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Pensamentos Nómadas

Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

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Nomadic Thoughts - Pensées Nomades - Кочевые Мысли - الأفكار البدوية - 游牧理念

Panorâmicas da Tailândia (2014)

 

Fotografia

 

 

FOTOGRAFIAS PANORÂMICAS INTERACTIVAS

 

Temple de Pha Sorn Kaew I

 

Temple de Pha Sorn Kaew II

 

Visite o meu perfil 500px para ver uma selecção das minhas fotografias da Tailândia!

 

Luís Garcia, 28.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Panorâmicas da Arménia (2014)

 

Fotografia

 

 

FOTOGRAFIAS PANORÂMICAS INTERACTIVAS

 

Agarak 

 

Khor Virap

 

Ierevan

 

 

Visite o meu perfil 500px para ver uma selecção das minhas fotografias da Arménia!

 

Luís Garcia, 28.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Emoji Reaction, a novidade do Facebook

 

 

facepiças

 

 Luís Garcia  SOCIEDADE TECNOLOGIA

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Adoro - parece a sociedade Tailandesa, pois que neste país quando se gosta, quando se adora, quando não se gosta, ou mesmo quando se detesta algo ou alguém, o que a malta faz, invariavelmente, é mostrar um sorriso (amarelo ou não) e dizer Kha/Khap. O Facebook, imbuído do mesmo espírito, diz-nos que podemos dizer se "gostamos", ou se gostamos muito, mas insiste em não nos deixar dizer que "não gostamos", não se percebe.

 

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Riso - sim, é de rir o botão, assim como a ideia de o incluir nas opções possíveis. Então mas este pessoal acha que não se usa já emojis que chegue e que sobre? Não, aparentemente não, há palavras a mais e emojis a menos, e com esta medida pode ser que consigam de vez fazer a malta deixar de se expressar por palavras e passar a fazê-lo exclusivamente por bolas amarelas (e outras cores) com riscos pretos lá dentro. Boa!
 

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Surpresa - voltamos ao mesmo, minimizar a linguagem humana. George Orwell era um menino ingénuo, um amador. Qual simplificar a linguagem num futuro (já presente) distópico, qual quê, criando a "novalingua"! Acaba-se é com a snobisse de uma vez por todas! Usem emoticons e emojis, mazé!
 

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Tristeza - feito a pensar naqueles que se sentem tristes por não terem (ainda) o botão "não gosto" que tanta falta lhes faz. Tristeza por constatar que Zuckerberg insiste em não aceder ao pedido de um quinto da população mundial, a qual desespera pela aparição do botão "não gosto". Poderiam acrescentar ainda o botão "desespero", que bem melhor transmitiria as emoções desse 1/5 da população pela falta do raio do botão, e daquela meia dúzia de freeks que sabem que são espionados à bruta pelos serviços secretos ocidentais através do Facebook e que insistem, como eu, em continuar a utilizá-lo por crerem no potencial positivo desta rede social enquanto fonte de informação horizontal e descomprometida com os interesses económicos censuradores e auto-censuradores.
 

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Ira - Há quem diga que é este o botão que se deve usar quando não se gosta de uma publicação. Mas não! Discordo. Uma pessoa racional e equilibrada, que não goste de uma publicação, deveria conseguir não-gostar sem se enervar e sem entrar em ataque de raiva. Pelo contrário, deveria conseguir provar com argumentos racionais e sensatos o porquê do seu descontentamento. Este botão de "ira", a ser aplicado enquanto aproximativo de "não gosto", só servirá de forma de expressão para aqueles que não tendo razão nem argumentos, se enraivecem por não os ter! Penso eu de que! Ahahahah, ou melhor, :D .
 

Luís Garcia, 27.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Cuidado com os artistas

 

 

 

RICARDO MINI copy  SOCIEDADE 

 

A espécie humana é peculiar no reino animal por ser a única capaz de criar um mundo ilusório e tomá-lo por real ao ponto de a própria visão sensível já não ser capaz de enxergar o que os seus conceitos superficializam, o que a sua língua volatiliza, o que o seu pendor idealista e metafísico desmaterializa e o que o seu entendimento ignora da realidade inescrutável pelo intelecto humano, o que o desfasa de todas as restantes formas de vida sensível, por se desarreigar de uma vivência natural plena.

 

Aberrante, então, é a raça dos artistas.

 

Se nos dermos à empresa de conhecer a história pessoal da esmagadora maioria dos artistas, principalmente os de relevo histórico-cultural, e munidos de uma certa quantidade de conhecimento na disciplina da psicologia, facilmente traçamos perfis de desequilíbrio psíquico.

 

E, tal, não é tão abstruso como possa parecer ao apreciador médio de arte. Basta compreender o seu modus operandi, que passa, grosso modo, por, perante a rejeição social a que são sujeitos, muitos deles até tendo passado por graves problemas no que diz respeito ao desenvolvimento emocional e pessoal no seio da própria família, se isolarem num mundo idealizado que vão orquestrando imaginativamente. Mundo esse que é a base para a sua projeção externa da forma como a realidade se deveria apresentar perante eles. Na ignorância científica de que a maioria padece, facilmente o que poderia devir em algo que representasse uma melhoria realista para o mundo humano resvala para uma utopia. E, então, o encerramento dentro de si mesmo consolida-se, ora sob a forma de um embriago de felicidade tola, ora mais comummente sob a forma de um pessimismo que pode ser lido na sua misantropia irremediável, quando decidem que aquilo que veem à sua volta, e que não passa da corporização do um determinado conteúdo cultural, compõe a “natureza humana”.

