", que tenta impor barreiras ao debate sobre tal conflito. Assim como um vexatório litigante tenta monopolizar a argumentação em tribunal, tão vexatória propaganda, pela constante repetição dos seus pontos, tenta monopolizar os temas em discussão. No caso do conflito sírio, tais tentativas de controlo do debate têm vindo de meios de comunicação alinhados a estados comprometidos com o derrube do governo sírio. Esta propaganda tem sido extrema, de forma a evitar as convencionais restrições do direito internacional. Quem debate pode, pelos vistos, contestar alegações, mas não pode mudar a agenda. No entanto, pelo menos no interesse de uma narrativa subalterna sobre a guerra, este artigo insiste numa distinta questão. Não se trata de uma defesa do governo sírio de todas as acusações realizadas pelos seus oponentes, nem de uma discussão sobre a chamada "Primavera Árabe". É uma análise interrogativa acerca da indústria de propaganda que destruiu o debate sensato  sobre o conflito.

 

Subjacente a todas as recentes guerras no Médio-Oriente está uma modernista doutrina que fortalece vozes neocoloniais, agentes de dominação disfarçados de mediadores independentes. No entanto, a grande contradição deste projecto ocidental, em nome dos direitos humanos, é o seu desrespeito pelo primeiro artigo da Carta Internacional dos Direitos Humanos: o direito dos povos e das nações à auto-determinação (UN HRC 1984). Face a esta aparente limitação, foi criada a noção contemporânea de "responsabilidade de proteger" (UN 2005; Bass 2009), desencadeando-se novos pretextos para intervenções militares. Tal representa um enorme quebra-cabeças para estados independentes. Temos a insistente exigência de que o estado sírio ("regime") não possa usar o seu exército nacional para defender o povo sírio nem libertar as suas cidades de exércitos de procuração [proxy armies] apoiados por terceiros, sem que haja a aprovação dos patrocinadores estatais desse mesmo terrorismo.

 

Este trabalho irá caracterizar a indústria de direitos humanos enquanto um dos principais motores de legitimação das normalizadas "guerras humanitárias" do século XXI, ilustrando o fenómeno por meio da actividade de algumas proeminentes agências de direitos humanos. Provas independentes mostram que a propaganda pró-intervenção sobre uma série de incidentes críticos tem sido consistentemente unilateral, violando princípios elementares de avaliação justa e ampliando histórias partidárias durante a guerra. Quaisquer que tenham sido os abusos cometidos pelo Exército Sírio e seus aliados, toda e qualquer hipótese de uma perspectiva equilibrada tem sido varrida pela narrativa de "guerra humanitária". Uma nação ameaçada, sem uma forte voz ao nível internacional, tem poucas hipóteses de ser ouvida.

 

Por outro lado, as agências de direitos humanos comprometidas com as grandes potências raramente questionam as brutais violações do direito internacional realizadas por seus estados patrocinadores. Em vez disso, partidários e pré-planeados relatórios continuam a alimentar a guerra humanitária, convidando repetidas atrocidades de “bandeira falsa” [false flag] a criar “excepções” cridas necessárias para incitar intervenções estrangeiras mais aprofundadas, violando o direito internacional e os direitos soberanos (ver Anderson 2016: Capítulos 8 e 9). ). A primeira e segunda partes deste documento discutirão os pretextos de direitos humanos com vista à "guerra humanitária" e os  seus normalizados conflitos de interesse; o terceiro e o quarto documentarão exemplos suficientes de parcialidade extrema, incluindo a fabricação activa, de forma a provar o carácter partidário de quatro agências-chave: Amnistia Internacional, Human Rights Watch, The Syria Campaign e The White Helmets.

 

Tim Anderson, Janeiro de 2018

1ª PARTE - Sumário

2ª PARTE - 1. Direitos humanos como pretexto para a guerra humanitária

3ª PARTE - 2. Conflitos de interesse normalizados 

4ª PARTE - 3. Vendendo guerras humanitárias: HRW e AI  /  3.1 Human Rights Watch

5ª PARTE - 3.2 Amnistia Internacional

6ª PARTE - 4. Agências encomendadas à medida: "The Syria Campaign" e "The White Helmets"  / Considerações finais

7ª PARTE - Bibliografia

 

traduzido para o português por Luís Garcia

versão original em inglês: Syria: the human rights industry in 'humanitarian war', Tim Anderson

 

 
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"Questionáveis" partilhas da AI Porto, por Luís Garcia

 

Questionáveis partilhas da AI Porto.jpg

 

Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE  

 

Questionar ou não questionar, eis a questão!