 

E é da misantropia que pode derivar uma certa perda de aptidão para a empatia de que muitos padecem, reduzindo-se a sua sentimentalidade às formas frias estilísticas através das quais a exprimem, viciando-se na sua produção artística e negligenciando as relações humanas. Isso foi genialmente explorado por Ingmar Bergman nos seus filmes, como por exemplo “Sonata de Outono”, no qual Ingrid Bergman personifica magistralmente alguém com o perfil psicológico que tracei.

 

Ensimesmados, arrastam para a perdição humana toda a gente que toma contacto com o seu diletantismo, por submissão a um ideal positivo ou negativo que projetam e com base no qual interpretam toda a operabilidade do universo.   

 

Mais cedo ou mais tarde, as pessoas que assumiram essas ideias acabarão por esbarrar com uma realidade oposta, à qual atribuirão, por uma postura não científica, a qualidade de humanamente insolúvel, perdendo-se, possivelmente para sempre, da possibilidade de fruir o mundo para além do efeito visceral do bolo que resultou do vício de mastigar a realidade com as mandíbulas da ficção e interioriza-lo como se fosse real.

 

Ricardo Lopes

 

 

 

 
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Viciados em decepção

 

  

    ANACLETO  SOCIEDADE

 

Fizeste um post na máquina de consequências. Agora esperas que o teu esforço, o teu texto, o teu jantar, o teu gosto musical, as tuas férias, sejam validados. Um “fixe”. Dois, três, sete ...Mais? Só. Ninguém dá mais? Como é possível? Precisas de mais. Estás a suar. Alguma coisa correu mal. Refresh! Respira. Tenta outra vez. Pega no telemóvel. Carrega no botão. Faz um L. Desbloqueou. Abre novamente. Refresh! NADA!!! Sentes um nó na garganta! Refresh! Nada! Vê o post do teu amigo. Ele/a já tem dez. Foca‑te! Faz like! Espera. Oito! Yes!... Ninguém dá mais? Gastaste toda a tua gasolina. Ninguém reparou. Enche o depóstiso. Mostra-te um pouco mais, talvez de outro ângulo. Um “fixe”. Refresh! Dois, três, quatro ... cinco. Mais, precisas de mais!!! Refresh! NADA! O coração bate forte. Estás ofegante. Ninguém gosta de ti. Não percebes. Refresh! Vê a publicação anterior. NADA! Estás preso/a. Não avanças enquanto não fores validado/a. Faz uma pausa. Voltaste. Refresh! Há sinais no canto superior direito. O coração bate forte, há um sentimento incrível e mordes os dedos! Parece Natal. Decepção! O nó na garganta passou para o estômago. Era um evento, e alguém comentou no post da tua amiga. Se ao menos eu fosse como ela. Seis! Mais um “fixe”. Yes, que bom! Vamos lá! Quem dá mais? Preciso de mais! O dia já vai longo e não foi desta que foste viral. Refresh! Nada! Persegues o fantasma! Refresh! ... Refresh! Refresh! Faz refresh escravo! Algo caiu no chão. O visor está intacto. Ufa! Refresh! Nada! Gritas por dentro. És invisível. Já passa da meia noite, hora de dormir. Passaste o dia nisto. Algo te roubou um dia inteiro e não sabes quem foi. As horas passaram tão depressa. Não fizeste o que querias. Ninguém reparou em ti. Ninguém quer saber de ti. Quem sou eu? Eu não existo? Mais! Preciso de mais por favor! Não me deixem ir assim. Pensa positivo. Coragem, mais uma vez. Refresh! Refresh! Porque é que isto está a demorar tanto tempo! NADA!? Grita na almofada. Desespero. Chegaste ao fim da linha e adormeces. Acordas a meio da noite. Refresh! Isto faz doer os olhos! Refresh! Nada! Não consigo largar isto! Algo está errado. Adormeceste, e contigo o teu narcisismo. Deixa-o estar, que assim é que ele está bem. Estás viciado/a em decepção. Não faz mal, amanhã é outro dia. Acordaste. Refresh!

 

Pedro Anacleto, Porto, Fevereiro 2016

 

 

 
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Narcisismo artístico na Sociedade do Espectáculo

 

 

(a conta 500px do artista, para os atentos, hehe) 

 

  SOCIEDADE Fotografia Luís Garcia 

 

Olharização do 500px

Vou vos contar a saga inacreditável de um novo utilizador do 500px, um site onde é suposto os utilizadores partilharem as suas (melhores) fotos, e onde se podem avaliar as fotos dos restantes utilizadores através de "likes" que dão pontos e através de comentários (em princípio críticos, no saudável sentido do termo).

 

No momento em que se inscreveu, há um mês e meio atrás, admito que o 500px já tinha se desviado muito da lógica racional, da sua utilidade enquanto meio de aprendizagem de fotografia pela comparação com o que há de bom e mau, melhor ou pior, tecnicamente desafiante, etc. O 500px tem mudado, e contínua a mudar, para pior na minha sincera opinião, sofrendo uma progressiva e lamentável olharização. Inventei o termo partindo do nome do site português Olhares, dentro do mesmo conceito, site onde ninguém se interessa por aprender fotografia, nem tampouco criticar objectivamente o trabalho dos outros, mas sim comentar fotografias do género "excelente! aproveito para o convidar para visitar a minha galeria", entre outras dezenas de variações igualmente narcisistas e fúteis que tornam impossível que uma boa foto, a melhor do mundo quiçá, se destaque por votação, e permitindo ao mesmo tempo que os maiores vómitos fotográficos da humanidade cheguem ao topo da classificação graças ao spam que me referi acima. A malta vota às manadas na javardice fotográfica uns dos outros, empurrando para o esquecimento e sem piedade uma foto de um Cartier-Bresson ou um Sebastião Salgado que não desça ao nível vil de votar em merda para ser retribuído com votos.

 

Voltando ao nosso artista fotógrafo, para meu grande espanto, conseguiu me convencer, pelo seu comportamento neste mês e meio, que os spamers narcisistas do Olhares são mesmo uns meninos, gente fraquinha mazé! Querem saber porquê? 

 

Manipulação de zeros e uns

Antes de mais explico que só me dei conta do fenómeno porque conheço-o pessoalmente e com natural interesse decidi seguir a sua conta nos primeiros dias, visto que também sou utilizador do 500px. Só quando me apercebi do enorme fenómeno de manipulação realizado por este é que passei a monotorizar a sua conta diariamente durante as últimas semanas! Vamos lá:

 

Desde o início de 2016, que corresponde à criação da sua conta 500px, o artista tornou-se muito activo publicando às dezenas fotos de cada vez, fotos que pareciam melhor encaixar num álbum de férias do que numa selecção de melhores fotos de alguém, mas enfim, nos dias de hoje "tudo é arte"... Mais, criou algumas categorias para organizar as suas súbitas centenas de fotos. Até aqui tudo bem.

 

O problema começa poucas semanas depois, quando o artista se apercebe que assim não iria a lado nenhum e, como leva a crer, se incluirá na categoria de artistas incompreendidos, em vez de evoluir a técnica de fotografia, em vez de estudar fotografia, em vez de comprar um melhor aparelho fotográfico, em vez, sem lá, de simplesmente passar mais tempo a tirar mais fotos, não, decidiu fazer tudo ao contrário.

 

De uma assentada apagou todas as suas fotos a cores, apagou quase todas as suas fotos a preto-e-branco, eliminou as categorias de fotos e adicionou um título incompreensível de artista incompreendido ao seu perfil:

Through the lens of my camera, I can see the world in black and white. Without the distraction of color, I focus exclusively on the soul.

 

Em simultâneo começou a sua campanha de manipulação de números. De forma a obter à força os tão ansiados e ausentes seguidores da sua conta, o artista decidiu passar a gastar quantidades colossais de tempo likando fotos e seguindo perfis de centenas de outros utilizadores, de forma a que esses se sintam (uma parte deles, pelo menos) obrigados a retribuir de igual forma. De acordo com as minhas estatísticas, no início, por cada 100 novos perfis seguidos pelo Artista, 10 de esses passaram a segui-lo também (ultimamente a média tem estado inclusive melhor), o que, embora prove lamentavelmente que no 500px  existe pelo menos uns 10% com a mentalidade de toma lá dá cá, prova também, felizmente, que não são 99% como no Olhares.

 

Em curtos espaços de horas, o Artista sobe às centenas o número de outros perfis que decide seguir. Na minha opinião é impossível tomar-se deveras atenção ao que outros criam de interessante quando se clica seguir 100 perfis numa hora. A esta escala industrial e robotizada não só não há tempo nem cabeça para uma escolha honesta (racional e/ou emocional), como o resultado é uma tal montanha de perfis seguidos que da próxima vez que quiser ver uma dada foto magnífica ou um excepcional perfil, andará à procura de agulhas em palheiros. Comportamento que julgo ser, numa perspectiva didáctica, absolutamente nulo.

 

Mas vamos aos números: subitamente passou a seguir 900 outras contas, para subitamente deixar de as seguir pouco tempo depois, descendo esse número para 300. De novo subiu para 1000 contas seguidas, para dias depois descer para 100 seguidas. E voltou a seguir contas até subir a 400, caindo de novo a 100, e uma vez mais até 400 e de novo 100. Neste momento (hoje) já vai outra vez em 500 perfis seguidos. Graças a estes 3200 perfis temporariamente adicionados, o Artista que começara (como é lógico) com 0 seguidores, já vai agora quase em 500. Ah, grande artista! E não, isto não se passou num espaço de tempo de 4 ou 5 anos, mas sim de 4 semanas!

 

Muitas das fotos a preto-e-branco apagadas, voltaram a ser publicadas sem edição de melhoramento ou outro motivo lógico. Apenas para que agora possam ser mais vistas e possam receber mais likes. E também para algo mais que considero profundamente desonesto: quando se apaga uma foto o número total de votos da conta não desce, mas quando essa foto é republicada, como é óbvio, o número total de votos da conta cresce. Daí ser comprensível que um utilizador honesto apenas em situações excepcionais apague e faça reupload de uma foto na qual encontre um flagrante defeito. Daí que eu chame desonesto ao nosso Artista, uma vez que o faz ao inverso, fá-lo de forma sistemática e grosseira, a uma escala industrial!