Devemos questionar tudo e todos? Pois sim, é o que sempre faço, como ainda onde disse ao gestor da página da Amnistia Internacional Porto (AI Porto), e como assim convida o slogan do canal russo RT: "question more", questione mais em português. E por isso mesmo, proponho que questionemos a partilha da AI Porto na qual eu publiquei um comentário que teve esta resposta do gesto da página AI Porto:

Luís Garcia, em vez colocar informação questionável na nossa página, contacte por favor a Amnistia Internacional Portugal, pois a sede pode informá-lo melhor quanto aos assuntos em causa.

 

Esta resposta veio em consequência a um comentário meu com hiperligações de artigos deste blog sobre a muito questionável AI Portugal. Leia aqui a publicação da AI Porto, assim como os meus comentários, enquanto o gestor não se lembrar de me bloquear, em sintonia com a política da casa (não se preocupem, se acontecer, poderá sempre ver os printscreens desses comentários no fundo deste artigo).

 

 

A AI Porto questiona as suas publicações?

Constatadamente não, a AI Porto não as questiona. Eu, como sou uma pessoa simpática, farei agora aqui, de forma absolutamente gratuita, o questionamento de uma publicação da AI Porto que deveria ter sido questionada por esta e não por mim. Mas bom, dias não são dias, e estou de mãos largas. Eis aqui o texto integral do artigo do Expresso partilhado na página facebook da AI Portugal:

Um bebé numa mala é só uma das muitas imagens chocantes do êxodo na Síria

Centenas de de homens, mulheres e crianças abandonaram esta semana a massacrada região de Ghouta oriental, aproveitando a criação de um corredor humanitário. Milhares continuam a tentar fugir como podem, à medida que se aproximam as forças governamentais

Ocorredor humanitário criado para a retirada de civis tornou-se a última esperança para as centenas de homens, mulheres e crianças que esta semana abandonaram a massacrada região de Ghouta oriental, nomeadamente a cidade de Hamouria.

Apesar da trégua acordada, as notícias foram dando conta de novos bombardeamentos, numa guerra que já levou ao êxodo de milhares - o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) fala na fuga de mais de 12 mil pessoas, só na última quinta-feira.

A pé, carregam o que conseguem, numa corrida contra o tempo, mas as Nações Unidas estimavam esta semana que perto de 400 mil pessoas continuem encurraladas na região, devido ao cerco do Governo, alertando também para a matança de civis que ocorre noutra área: Afrine. A população que resta começa a ficar sem espaço para fugir, à medida que se aproximam as forças governamentais.

Já este sábado, o regime sírio anunciou ter recuperado aos rebeldes duas localidades em Ghouta oriental, enclave dos insurgentes nos arredores de Damasco, indicou uma ONG.

Com o apoio do aliado russo, foram recuperadas as localidades de Kfar Batna e Saqba, numa zona controlada pelo grupo islamita Faylaq al-Rahmane, segundo o OSDH.

Em sete anos de guerra civil, o balanço fala por si: cerca de 12 milhões de sírios foram forçados a deixar as suas casas e estima-se que mais de 400 mil pessoas tenham morrido.

Mafalda Ganhão, Expresso, 17.03.2018

 

Algumas das 10 fotografias desse artigo e respectivas análises aparecerão mais abaixo junto ao meu questionamento. Se quiser vê-las todas, abra o artigo do Expresso aqui: Fotogaleria: Um bebé numa mala é só uma das muitas imagens chocantes do êxodo na Síria.