 

Voltando aos seguimentos súbitos, já imaginaram o  tempo perdido a seguir milhares de outras contas, dar-lhes muitos likes em suas fotos para que eles nos sigam e nos dêem likes de volta, tempo que poderia ter sido gasto a ler um livro de fotografia, a fazer fotos de aprendizagem, a ver com olhos de ver algumas poucas mas boas fotos de outras contas aprendendo nessa observação?

 

E que dizer dessas milhares de contas que o Artista seguiu durante umas horas ou dias, tempo estritamente necessário para receber de volta seguidores e com eles muitos likes? Podia simplesmente ir adicionando ao longo do tempo milhares de contas, de forma a que os donos dessas contas o seguissem também (como de facto fazem), mas não, num completo desprezo por aqueles que votam nas suas fotos medíocres e as tornam em sucessos de votação, este utilizador acumula seguidores mas apaga-os aos packs logo depois, como se fossem mercadoria fora de prazo, como se fosse uma linha de produção optimizada de eliminação de contas seguidas! .Não há empatia sequer, nem respeito nenhum por essas pessoas que, dando like por like, dando following por following, o transformam em Fotógrafo com F grande no mundo do faz de conta dos Zeros e Uns!

 

Insisto, porquê apagá-las? Porquê não deixar acumular? Uma vez mais, uma questão de manipulação de números no Reino dos Zeros e Uns. Neste momento o Artista seguiria já 3200 contra os 500 que o seguem. Esta proporção, a seu ver, especulo eu, passa a ideia de que é um fotografo fraquinho que precisa de seguir muitos para ter alguns seguidores (o que é grotescamente verdade). Solução? Seguir milhares, sempre aos packs e durante curtos espaços de tempo e depois cair de novo para 100. Desta forma, enquanto 500 pessoas (sempre a crescer) o seguem, ele, O Artista, apenas segue aparentemente 100. Portanto, o Artista é um artista... graças à manipulação de números, ahahah! 


Resultado de toda esta manipulação de zeros e uns: vai se afogar em autostima com as centenas de votos que ele melhor que ninguém sabe serem artificiais, ficando sem saber o que é uma boa ou uma má foto sua, auto-impossibilitando-se de evoluir. Não vai olhar nunca com olhos de ver trabalhos fotográficos de outras contas, daí que não evoluirá tampouco pela comparação com outros (melhores ou piores). Aqui está a essência do narcisismo espectacular!

 

Ontem, enquanto começava a esboçar este artigo, o Artista voltou a apagar fotos e a republicá-las, para algumas é inclusive a TERCEIRA vez que são publicadas neste curto espaço de tempo, uma vez mais multiplicando a contagem total de likes (que não desce quando uma foto é apagada) e aumentando o seu potencial falso-artistico pois é óbvio que agora tem mais seguidores que das 2 vezes anteriores! Enfim! Como diria o outro: "um artista, é um bom artista!".

 

Sociedade do Espectáculo

Numa sociedade mentalmente sã, seria normal encontrar pessoas que achariam interressante analisar de forma objectiva os votos e comentários recebidos, aprendendo nesse processo sobre si próprio e sobre as suas próprias fotos. Sobre uma foto sua com pouca reacção gerada, perguntar-se-ia "que há de errado com esta foto?". Noutra, com uma inesperada grande reacção diria a si próprio "é assim tão boa a minha foto"? Pela reacção dos outros ao nosso trabalho aprendemos muito sobre esse trabalho O contrário também é válido, ver fotos do mesmo género de outros autores melhores e piores tecnicamente, ler as especificações técnicas das suas fotos, quiçá encontrar uma explicação ao lado da foto de como esta foi obtida, permite aprender pouco a pouco pela comparação com o nosso trabaho. Eu aprendi algumas técnicas de fotografia assim: vendo fotos que me espantavam e que eu não fazia a mínima ideia como se faziam antes de tirar fotos; agora, analisando a diferença com as minhas tentativas falhadas, posso tentar perceber o que fazem que eu não faço, e vou fotografar de novo até conseguir obter o mesmo tipo de efeito. A partir daí tenho mais uma ferramenta que poderei utilizar na próxima vez que me apetecer ir tirar fotos E assim, ao seguir o trabalho dos outros aprende-se a fotografar. 

 

Ao comparar o nosso com o dos outros percebe-se onde estão as nossas fraquezas; temos um incentivo e um guia para a evolução e melhoramento; Hoje em dia, com a "olharização" do 500px, temos merdas cagadas com centenas de votos de compadrio, e fotos magnificas que, por entre o oceano diário de milhões de novas fotos, passam despercebidas. Assim, como é que um novo utilizador pode aprender algo sobre as suas fotografias e as dos outros? Já não pode, pois já se perdeu a integridade e a objectividade na avaliação do conteúdo fotográfico do site. E depois, quanto ao novato, talvez nem sequer queira aprender nada. Talvez apenas queira ser vedeta instantânea. Apenas queira o rótulo imediato de artista e respectiva consagração virtual, pouco se cagando para a Fotografia em sim...