 

Questionamento meu ao artigo do Expresso 

Título - Chocante uma imagem de uma criança dentro de uma mala? Ora essa, chocante é ver uma criança ser decapitada na Síria por membros de "rebeldes libertadores" do Grupo al-Zinki. E chocante é ver que nunca nenhum media ocidental como o Expresso ou organização "humanitária" como a AI tenha noticiado esse horrível crime. E chocante é ver que a AI Portugal continua, através das suas publicações em páginas facebook e no seu site oficial, apoiando a associação de grupos terroristas chamada FSA (Exército de Libertação Sírio) da qual o Grupo al-Zinki faz parte:

 

 

E lembra-se daquela também famosa foto de uma criança, não numa mala, mas numas cadeiras laranjas? Escrevi neste site um artigo (Tadinho do puto da cadeira laranja) com irrefutáveis provas de que o autor da famosa foto, o senhor Mahmoud Raslan membro dos White Helmets, conhece pessoalmente os autores da decapitação do vídeo acima. E neste artigo (White Helmets, humanistas ou terroristas? Parte 2 ), pode constatar o carácter terrorista da organização White Helmets da qual Mahmoud Raslan faz parte e que a AI Portugal constantemente usa como fonte de (des)informação terrorista sobre a Síria (Pedro Neto não diz a verdade quando afirma que a AI "não usa conteúdo dos White Helmets"). Ahhh, se houve organização que não se cansou de partilhar essa foto do puto laranja, foi precisamente a AI, que questionável comportamento!

 

FAKE NEWS - tadinho do puto da cadeira laranja, por Luís Garcia

 

Lide - "Centenas"? O artigo data do dia 17 de Março quando já tinham saído dezenas de milhares de civis de Guta. Mesmo no próprio artigo do Expresso é dito que haveriam saído 12.000 civis na quinta-feira dia 15 de Março, dia da de abertura do corredor humanitário de Hammuriyah. E o lide deste artigo fala de centenas? E a AI Porto não questiona esta brincadeira antes de a partilhar?

 

"Aproveitando a criação de um corredor humanitário". Sim, sim claro. Mas, e o corredor, veio de onde? Caiu do céu? Criou-se por geração espontânea? Que raio de jornalista é esta que não indica os autores das negociações que resultaram na criação do corredor humanitário de Hammuriyah? Não apetece dizer, pois os autores foram o governo sírio e o centro russo de reconciliação! E a AI Porto partilha trabalho de tão questionável jornalista?

 

"Milhares continuam a tentar fugir como podem, à medida que se aproximam as forças governamentais"! Ah, era aqui que queria chegar, à maquiavélica manipulação jornalística que, sem mentir por completo, induz propositadamente o leitor a concluir algo absolutamente errado. Li e ouvi isto dezenas de vezes nos media portugueses blue pill  (entrada Wikipedia para Red pill and blue pill) omnipresentes nos países ocidentais supostamente "livres", e que repetem orwelliana e ovelhescamente as mesmas não-verdades:

 

 

Malta inocente e/ou desatenta concluirá, naturalmente, que os civis terão fugido das tais forças governamentais que se aproximavam, certo? Pois, que vergonhoso e manipulador jornalismo. Esses milhares (espera, centenas ou milhares cara Mafalda Ganhão?) fugiam dos "rebeldes" terroristas comprovadamente apoiados pela AI. Saem com o apoio, ajuda médica, comida, água e segurança física fornecida, precisamente, pelas forças governamentais! E celebram com o exército a sua libertação do terrorismo apoiado pela AI! E beijam pés de soldados do Exército Árabe Sírio em sinal de reconhecimento! E dançam e cantam juntos...

 

 

Enfim, foi precisamente no intuito de denunciar e desmascarar esta vergonhosa propaganda anti-Síria em torno de Guta que partilhei estas 3 red pills:

 

Mas se não quiser tomar estas 3 red pills, basta que analise com cuidado as próprias imagens contidas no artigo do Expresso. Se, supostamente, e negando de forma teimosa a comprovada realidade filmada em directo por várias media não submissos ao Império da Guerra (aka EUA), os civis sírios de Guta fugiam dos soldados sírios como o artigo do expresso de forma maquiavélica faz subentender, então, consequentemente, como se explicam estas fotos contidas dentro do mesmíssimo artigo do Expresso?