 

Ou, em particular, que aprende o nosso Artista ao apagar uma (muitas) fotos com 10 votos, esperar umas semanas até ter artificialmente conquistado 500 seguidores, para depois uploadá-la de novo e obter 100 ou 200 votos? A foto ficou melhor entretanto? O artista evoluiu entretanto? Não me fodam. Narcisismo infantil ensinado pela nossa sociedade de cariz individualista e superficial, que incentiva o protagonismo rumo ao estrelato, em vez do convívio e aprendizagem com o convívio! Ou a sensibilidade do mundo 500px mudou entretanto e o que era fraco e not fashion, é agora trend? Mas claro que não, o upload e reupload foram feitos, não num intervalo de 5 anos, mas sim de apenas 2, 3, 4 semanas. Nada mudou, excepto o número de followers artificialmente obtidos. Se o nosso Artista não repetisse fotos apagadas, até poderia se colocar a hipótese da subida gradual de likes por foto se dever a uma subida gradual da qualidade do seu trabalho. Como o Artista faz o favor de apagar e por de novo as mesmas fotos, fornece-nos a prova factual, precisa, concreta, de que nada melhorou... pois são as mesmíssimas fotos! Subiu de 10 para 200 likes? Como? Ahhhh, ai está a Sociedade do Espectáculo em todo o seu explendor!

 

 A alma do preto-e-branco

Querem mais uma achega à desonestidade artistica: o artista, depois de ter em poucos dias uploadado centenas de fotos, das quais quase todas eram a cores, apagou-as todas uns meros dias depois, passou a uploadar apenas fotos a preto-e-branco e adicionou esta frase já acima citada "Through the lens of my camera, I can see the world in black and white. Without the distraction of color, I focus exclusively on the soul." (Através da lente da minha câmera, consigo ver o mundo a preto e branco. Sem a distracção da cor, foco-me exclusivamente na alma). Não é preciso dizer mais quanto à desonestidade colorida. Ou sim, lembrar que o artista ver-se-á, quer queira quer não, distraído pelas cores que os seus olhos captam ao olhar pelo buraquinho da sua câmera digital, ahaha... só depois de clicar para obter a foto digital, é que a foto a cores é digitalmente processada e passa a preto e branco de acordo com as opções digitais de preto-e-branco aparentemente seleccionadas. Daí que, insinuar que essa alucinação metafisica a que dá o nome de "alma" seja a sua fonte de inspiração é, em primeiro lugar, digitalmente desonesto, e em segundo lugar, desonesto! 

 

Artista imcompreendido

Uma último detalhe interessante: a produção de títulos à artista incompreendido e à artista inspirado como "humano" a cada vez que fotografa uma pessoa, ou "poluição" quando fotografa uma central eléctrica de cujas chaminés não sai absolutamente fumo nenhum, ou "consequências da crise económica" quando fotografa um edifício abandonado do Portugal em crise económica mas que podia perfeitamente ser a foto de um qualquer outro edifício abandonado de um qualquer próspero país, ou "lendo sobre a crise económica" quando fotografa um português lendo um jornal, sem saber sequer se o homem estará a ler a secção desportiva ou a consultar os classifcados! O facto de estes dramáticos títulos estarem em inglês multiplica o seu efeito aos olhos de quem , nestes 2 últimos exemplos, a miséria portuguesa através das obras de arte fotográficas do artista, ahahah! "Sensacionalismo artístico" chamo eu a isto, para ser simpático! "Desonestidade artística", para me poderem chamar de "hater"!

 

Por tudo isto, caro Artista: força, baseia-te sobretudo em ideias metafisicas de "inspiração" e "alma das coisas" para te auto-enganares e te convenceres que és Um Artista, nestes tempos em que toda a gente anseia ser Artista com A grande, famosos e amado, e tudo isso de forma expontânea! Suor, trabalho e dedicação são paranóias de gente freek, pois claro!

 

E não, não me venham foder a cabeça chamando-me de "hater", esse anglicismo usado, abusado e violado à força ultimamente pois, quanto à desonestidade (e em especial à de pseudo artistas que se crêem incompreendidos), eu não a odeio, eu apenas a desmonto criticando-a, como fiz nos parágrafos acima. Em vez de me chamarem "hater", leiam este excelente artigo sobre "haters": Qui sont les "haters"?

 

Honestidade ou morte, venceremos, ahahahah! 

 

Luís Garcia, 19.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Qui sont les "haters"?

 

 

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Claire  SOCIEDADE  en français

 

Une nouvelle catégorie d’acteurs est née sur internet, et fait beaucoup de mal : les «haters» (haineux traduit en français). Qui sont les haters ? Manifestement des «méchants», motivés par des sentiments négatifs.


Quelques définitions ont déjà été données, l’une d’elles désigne HATER comme sigle de Having Anger Toward Anyone Reaching Success. Cette définition nous donne un très bon aperçu de la manière dont on veut que la masse perçoive les haters : des gens jaloux, frustrés, dont le plus grand plaisir est de médire de la réussite de ceux qui ont du mérite, et découlant de cela, de se réjouir du malheur des autres. Et se trouvant dans cette position de haine ils doivent eux-mêmes être des loosers, des ratés sans talent («ever met a hater doing better than you ?.... Me either») et deviennent enragés lorsqu’ils constatent que d’autres en ont et connaissent le succès.

Pour confirmer ces faits, il va falloir creuser un peu. D’abord d'où vient cette expression ?  Apparemment les gens touchés par le succès le sont aussi par le venin des haters. Mais voilà, le succès appelle la célébrité, et il est évident que celle-ci n’amène pas toujours que de bonnes choses.