 

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Como assim, civis fugindo das forças do "regime" de Assad empunhando bandeiras do "regime" e fotografias do chefe do "regime"? Com soldados do "regime" assegurando a passagem tranquila desses civis, de zonas de Guta controladas por terroristas, para o campo de Wafedin (Foto-vídeo-diário de Guta, por Vanessa Beele) controlado pelo "regime"!?! Ora essa!

 

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E "sanguinários" soldados do "regime" ajudando os civis de Guta que supostamente fogem dos soldados do "regime"!?! Ora essa!

 

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E "sanguinários" soldados do "regime" oferecendo águia a civis de Guta que supostamente fogem dos soldados do "regime"!?! Ora essa!

 

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E os pobres coitados civis que "fogem" dos "bombardeamentos das forças do regime" deslocam-se até corredores humanitários controlados por soldados do "regime" decorados com bandeiras do "regime" e fotografias do "sanguinário" chefe do "regime" sírio!?! Ora essa! Está a escapar-me algo, ou a questionável AI Porto não questiona estas flagrantes incoerências antes de as partilhar? E o criador de questionáveis artigos sou eu (como dizia a AI Porto)? Deixem-me rir... de humanista e coerente desespero mediático!

 

1º parágrafo - "Corredor humanitário criado para a retirada de civis tornou-se a última esperança para as centenas de homens, mulheres e crianças". Sim, corredor humanitário, certo, mas um corredor que não caiu do céu! Foi criado pelo governo sírio e pelo centro russo de reconciliação? Desde quando jornalistas não noticiam factos como este? Desde que se prostituíram, pois claro. 

 

"Abandonaram a massacrada região de Ghouta oriental, nomeadamente a cidade de Hamouria". Só? Ora essa, então e Misraba? E Mudayrah? E Bayt Siwa? E al-Shaffoniya? E al-Ghutah? Etc! Então foram todas estas libertadas e evacuadas nos dias anteriores a este artigo e, Mafalda Ganhão, jornalista profissional de um jornal nacional, só me sabe dizer um nome, Hammuriyah? Que chatice! E a AI Porto não questiona esta falta de profissionalismo jornalístico, antes de o partilhar? Para não me acusarem de parcialidade, mostro aqui um mapa interactivo do dia 17 de Março de um site abertamente anti-russo e anti-sírio mas que, felizmente, indica com exactidão as cidades e vilas de Guta já libertadas no dia em que foi publicado este artigo: 

 

2º parágrafo - "As notícias foram dando conta de novos bombardeamentos, numa guerra que já levou ao êxodo de milhares". Por que razão esta jornalista do Expresso, de forma enganosa, mistura 2 factos distintos (ou mais) numa única frase? Sim, os ataques de terroristas de morteiros dos "rebeldes" idolatrados pela AI continuaram caindo sobre os civis da restante Damasco. Problema é que a AI nunca neste 5 anos de ocupação terrorista de Guta jamais noticiou ou recriminou esses "rebeldes" terroristas por matarem e ferirem milhares de civis de Damasco (ler: A RTP, SIC, TVI, CMTV e companhia são apoiantes do terrorismo na Síria!) E sim, as forças aéreas sírias e russas retomaram os bombardeamentos em Guta, mas NÃO sobre os civis saindo pelos corredores aéreos! Irra! Até porque, se o fizessem, estariam a bombardear soldados do Exército Árabe Sírio PRESENTE ÀS CENTENAS nesses mesmíssimos corredores! Irra, um pouco de honestidade ficava-vos bem! E de lógica, já agora! Sim a guerra levou ao êxodo de milhares, mas para onde? A maioria dos refugiados sírios, cerca de 7 milhões, são refugiados internos que fugiram dos "rebeldes" terroristas, idolatrados pela AI, para a segurança, abrigo, cuidados médicos e cuidados alimentares garantidos pelo "regime" em Damasco, Tartus e Lataquia, apesar do ilegal e genocida embargo da UE não noticiado pelo Expresso nem humanamente criticado pela AI Portugal. Enfim.