A propos du « succès », Victor Hugo au 19e siècle, soulignait déjà que le succès et la notoriété n’allaient pas de pair avec le talent. Et c’est on ne peut plus vrai à notre époque. Et je pense que Victor Hugo était à mille lieux d’imaginer ce qui aujourd'hui fait que les gens ont du succès, deviennent «connus».


Les gens qui acquièrent quelque notoriété, ne serait-ce qu'à une toute petite échelle, devraient savoir que celle-ci suscite forcément des réactions, et que ces dernières ne peuvent pas forcément être positives. A partir du moment où l'on produit quelque chose, que ce soit une production intellectuelle, artistique, ou même une idée ou une opinion, on doit s'attendre à ce que des tiers analysent cette production et donnent leur avis à son sujet.


Et comme je me réfère à l'époque à laquelle nous vivons, un facteur important intervient: comme l'a très bien exprimé Ricardo Lopes dans son artice Contre l'opinion http://pensamentosnomadas.org/contre-lopinion-26009, grâce à l'accès à la technologie et à l'information, nous pouvons tous nous exprimer et, effectivement, aujourd'hui tout le monde a la possibilité de donner son opinion, être un artiste ou un écrivain. Le problème de ce monde merveilleux où tout est à portée de nos mains est que souvent nous avons les outils pour ce faire mais nous manquons cruellement d'expérience, de travail et de sagesse pour produire du contenu d'un minimum de cohérence et de qualité, et ainsi réjouir autrui. Alors parfois nous ne réfléchissons pas assez à ce que nous produisons et il en sort quelque chose de médiocre. Ceci est critiquable.

Les réseaux sociaux jouent un rôle crucial dans la diffusion de cette masse de production de Monsieur-tout-le-monde, et je me vois inévitablement déplorer l'absence du bouton «dislike» de facebook. Oui, notre seule option est d'acquiéscer. Mais non, me direz-vous, nous sommes libres d'émettre une opinion quelle qu'elle soit ! Très bien, voici alors un exemple:


Il y a cet «artiste» que je suis sur facebook, il se dit photographe mais objectivement ses photos sont loin du niveau d'un amateur, et techniquement très médiocres. Mais voilà, dans notre monde libre, comme il s'est lui-même qualifié d' «artiste» et de «photographe», tout le monde trouve ça génial. Si je viens librement donner mon opinion et soumettre ma critique, on va me ŕétorquer de manière virulente que je suis «hater», que je suis jalouse car j'aimerais pouvoir en faire autant, etc.


Ceci est, à mon avis la recette typique de l'apparition de haters : une personne ou un groupe profite des moyens offerts par nos sociétés modernes pour se faire connaître (appareil photo de haute qualité, réseaux sociaux…) et abuser d'autres personnes naïves (en s'auto-proclamant «artiste») qui le trouvent génial (likes). Apportant une analyse sur le fond (la qualité des photos) et donc une critique objective (photos médiocres), et allant dans le sens inverse du reste du public, l'avis négatif va provoquer une réaction extrêmement hostile contre le critique et son opinion, qui au lieu d'être analysée sera uniquement considérée comme l'expression de mauvais sentiments (jalousie, frustration, envie…) envers l'artiste incompris.

Mais ceci est bien plus grave que le déchaînement des foudres des adorateurs de tout-ce-qui-se-présente sur ceux qui ont un minimum d'esprit critique. Le fait est que, pour la seule raison d'émettre une critique rationnelle et construite sur quelque sujet, une personne va être systématiquement exclue de tout débat et de tout espace d'expression: en effet après l'émission d'une critique, qui se veut constructive, une personne cataloguée de «hater» sera automatiquement discréditée, et son opinion considérée à l'avance comme du venin n'aura aucune chance d'être écoutée ni répandue. Qui sont les «haters», donc ?


Des gens qui disent du mal par plaisir, sans pouvoir argumentatif? Cela a toujours existé, on ne les avait pourtant pas dotés d'un tel sobriquet.


Des gens qui analysent ce qui se présentent sur le FOND, doués d'un esprit rationnel et critique, et se permettent d'émettre un avis, dérangent sans-doute beaucoup plus, troublant les paradis artificiels où tout est beau et bien, et où tout le monde est d'accord.

Pour finir sur une note positive, je tiens à féliciter le talentueux communiquant qui a créé ce terme, qui fait qu'on refuse d'entendre celui qui réfléchit avant même qu'il ait ouvert la bouche.

 

Claire Fighiera, 18.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Sudeleste 2007: Os Vídeos

 

VIAGENS Luís Garcia

 

Eu ando pelo mundo, E os automóveis correm para quê? As crianças correm para onde? Transito entre dois lados de um lado, Eu gosto de opostos, Exponho o meu modo, me mostro, Eu canto para quem? (Esquadros, Adriana Calcanhoto)

 

 

Ao longo da viagem SUDELESTE 2007 fomos filmando pequenos vídeos nos quais pode encontrar lagos salgados, concertos ao vivo, percursos de comboio ou à boleia e até uma noite passada num estádio de futebol em construção, na Eslovénia, entre muitas outras situações insólitas. Estes vídeos encontram-se disponíveis na internet, e se quiser visualizá-los basta clicar encima dos seguintes títulos:

 

 

 

 

 

 

Luís Garcia, 17.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Sudeleste 2007: Os Álbuns de Fotografia