 

"Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) ". Já disse um cento de vezes aqui, mas repito, que esta farsa de OSDH não observa nada pois tem tantos observadores na Síria quanto a AI: ZERO! E não é sírio pois foi fundado e é financiado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido. Mais, é gerido por um não-sírio e tem sede em Coventry, Reino Unido! E de direitos humanos não tem nada, pois profere propaganda apologética de organizações terroristas cujos membros comprovadamente decapitaram civis e executaram soldados sírios (ler: Syria: the human rights industry in 'humanitarian war', Tim Anderson)! Com tantos media presentes na Síria, como a Ruptly que transmitiu 6 horas de directo no dia 15 de Março a partir de Guta (mostrando o contrário daquilo que diz esta jornalista do Expresso), para quê insistir em citar pseudo e auto-denominados observadores que não observam coisa nenhuma em lado nenhum? Quer, caro gestor da página da AI Porto, algo mais "questionável" que isto?

 

 

3º parágrafo - "Nações Unidas estimavam esta semana que perto de 400 mil pessoas continuem encurraladas na região, devido ao cerco do Governo"? Como assim? Passadas mais de 3 semanas desde a publicação deste infame artigo do Expresso, a realidade factual não encaixa de todo nesta mentira. De acordo com a ONU, saíram 75.000 civis de Guta. De acordo com o governo sírio, saíram 135.000 (ler: Zakharova: Operation to eliminate terrorism in Eastern Ghouta nearing its end). Falta libertar apenas uma cidade, Douma, onde se encontrarão no máximo 30.000 civis. De onde vem esse número de 400.000? Alguém na AI Porto pode me explicar este questionável número? E se não pode, pode me explicar por que razão a AI Porto partilhou este muitíssimo questionável artigo?

 

E depois, a sério, encurraladas devido ao cerco do governo? Como assim? O governo sírio cerca Guta e exige a rendição de organizações terroristas internacionais financiadas e armadas pela Arábia Saudita e por membros da NATO. Felizmente, quase todos os grupos já se renderam. Falta apenas a rendição do Jaish al-Islam, o mais brutal e bárbaro grupo terrorista presente na Síria. Estes, e todos os outros que já se renderam, mantinham reféns milhares de civis, e inclusive mataram a tiro vários manifestantes civis (em Hammuriyah, Sabka e Kafr Batna) que exigiam sair de Guta rumo à segurança oferecida pelo governo (ler: Amnistia Internacional Portugal, mentirosa e incondicional apoiante do terrorismo ocidental (1/3)). Pior, cerca de 5.000 civis de Douma encontram-se ainda presos nas 2 "prisões do arrependimento" do Jaish al-Islam em Douma, prisão para civis que recusam apoiar esta extrema organização terrorista internacional (incluindo mulheres e crianças), como indica Vanessa Beeley no seu artigo: Síria: Jaish al-Islam volta a atacar Damasco a partir de Douma, por Vanessa Beeley, e que neste momento se encontra precisamente em Guta! E a culpa, de acordo com Mafalda Ganhão, é do cerco do exército sírio? E a AI Porto partilha estas "questionáveis" mentiras? E por onde anda o humanismo das gentes da AI quando civis são mortos a tiro em Hammuriyah por protestarem em favor do foverno sírio? E por onde anda o humanismo das gentes da AI quando civis são executados em prisões dos "rebeldes" terroristas do Jaish al-Islam em Douma? Que vergonha!

 

"A população que resta começa a ficar sem espaço para fugir, à medida que se aproximam as forças governamentais." Outra vez? Mas a população já saiu praticamente toda, com ajuda e escolta das forças governamentais! E está a ser alojada pelo governo sírio e assistida pelo Crescente Vermelho Árabe Sírio! As forças governamentais aproximam-se (aliás, aproximaram-se pois já é passado) e ajudaram a libertar esses 135.000 civis sírios! Tanta descarada mentira facilmente desmontável:

 

Hundreds of Ghouta families received at al-Harjalah temporary housing center

 

 

 

4º parágrafo - "Já este sábado, o regime sírio anunciou ter recuperado aos rebeldes duas localidades em Ghouta oriental, enclave dos insurgentes nos arredores de Damasco, indicou uma ONG." Duas? Sinceramente! Não me vou repetir, já partilhei acima o mapa interactivo de dia 17 de Março, assim como uma longa (mas não exaustiva) lista de cidades e vilas já recuperadas à data. E a AI Porto, não questiona estes comprovados disparates?