VIAGENS Luís Garcia

 

 

Eu ando pelo mundo, E os automóveis correm para quê? As crianças correm para onde? Transito entre dois lados de um lado, Eu gosto de opostos, Exponho o meu modo, me mostro, Eu canto para quem? (Esquadros, Adriana Calcanhoto)

 

 

Neste artigo temos disponíveis os Álbuns Diários do SUDELESTE 2007, acompanhados pelo resumo dos principais pontos de interesse de cada semana, este último uma nova versão da estória de viagem contada no primeiro episódio:

 

      1ª Semana - Portugal to Slovenia by Truck

 

 

O primeiro dia de SUDELESTE ficou marcado pelo abandono prematuro de um dos viajantes, Ivo, devido a um imprevisto na fronteira com Espanha. Os restantes de nós, Diogo e Luís, seguimos em direcção ao nosso primeiro destino, Eslovénia. Para tal atravessámos a Espanha, a França e o norte de Itália à boleia de camiões. Em Itália, por não ser permitida a circulação de camiões ao fim-de-semana no período do verão, ficámos retidos durante dois dias na autoestrada A1, mas guardamos as memórias magníficas do companheirismo, do sentido de entre-ajuda e do grande humanismo de dois camionistas romenos que compartilharam com grande satisfação esses dois dias das suas vidas connosco. Ainda assim, ao final do sexto dia chegámos à Eslovénia, cumprindo a nossa meta: ir de Portugal à Eslovénia à boleia em menos de uma semana. Também neste dia tivemos o primeiro alojamento couchsurfing da viajem, na cidade de Postojna, numa vivenda magnífica de um casal super simpático e acolhedor. O último dia da semana acabou em grande, com um concerto ao vivo e gratuito do grupo francês Un Swing de R'tard, no centro da cidade de Postojna.

 

      2ª Semana - La Dolce Vita na Eslovénia e Hungria

 

 

Nesta segunda semana de viagem, à medida que atravessávamos a pequena Eslovénia, descobríamos que a limpeza, a organização, a beleza e a natureza intacta e verdejante eram regra por todo o país. E não era tudo, a Eslovénia mostrava-se ser terra dos melhores gelados do mundo (produzidos pela comunidade albanesa), e também terra de uma invejável mentalidade aberta, onde pedir boleia era um meio de viajar extremamente fácil e eficiente. Os destaques da semana, pela positiva, foram a grande e bem merecida tarde passada num Spa em Maribor, cidade universitária, e portanto quase deserta no verão, o surreal Couchsurfing Meeting também nesta cidade e a boleia que recebemos de um casal espanhol desde Maribor na Eslovénia, até Siófok na Hungria, com uma breve passagem pela Croácia. Pela negativa, Budapeste, cidade histórica e de passagem obrigatória, mas que não nos convenceu por ser demasiado turística nas suas zonas principais, e demasiado suja e caótica no resto da cidade, além dos seus muito elevados índices de poluição. A loucura da semana foi percorrer 10Km a pé sob chuva intensa e com uma mochila às costas, na fronteira entre a Hungria e a Roménia.

 

      3ª Semana - Merge la Romania?? Da, da...

 

 

No início da terceira semana chegámos a Cluj-Napoca, em plena Transilvânia, Roménia, onde nos esperava uma agradável surpresa: ummeeting oficial do couchsurfing. Cluj-Napoca é a cidade do clube mais lusófono da Roménia, CFR Cluj, com 8 portugueses e 2 brasileiros no  seu plantel principal. É uma cidade de contrastes, onde Ferrari's se cruzam com crianças de rua em estradas sem asfalto e cheias de buracos. Estes contrastes estendem-se contudo a toda a Roménia em plena turbulência  económica onde, por exemplo, fica mais barato jantar num restaurante do que cozinhar em casa, literalmente. De Cluj-Napoca seguimos para Sibiu, Capital Europeia da Cultura 2007, cidade do insólito: ao chegarmos à casa da couchsurfer que nos iria acolher demos com um apartamento em plenas obras de remodelação, e por isso, água quente, banho, um sofá ou até mesmo uma cadeira eram pedidos impossíveis de satisfazer. Mais insólitos viriam a revelar-se os restantes hóspedes, um brasileiro com estilo de serial-killer e mala de viagem maior que ele e um casal finlandês que se fazia acompanhar de dois guarda-chuvas alucinantes, um cor-de-rosa, outro azul-bebé. Insólitos sem dúvida eram também os lagos hiper-salgados que fomos encontrar em Baile Ocna Sibiului, assim como um pôr-do-sol no sul da cidade, com um rebanho de ovelhas e um tanque de guerra abandonado a completar o quadro...

 

      4ª Semana - Durmiendo por la calle...