 

5º parágrafo - "Com o apoio do aliado russo, foram recuperadas as localidades de Kfar Batna e Saqba". Ora bolas, acabo de ler duas e, agora, somando Hammuriyah a Kafr Batna (e não Kfar Batna, como foi escrito no artigo do "questionável" Expresso), já conto 3! Em que ficamos!?! Pior, como já indiquei acima, à data, o número era bem maior que 3!

 

"Numa zona controlada pelo grupo islamita Faylaq al-Rahmane". Ah sim? Agora é que esta jornalista do Expresso e a AI Porto (que questionavelmente partilhou esta trapalhice sem pés nem cabeça) se enterraram de vez! Uí, nem sei por onde começar! Faylaq al-Rahmane? Será que esta senhora tem a noção da VERDADE que inseriu no seu artigo? Sim, sim, o grupo terrorista Faylaq al-Rahmane encontrava-se no terreno. Islamita? Ok, se gostarem do termo. O problema não está aí. O problema é que esta organização, islamita ou não, e como estou farto de dizer em artigos deste site, faz parte de um conjunto de organizações terroristas internacionais que lutam juntas sob a bandeira das FSA (Exército de Libertação Sírio) que a AI apelida de "rebeldes libertadores"! E agora? Primeiro, sim, são islamitas terroristas como sempre disse eu, e não "rebeldes" lutando pela democracia como sempre disse a AI Portugal. Segundo, sim de acordo com a própria FSA (constantemente apoiada e citada pela AI nos seus artigos das suas páginas oficiais), o grupo terrorista Faylaq al-Rahmane faz parte das FSA. E agora, em que ficamos cara AI Porto? Brincamos com coisas sérias?

 

A Setembro de 2017 as FSA comunicaram a sua própria lista de organizações (terroristas) pertencentes à assim chamada FSA. Quer vê-la? Ei-la:

 

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Veja lá se não encontra na lista acima o nome Rahman Corps, versão inglesa de Faylaq al-Rahmane? Sim, e então? Então AI Porto, por que questionável razão se decidiram por partilhar um artigo do Expresso que chama "islamita" (terrorista) a uma organização pertencente às FSA que, segundo a AI, é uma organização de "rebeldes moderados" pró-democracia? Hein? Para os mais curiosos, fica aqui um artigo que escrevi na altura sobre o tema, com um título claramente irónico: Afinal sempre vai haver Exército de Libertação Sírio, por Luís Garcia.

 

Entrada da Wikipédia sobre o grupo Faylaq al-Rahmane: https://en.wikipedia.org/wiki/Al-Rahman_Legion 

 

Ainda para os mais curiosos, partilhei acima  uma página da Wikipédia (imagine, até a Wikipédia deixa passar isto!) na qual é textualmente dito que esta organização terrorista não só faz parte das FSA, como, espantoso (não para mim,  mas enfim), é aliada de:

  • Tahrir al-Sham, ou Frente al-Nusra, os nomes pela qual é eufemisticamente conhecida a al-Qaeda na Síria
  • Jaysh al-Islam, o mais bárbaro, extremista e sanguinário grupo terrorista presente na Síria.
  • Ahrar al-Sham, outro bem conhecido grupo extremista. "Extremistas" aliados de "moderados", como assim AI Porto?

 

Ah, claro, e também é dito, correctamente, que o grupo Faylaq al-Rahmane faz parte do "moderado", "libertador" e muito querido FSA apoiado pela AI. Mmmmm, e agora, em que ficamos AI Porto? A AI apoia o terrorismo ou apoia as vítimas do terrorismo na Síria? É que foram apanhados em irremediáveis contradições!