 

 

Antes de partirmos para a improvável aventura de passar 8 dias a dormir onde calhasse, pois não voltariamos a encontrar um couchsurfer para nos hospedar até ao final da viagem, couchsurfámos na bela e sossegada cidade de Pécs, na Hungria, cujas pequenas e agradáveis surpresas fizeram deixar no ar a sensação de obrigação de lá voltar um dia, além de terem servido como compensação da imagem negativa com que inicialmente ficáramos da Hungria após a anterior passagem pela capital, Budapeste. Paradoxalmente, ou até não, esta semana acabou por ser sem dúvida aquela que nos brindou com as experiências mais belas, intensas e marcantes de toda a viagem. De destacar a dormida num estádio de futebol em construção na Eslovénia embalados pelo som da chuva torrencial e inesperada, as duas noites passadas na praia da snob Nice (a primeira com um grupo de jovens turistas croatas, a segunda com um grupo de franceses que se despediam do seu amigo emigrante na Irlanda), e ainda a fantástica aventura com o alucinado camionista checo que nos "pegou" já noite escura em Itália e nos levou até à Catalunha, o qual após quase 4 horas perdidas à procura do local de descarga da sua mercadoria, ainda foi ao final da noite tomar um merecido banho connosco nas águas tépidas e amenas do Mediterrâneo, em Arenys de Mar. Esta semana deu ainda para um dia relaxante e inesquecível no Mónaco, especialmente pelos agradáveis banhos de sol e de mar que lá disfrutámos.

 

      5ª Semana - Rojões e Arroz de Marisco

 

 

Tivesse o mítico José Cid nos acompanhado nesta nossa senda pela Europa desconhecida e provavelmente o seu saudoso pedido ao regressar a casa podesse ter sido umas famosas Favas com Chouriço... Nós, Diogo e Luís, ficámo-nos respectiva e humildemente pelos Rojões do norte e o Arroz de Marisco do centro do país... Brincadeira. Estes dois últimos dias da nossa aventura SUDELESTE 2007 ficaram marcados negativamente pelos 6 Km percorridos a pé na auto-estrada de Valência para Madrid sob uma desgastante temperatura de 40ºC, sem a mínima sombra e com as mochilas às costas, e também pelo comportamento ignominioso do caquéctico segurança privado da estação de autocarros de Valência que não permitia de forma alguma que os viajantes à espera dos seus autocarros (e com bilhetes já comprados) se deitassem ou se sentassem no chão para aliviar o peso que o relógio já carregava (3 horas da manhã), e muito menos que se deitassem nos bancos, embora houvesse uma infindável quantidade de bancos vazios! Até fechar os olhos num banco dava direito a severa reprimenda. Insanidade mental ou resquícios das ditaduras peninsulares, quem sabe...  Pela positiva, o regresso a casa...

 

No próximo e último episódio: TODOS os vídeos da viagem!

 

Luís Garcia, 17.02.2016, Lampang, Tailândia

 

 

 
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Acreditar faz mal

 

 

RICARDO MINI copy  SOCIEDADE Ciência RELIGIÃO

 

A crença, como eu a vejo, é o processo de esperar passivamente que algo aconteça com base no puro acaso ou na conjugação de fatores desconhecidos, uma vez que não se funda em quaisquer evidências ou indicadores.

 

É um processo verdadeiramente nocivo e destrutivo. Nocivo porque, promovendo a inação, o conformismo e a adaptação resignada às circunstâncias, facilmente prostra o crente numa situação arrastada de miserabilismo vital, até no caso de levar à afetação das necessidades biológicas básicas, como acontece com as pessoas pobres que se conformam com um paraíso lhes prometido pela religião. Destrutivo porque, no convencimento de que de algo incerto provirá invariavelmente o melhor desfecho de entre os considerados possíveis ou, não raras vezes, até um desfecho impossível. Tal como acontece com as pessoas a quem a restante humanidade condenou a uma vida miserável, pelo acidente que sofreram em nascer num determinado ponto geográfico e no seio de uma família irremediavelmente desfavorecida, ou com quem acredita na reversão mágica ou milagrosa da condição patológica terminal de um ente querido e sofre em demasia quando é golpeada friamente pela realidade.

 

Também por isso, os artistas são uma raça perigosa de seres humanos. São as fontes de onde brota o imaginário coletivo humano, preenchendo a mente humana de idealismos, de utopias, de oásis, de toda uma beleza podre porque construída da matérias de um idílico não vital e não real. É preciso matar as pessoas, a natureza a e existência material (a única verdadeira realidade) para lhes extirpar a beleza mortiça que deixam esculpida no mármore, para sempre frio. Na verdade, os versos são delírios de seres moribundos que se enclausuram na sua redoma de cristal artística, porque já não têm mais saúde para apreciar a beleza da vida. E, então, dedicam-se a desumanizar tudo o que os rodeia, sublimando-o em idealismos inóspitos.

 

A única forma de alguém evitar inteligentemente uma dor desnecessária é de integrar psicologicamente a sabedoria do sensacionismo – do único mecanismo que nos permite perceber verdadeiramente o belo vitalista, do devir -, e o respeito pelas forças e leis naturais para o qual a ciência nos educa.

 

A disposição mental científica transforma a incerteza num contínuo reformular de conhecimento acerca de determinado assunto ou acontecimento com base na coleta sistemática e rigorosa de novos dados e de resultados de experiências dirigidas com critério. Ensina-nos a menosprezar generalizações, aquilo que teimamos a fazer quando extrapolamos positiva ou negativamente de todos os casos com os quais tivemos contacto ao longo da nossa vida, mas que provavelmente são significativamente diferentes entre si. Ensina-nos a dar valor à falseabilidade das nossas hipóteses, descartando aquelas que não podem superar tal prova. E ensina-nos que o que achamos não tem qualquer valor, porque podemos sempre ser ignorantes o suficiente para nos enganarmos redondamente nas nossas previsões.

 

Ricardo Lopes

 

  

 
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