 

Para os mais cépticos, sim, a AI apoia essas super questionáveis FSA. É enorme a quantidade de artigos da AI nos quais se podem ver bandeiras das FSA, acompanhadas de textos apoiando as FSA. Não, não tenho pena, provas de que a AI apoia as FSA e de que as FSA são uma associação de dezenas de grupos comprovadamente terroristas, é coisa que não falta. Depois é só fazer as contas. Se não tiver o caro leitor infectado de pós-moderno relativismo, 1+1 sempre lhe resultará em 2! Não, não tenho pena! Não. Como convicto humanista pacífico, não tenho pena mas si nojo da Amnistia Internacional, vezes sem conta apanhada apoiando terrorismo, terrorismo de estado, invasões da NATO, criminosos embargos e sanções, ilegais chantagens de países poderosos contra países indefesos, e por aí fora. Não, não, malta da AI não me dá lições de moral! 

 

Quer um exemplo concreto? Ok, mas depois faça o trabalho de casa, vasculhando os vários sites da AI, como eu faço:

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Questionemos o comentário da AI Porto

Questione agora, caro leitor, o próprio comentário do gestor da página AI Porto, não sei antes ler os inevitáveis printscreens desse comentário e dos meus consequentes comentários. Bom, enquanto não forem apagados, os comentários podem ser lidos aqui: 

 

Assim que forem apagados e a minha pessoa bloqueada, como por norma acontece em páginas da AI Portugal, ainda as poderá ler graças a estes printscreens:

 

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Leu tudo? Ok, recapitulemos os 2 comentários essenciais. No primeiro, o gestor da página de facebook da AI Porto, visivelmente desagradado com o meu comentário ao artigo do Expresso partilhado pela AI Porto na sua página, disse que:

Luís Garcia, em vez colocar informação questionável na nossa página, contacte por favor a Amnistia Internacional Portugal, pois a sede pode informá-lo melhor quanto aos assuntos em causa.

 

No meu último comentário, respondi-lhe assim:

 Para acabar, a parte MAIS QUESTIONÁVEL do seu comportamento:
1 - se acha que é questionável o meu artigo, é por que o LEU.
2 - se me manda contactar a Amnistia Internacional Portugal, então é porque NÃO LEU o meu artigo, visto que a quase totalidade do artigo é sobre, precisamente, as minhas anteriores trocas de emails com o director da AI Portugal!
3 - em que ficamos?

 

Desacreditar a Amnistia Internacional Portugal e suas filiais é por demais fácil! Pior, estas desacreditam-se a si próprias!

 

Luís Garcia, 08.04.2018, Ribamar, Portugal

 

 

 

 
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Pedro Neto não diz a verdade quando afirma que a AI "não usa conteúdo dos White Helmets", por Luís Garcia

 

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Luís Garcia POLITICA SOCIEDADE  

 

Pedro Neto, director da Amnistia Internacional Portugal, não diz a verdade quando afirma que a AI "não usa conteúdo dos White Helmets". Quer um exemplo simples e perfeito que prova o preciso contrário daquilo que é dito nesta frase que citei?

1 - Veja a conta de Asaad Hanna, conhecido propagandista dos White Helmets aqui.

2 - Dê uma olhada no infinito caudal de posts apoiando essa organização comprovadamente terrorista.

3 - Se tem dúvidas sobre o carácter terrorista dos White Helmets, leia estes artigos: White Helmets, humanistas ou terroristas? Parte 1White Helmets, humanistas ou terroristas? Parte 2  e White Helmets, humanistas ou terroristas? Parte 3.

4 - Para confirmar que Pedro Neto negou esse facto (uso de conteúdo dos White Helmets por parte da AI Portugal e restante AI), leia este artigo Amnistia Internacional Portugal, mentirosa e incondicional apoiante do terrorismo ocidental (1/3).

 

Está feito? Agora vejam esta partilha de Asaad Hanna no seu Twitter:

 

2018-04-07 22-50-43 vanessa beeley on Twitter   US

 

Agora vejam esta foto no Instagram da Amnistia Internacional Portugal:

 

 

E, para completar, vejam estes artigos da Amnistia Internacional:

 

E já agora, repararam que a foto é claramente uma encenação, ao péssimo bom estilo dos White Helmets? Sim ao estilo disto:

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Mais:

 

Luís Garcia, 07.04.2018, Ribamar, Portugal

 

 

 

 
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